O futuro da Web

16 07 2007

Qual será o futuro da Web?Na quarta passada, dei uma entrevista para um jornalista do Estadão, responsável pelo site Link. O jornalista estava interessado em saber qual será o futuro da Web. Ele me questionou se um único site poderá reunir todo tipo de informação e todas as ferramentas de interação em um mesmo lugar. A matéria sobre redes sociais foi hoje publicada aqui. A conversa por telefone durou cerca de 20 minutos, mas o jornalista não deu importância para o que falei e usou sua própria pergunta como sendo minha análise sobre o tema. Bem, vamos ao que eu realmente penso sobre essa questão.

Logo do NetvibesNa primeira geração da Web, os portais serviam como página de entrada na rede. Hoje, na Web 2.0, multiplicam-se os sites altamente personalizáveis, nos quais você pode selecionar e posicionar as informações e serviços que mais lhe interessam. Os principais concorrentes nesta categoria são o MyYahoo, iGoogle, Pageflakes, e Netvibes. Cada um deles oferece uma grande quantidade de módulos de conteúdo: notícias, jogos, quadrinhos, calendário, previsão do tempo, vídeos do YouTube, etc. Além disso, você pode cadastrar seus feeds preferidos. Ou seja, pode assinar os blogs e sites de notícias que mais lê. Em vez de acessar um portal que lhe diz o que há de mais importante, você define o contéudo e a interface que realmente lhe agradam. Já testei o MyYahoo (creio que foi o pioneiro no segmento), iGoogle e Netvibes, e acabei preferindo o último.

Logo do Google ReaderHoje, contudo, a página inicial de meu navegador é o Google Reader. Este site oferece um sistema mais eficiente para a leitura de feeds. A interface, que está longe de ser tão bonita quando aquelas do Pageflakes e Netvibes, tem aquele jeitão conservador que caracteriza o Google. No Reader, posso ver quais são os posts e as notícias mais recentes dos blogs e sites que acompanho. Para quem gosta de blogs, é uma ótima pedida. Pode-se saber em quais deles há algo de novo, sem que se precise visitar um a um. Realmente é muito chato chegar em um blog e encontrar o mesmo post de 2 dias atrás ;-)

Logo do FacebookO Google também tem o orkut, conhecido de todos os brasileiros. Mas, a briga no segmento de redes de relacionamento vem esquentando. Nos Estados Unidos, o todo poderoso MySpace está perdendo espaço para o Facebook. Este último começou como um serviço fechado. Só estudantes universitários e funcionários de certas organizações podiam se cadastrar. Com a abertura dessa rede a qualquer internauta, e com a possibilidade de se personalizar a interface e incluir widgets (até de bichinhos virtuais, versões atualizadas do Tamagoshi), o Facebook ganhou espaço. O próximo alvo pode ser o próprio orkut, já que uma versão em português já está prometida.

Logo do FlickrO jornalista do Estadão queria saber se, ou melhor, ele insistia que uma dessas redes de relacionamento se transformará no site onde encontraremos tudo o que precisamos. Discordo dessa aposta. Quanto mais serviços se inclui em um mesma interface, mais se corre o risco de perder o foco. Veja-se por exemplo o orkut. No dia 11 de julho, a simpática indiana Nandini noticiou no blog oficial do orkut o lançamento de um sistema para a leitura de feeds. OK, mas essa funcionalidade fica muito aquém do Google Reader. O álbum de fotos do orkut também parece muito limitado. Mas como e por que concorrer com o Flickr (em minha opinião, o site mais bem resolvido da Web 2.0)? E para que aperfeiçoar a interface da páginas de vídeos se o YouTube oferece um serviço muito melhor? Se o Google possui todas essas ferramentas, por que não integrá-las em um único site. Estratégia, oras! Quando se tenta acertar em muitos alvos ao mesmo tempo, acaba-se por não acertar nada em cheio.

O jornalista queria saber qual é o futuro da Web. Eu também quero. O Google, o Yahoo, o Murdock e todo mundo também!


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40 respostas

16 07 2007
Aleteia

Eu também queria saber o Futuro da Web, da moda, do mkt, o meu… :-)

Ahhh vou testar o google reader!

Eu adoro o Google Analytics rss

Boa semana! Bjs e até a banca da Josy.

17 07 2007
Gabriela

Uma coisa que falta para o Google é um álbum de fotos decente. O PicasaWeb é terrivel.
E, quanto ao futuro da Web (ou de qq outra coisa), seria bastante sem graça se absolutamente tudo fosse previsível :P

17 07 2007
Gisele

E ele conseguiu convite pro Pownce?
Ele me pediu, mas eu não tinha mais… parece que a Laura ia dar… mas ele nem falou no nosso programa favorito dos últimos dias, que ingrato!

17 07 2007
La Carmencita

Tamagotchi ( たまごっち ).

「たまご(Tamago)」 + 「ウオッチ(Watch)」。
(tamago = ovo)

http://ja.wikipedia.org/wiki/%E3%81%9F%E3%81%BE%E3%81%94%E3%81%A3%E3%81%A1

http://www.tamagotchieurope.com

17 07 2007
17 07 2007
Raquel

Esses jornalistas… tsc tsc tsc
O pior foi dizer que todos esses sites são “comunidades virtuais” e que estão chegando na “fase 2″. :P

17 07 2007
alexprimo

Pois é, Gisele, não sei se ele conseguiu o convite para o Pownce. Com tua pergunta, lembrei de outras tantas coisas que falei para ele e gostaria de comentar aqui. Vou deixar para postá-las amanhã.

17 07 2007
MC

eu li essa matéria antes de ler esse post e concordo com a Raquel. na minha opinião, jornalista escrevendo sobre tecnologia, na maior parte das vezes, é algo absurdamente lamentável.

17 07 2007
Bruno Galera

Primo: a integração de todo o Google já está rolando e é projeto priorizado dentro da empresa. Vou ver se encontro um artigo que inclusive tem um vídeo de testes da nova ferramenta de rede social interagindo com outros produtos.

17 07 2007
Bruno Galera

Mea culpa pelo exagero: é a nova rede social do Google. Está longe de ser integração de todos os serviços, mas inclui interação mais ampla com Blogger, Google Maps e outros serviços com os quais o Orkut não dialoga.

É o Social Stream: http://video.google.com/videoplay?docid=-6610704975433050156&hl=en

Provavelmente tu já conhece, porque é um estudo na Carnegie Mellon patrocinado pelo próprio Google.

17 07 2007
não foi isso que eu disse… « Monitorando

[...] para o Link, do Estadão, e não gostou nadinha do que o repórter fez. Por isso, publicou em seu blog o que queria ter visto e que realmente disse. O assunto? O futuro da [...]

17 07 2007
alexprimo

Bruno, ia falar desse projeto no próximo post, mas vamos lá…O Google financia sim esse projeto da Carnegie Mellon. E comentei isso com o jornalista do Link/Estadão.

De fato, a interface (que logotipo e fundo azul horrorosos) oferece melhor usabilidade. Mas, você acredita que se esse fosse realmente o “novo orkut” do Google, o protótipo estaria sendo discutido publicamente?

17 07 2007
Bruno Galera

Na verdade eu acho que sim. O que o Google mais precisa nesse projeto é de feedback externo. O Orkut é um desastre nos EUA (especialmente pela invasão bárbara dos índios brasileiros). Se eles não tiverem uma solução rápida para competir com o Facebook, acho que vão perder terreno determinante nessa corrida.

Não me lembro de projetos do Google mantidos a sete chaves. Na verdade, eventos recentes comprovam a tática genial de contratar beta testers a preço de nada. A interface nova do Analytics estava e continua sendo testada por milhões de pessoas. O mesmo já acontece com o Youtube, que tem mudado de forma sutil quase toda semana. Somos as cobaias, e estamos adorando isso ;)

Mas lógico: esse vídeo é muito preliminar e o layout é um lixo. Mas acho que o Google não teme roubo de funcionalidades simplesmente porque NINGUÉM tem outro Google Maps; NINGUÉM mais tem o Blogger (continua sendo a maior rede) e, especialmente, NINGUÉM tem o Google Ads. Acho que eles estão bem confortáveis quanto a isso.

17 07 2007
alexprimo

Mas acho que o Google não teme roubo de funcionalidades simplesmente porque NINGUÉM tem outro Google Maps; NINGUÉM mais tem o Blogger (continua sendo a maior rede) e, especialmente, NINGUÉM tem o Google Ads.

Mas, veja Bruno, qualquer outra rede pode usar os feeds do Blogger, o API do Google Maps, etc. Esses conteúdos e tecnologias já estão à disposição da concorrência.

Outra coisa, se até hoje o Google não quis integrar o Blogger ao orkut, por que faria com outra rede social? É interesse da empresa manter cada um dos seus produtos fortes e bem focados. Um site que tenta fazer tudo, acaba não fazendo nada bem feito.

17 07 2007
Urubu Maroto

os jornalistas que não prestam atenção ao que dizemos hoje são os alunos que não davam a mínima ao que dizíamos ontem

17 07 2007
La Carmencita

E por que os deixaram passar?

E os professores que não prestam atenção?

17 07 2007
Laura

Gisele, o menino tah no pownce sim, eu vi. Mas não dei o convite pra ele – sem querer apaguei a msgm do orkut (q eu nunca olho) em que ele me pedia o convite. Depois ele n fez mais contato…

Quanto a materia: lamentável…
Agora as pessoas não vão saber a verdade sobre o futuro da web…!
É isso aew, Carmencita! Rodem eles…

17 07 2007
Rodrigo Martins

Caro Alex e responsáveis pelos comentários neste blog,

Sou o repórter “maldido” nesta página do Estadão (rsrsrsrsrs.) Vou dar a minha versão (porque não, jornalistas de tecnologia não são todos lamentáveis. Há as maças podres, mas não se pode julgar a classe toda com uma palavra – se um médico fez um diagnóstico errado, por exemplo, toda a classe é lamentável?).

Além de ficar analisando softwares e hardware – o que é muito previsível, concordo, mas tem muita gente que lê, somos nós que tentamos captar as tendências (erramos às vezes, mas profissionais sérios ouvem opiniões de gente que tenha o que dizer….) Foi a dita “imprensa especializada” (não concordo com esse termo, pois jornalista que é jornalista escreve sobre qualquer coisa, de política e futebol a bastidores da TV) que denunciou os crimes no Orkut (e eu fui um dos primeiros a cair a fundo no que estava rolando no site, no começo do ano passado). A gente cobra do governo as promessas de inclusão digital, etc.

Alex, como aconteceu com você, entrevistei outras fontes por mais de 20 minutos. Conversei com o pessoal do Orkut, do MySpace e do Facebook. E o que todos me disseram: “queremos colocar cada vez mais ferramentas, para que o usuário não precise sair da página dele para resolver tudo o que faz na web.” Então o centro da matéria estava aí.

Mas não gosto de ficar só no “blá-blá-blá” das empresas, que, muitas vezes, gostam de fazer média em suas palavras com os leitores (querem posar de santinhas, etc) e sempre ouço especialistas.

Entrevistei bastante gente. Mas o jornal tem um problema: espaço. De tudo o que apurei, não usei nem 95%. E isso é normal. Não foi o caso desta matéria, mas já houve vezes em que entrevistei cerca de 60 pessoas e usei apenas “aspas” de 20. Por que? Por espaço.

Alex, no seu caso, achei tudo o que você me disse muito interessante. Testei o Pownce e tudo mais. Mas não houve espaço para publicar tudo. E nunca há. É normal. Você pede quatro páginas para o seu editor e ele te dá duas. Por que? Porque há outros assuntos a serem tratados no caderno. E outros assuntos interessantes.

A sua frase que foi publicada na matéria, que você me disse, foi o que melhor se encaixou na matéria. Gostaria de ter publicado o resto. Mas a profissão de um jornalista é escolher: escolher as pautas mais importantes, os lados mais relevantes de um assunto. E tudo isso baseado nas informações que coleta com entrevistados e no que lê. Não escrevemos o que queremos – isso é antiético (tá certo que tem veículos e jornalistas sem caráter que nem se ligam nessas regras, mas deixa para lá.)

Outra coisa: no e-mail que te enviei e logo que começamos a fazer a entrevistas, lhe disse que a pauta seria o futuro das comunidades virtuais – não da internet. E, no geral, a matéria tratou disso mesmo. Acontece que, durante a apuração, as coisas vão se atropelando. Consegui entrevistas com o MySpace e com o Facebook – o que não acreditava que iria rolar e me custou dezenas de telefonemas e várias horas extras – e eles confirmaram que viriam para o Brasil. Não tinha como ignorar isso na capa.

Mas, dentro, há muito do que conversamos. As comunidades pequenas – que a maioria dos especialistas entrevistados me disse que era uma tendência -, a possibilidade de o Orkut perder usuários com a chegada de novas comunidades, a fase 2 das comunidades (nome cravado por especialistas, como do Ibope e pelos responsáveis por MySpace e Facebook), a tendência de esses sites migrarem para o celular, etc.

Quanto ao termo “comunidades virtuais”, foi assim que se acostumou a chamar os “sites de relacionamento” no Brasil. Por causa disso, utilizamos esse termo. O que queremos é estender as nossas matérias ao maior número possível de pessoas. E, quanto mais próximo delas, quanto mais a reportagem for didática e sem pretensões elitistas, conseguiremos que mais pessoas tirem esse “ranço” de que tecnologia é uma coisa chata, de que, se eu abrir o caderno de “informática” (esse termo também já não serve mais, porque a tecnologia digital já embarcou em tudo, não mais só no computador), só vou achar textos técnicos e de difícil compreensão.

Bom, é isso. Ah, e me formei com muito esforço. Tentando equilibrar a loucura de trabalhar no jornal com a rotina da faculdade. Confesso que aprendi mais no jornal. Mas me recordo de ter alguns bons professores. Aqui vai uma provocação: Do que adianta prestar tanta atenção ao que os professores dizem na faculdade se os cursos de Jornalismo (os que conheço, não vou cair no erro de generalizar) são tão ruins?

Aguardo as pedradas,
Rodrigo Martins
Link – O Estado de S. Paulo

17 07 2007
Rodrigo Martins

Ah, e vocês leram na matéria? A Carnegie Mellon desmentiu que o SocialStream seja um novo “Orkut”. Conversei por telefone com o responsável pela pesquisa e ele me disse que, na verdade, foi um estudo, patrocinado pelo Google, para ver os hábitos dos usuários em redes sociais e apontar os rumos para o site de relacionamento ideal.

Embora haja aquela página explicando o que é o SocialStream, não há comunidade nenhuma sendo desenvolvida. O projeto veio à tona agora, mas as pesquisas acabaram em agosto do ano passado.

Não dá para cravar 100% que não é o “nogo Orkut”, mas, com as declarações do pessoal da Carnegie Mellon, os textos que se proliferaram em blogs sobre não se sustentam. Principalmente porque ninguém do Google confirmou.

Abraço,
Rodrigo

17 07 2007
La Carmencita

Não adianta aguardar. Aqui só há pedras preciosas e não as jogamos aos que fazem lambança.

E esse seu blá-blá-blá parece ter apenas mostrado que os seus superiores não lhe dão condições adequadas para trabalhar. Além disso, não é de bom-tom reclamar em público dos próprios empregadores. Isso é uma questão interna da empresa à qual você presta seus “serviços”.

O que é “nogo Orkut”? Isso é bantu?

17 07 2007
Rita Copetti de Queiroz

Eu não gostaria de uma unica pagina com todas as coisas que uso. Por exemplo, meu orkut é registrado com meu email hotmail, pq que é o que eu gosto de usar, tenho um gmail que não uso. Raramente uso o google reader, não me agrada aquela cara do site. Tenho feeds dos blogs que leio com frequencia no meu orkut, to gostando bastante disso. Flickr é muito bacana, não tenho uma conta lá, o que não me permite comentar nas fotos dos usuários que visito, isso é unica coisa que não me agrada no flickr.
Mas é isso, não entendo quase nada do mundo da internet, mas o que uso me agrada bastante pq é facil.
bjinhos

17 07 2007
Rodrigo Martins

Cara La Carmencita,

Não estou reclamando de meus superiores nem de meus empregadores. O que quis tentar esclarecer é como é feito o jornalismo hoje. Não é isso que estamos discutindo aqui? Acho que há muita coisa errada, mas a maioria está correta no jornalismo praticado atualmente nas redações. E a matéria que fiz está bem embasada, correta. Meu texto não é um pedido de desculpas. Ouvi muita gente boa, incluindo o Alex.

Essa pluralidade de opiniões e pontos de vista é o que enriquece uma reportagem. Poderia ser preguiçoso, escutar apenas o Alex e publicar tudo o que ele disse. Mas acho que o jornalista deve dar espaço a todos, principalmente para não cair no erro de dar apenas “um lado da história” (esse não é o discurso de todo professor de jornalismo?) E foi isso que fiz. Justamente para evitar a tal “lambança.”

O ponto que eu queria deixar aqui é o outro lado. Não é isso que pregam os professores de jornalismo (o que, posso estar errado, estão reunidos aqui)? Ou os professores de jornalismo se interessam apenas pela parte teórica e se esquecem do que acontece realmente na prática? Continua a minha provocação.

Abraço,
Rodrigo

17 07 2007
Sandra Bordini Mazzocato

Parece haver mesmo uma necessidade nas pessoas de acharem maneiras de controlarem o conteúdo que existe na Web, pois assim fica mais fácil.

A internet assusta, tem muitas coisas novas surgindo o tempo todo, na maior parte das vezes não conseguimos acompanhar o ritmo, com um único espaço pessoal incluindo TUDO que precisamos parece ser a solução para isso.

Mas veja que por mais que o conteúdo seja personalizável, retornaríamos aos velhos “portais currais”, pois como foi bem observado pela Rita de Queiroz, tudo depende de uma conta de email. Se pegarmos os serviços da MSN temos que ter o hotmail, se quisermos os serviços do google precisamos de gmail, e assim vai…com isso retorna o controle. As informações podem ser personalizáveis, incluidas e editadas pelo usuário, mas os problemas de compatibilidade que surge com a batalha entre as marcas continua.

Claro que um espaço que nos ajude a armazenar e achar mais rápido aquilo que gostamos de usar é interessante, mas acredito que UMA única página para acessar TODO o conteúdo que queremos acaba dando um fechamento num espaço em que a graça está na abertura, nas experimentações, nas descobertas.

17 07 2007
marcia

não vou comentar sobre o futuro da Web, pois é um assunto do qual não entendo. para mim a Internet é fonte de prazer e informação, interação e conhecimento (objetivo e subjetivo). procuro usar o que me interessa e o que me agrada, e o resto desconsidero. como no resto da vida, aliás.

mas vou dar uns pitacos sobre jornalismo. entendi o ponto-de-vista do Rodrigo (que não conheço). o processo de produção de uma reportagem é extremamente complexo, e só quem o vive cotidianamente sabe o quanto exige do repórter. pensar a pauta, estabelecer um foco – que vai mudando ao longo do tempo, dependendo das fontes -, listar fontes e entrevistá-las e depois hierarquizar a narração do que se tem para dizer. nesta hierarquização, o doloroso processo de escolher o que entra e o que não entra, como abrir, como titular, que imagens colocar. e depois esperar o descontentamento dos especialistas…

já fui fonte e já exerci a profissão do jornalismo. conheço a frustração (legítima) de ser uma fonte e depois ver uma declaração minha que, na minha opinião, não sistetizava adequadamente o que eu havia dito – ou, talvez, o que eu pensava que havia dito. mas o texto final é sempre o resultado dessas escolhas, exercidas no exercício de uma profissão que lida com uma série de fatores estruturais que escapam ao conhecimento das fontes e dos leitores.

o que temos aqui, exposto nos comentários, é o processo de produção de uma reportagem, de acesso às fontes, de trabalho sobre o cruzamento do que as fontes dizem e finalmente de escolha (consciente) sobre o que se vai publicar. não é fácil para o jornalista, como não é fácil para a fonte. o que importa é que o jornalista escreve para um leitor que ele imagina, e que conhece parcialmente, e nesse processo existe uma mudança de foco (do especialista para o jornalista) e de linguagem, um processo que é sempre mediado pelo que chamamos de rotinas produtivas do jornalismo, rotinas concretas que nunca ficam explícitas no texto final.

de qualquer modo, o que vi acontecer aqui foi um especialista usando de seu próprio espaço para expressar uma visão que julgou incompleta, parcial ou distorcida. acho isso fantástico. também vi aqui um jornalista tentando explicar para um público que desconhece (o dos leitores deste blog, e poucos deles são professores de jornalismo) como sua matéria foi produzida. entre os leitores do blog, até onde sei, poucos tiveram a experiência de exercer o jornalismo e estar “do outro lado do balcão”, onde a perspectiva muda e o ambiente é decisivo.

quanto à universidade, nem tanto ao céu, nem tanto à terra. toda generalização corre o risco de ser injusta. professores bons e ruins, assim como alunos bons e ruins, existem em todos os lugares. e o conhecimento que se adquire na universidade é apenas uma parte do conhecimento que se usará na vida profissional.

comentário longo, de novo. :P

17 07 2007
marcia

“exercer o exercício” ficou ridículo. :(

17 07 2007
La Carmencita

“Não é isso que estamos discutindo aqui?”
NÃO.

O autor do weblog quis falar sobre o que ele desejou descrever como o futuro da web. Ele pode falar sobre o que quiser e o quanto quiser. Ele tem essa liberdade de expressar a sua própria opinião.

A propósito, felizmente não sou professora nem jornalista.

17 07 2007
Vivien

Tive sorte, nas vezes que fui fonte, ainda que de forma incrivelmente resumida no texto, os jornalistas conseguiram ser fiéis ao meu ponto de vista e minhas argumentações.
Creio que muito se aprende na prática, nessa ou em qualquer profissão, mas descartar o período acadêmico só tem sentido para quem frequentou uma faculdade medíocre, como existem aos quilos por aí.
Essa coisa de se prever o futuro me soa irritante: assisti aos últimos minutinhos de Roda Viva ontem, uma fulana perguntou “o que vai acontecer no Oriente médio”?
No dia que jornalista virar tarólogo eu tb vou querer consulta.

17 07 2007
Urubu Maroto

como é que o Alex consegue fazer o blog dele bombar desse jeito, de novo e de novo? Estamos falando em jornalismo mas isso é coisa de publicitário.

17 07 2007
Urubu Maroto

Ah, sim, achei muito legal o Rodrigo ter entrado na conversa. Foi bacana da parte dele.

Respondendo à Carmencita, nunca reprovei ninguém por não me escutar, mas já reprovei por não saber pensar por si próprio, não saber fazer auto-crítica, ou não ter ética e tentar. E, claro, desconfio da sanidade de quem repete o que eu digo.

17 07 2007
Urubu Maroto

argh, maldito teclado – “…não ter ética e tentar plagiar”

17 07 2007
marcia

Urubuzinha, polêmica vicia. :)

17 07 2007
La Carmencita

“desconfio da sanidade de quem repete o que eu digo”
Acho que você anda se repetindo muito…

Mas faltou a resposta à minha segunda pergunta:
“E os professores que não prestam atenção?”

17 07 2007
alexprimo

Urubu, seu maroto, eu é que tenho sorte de ter comentaristas com tanta qualidade. Também achei muito bacana o Rodrigo participar de nosso debate.

Rodrigo, por favor, volte sempre.

17 07 2007
Gabriela

Esse post com seus comentários é praticamente uma aula de jornalismo – ou pelo menos é bem mais interessante que uma :P

17 07 2007
Laura

E o Pownce nessa história toda?? Coitado… hauihauiah

Bom… A Márcia sempre dando os pitacos certos nas horas certas.! Confesso que meus dedos ficaram vermelhinhos com algumas das chicotadas!… Mas em termos de jornalismo, não discuto com ela mesmo! :P

Mas eu queria fazer uma pergunta pro Rodrigo…
Você falou tanto sobre a coisa de ‘espaço’. Óbvio que eu entendi o que vc quis dizer, não dá pra ter tudo num texto só. Mas se você tem tanto material bom pro teu leitor, não vale a pena ir construindo as coisas, uma por vez, e linkando as idéias de cada edição? Tipo, conversas menores, com mais produndidade… Entende o que quero dizer? Enfim, a web é teu limite… ou não?

Confesso que essa parte me intrigou um pouquinho…

18 07 2007
Aline de Campos

Caindo de pára-quedas nessa discussão jornalistíca/tecnológica, vou me sobre o que eu penso entender um pouco e poupar as pessoas que acessam e comentam esse blog de ler qualquer asneira que eu possa dizer sobre jornalismo.

Sendo eu uma pessoa um tanto relativista, óbvio que concordo com a Márcia que disse que radicalismos quase sempre tendem ao injusto. Não acho legal criticar de maneira não construtiva os jornalistas que escrevem sobre tecnologia, bem como as pessoas da área tecnológica que atuam na comunicação (hihihi porque será ? ;-p).

Quando li a reportagem do Rodrigo, o post do Alex e toda essa discussão por aqui, pensei exatamente no que a Sandra fez referência, os “portais currais” de André Lemos, a tentativa de centralizar em um ambiente que por essência é reticular.

Como já foi dito, tentar centralizar as ações na web em uma interface onde seja necessário uma conta específica para acesso ao que for pré-determinado, restando apenas ao “usuário” a escolha do que ver dentre essas opções, pode ser ótimo para organizar o conteúdo que se quer, mas também pode ser péssimo para expandir a percepção das possibilidades dentro da Web.

Embora eu pense que quem acaba por decidir o que funciona e o que não funciona somos nós, os maravilhosos internautas…
Aquela velha questão clichê que dizem sobre desligar a televisão. Na web creio que possa funcionar dessa maneira… “não quero, não utilizo, não acesso, eu escolho, desapareça !” hahaha…
Afinal, não é essa a vantagem da Web ?
A (mesmo que muitas vezes pseuda) sensação de liberdade ?

18 07 2007
rogério christofoletti

Dei o seu recado no meu blog. abs. (http://monitorando.wordpress.com)

18 07 2007
alexprimo

Sobre comunidades virtuais e redes de relacionamento, vejam este ótimo post que a Raquel publicou hoje: http://pontomidia.com.br/raquel/arquivos/2007_07.html

30 07 2007
Guias básico e avançado do Google Reader e um leitor de RSS diferente « netmania (beta)

[...] Já comentei em post anterior que acredito que leitores de RSS e sites do tipo Netvibes e Digg serão as próximas páginas iniciais dos usuários – tema que também pretendo ampliar em breve. Quem escreveu mais ou menos sobre foi Alex Primo, em seu blog (quase) homônimo. [...]

13 08 2007
Alforria

Um novo Orkut

[...]“As redes de relacionamento so obsoletas”.

A afirmao feita pelo editor da Revista Superinteressante, Eduf parece ousada, mas ser verdade?[...]

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