Mercadante: COVARDE TRAIDOR

28 09 2007

Absolutamente indignado após a absolvição de Renan Calheiros, enviei uma mensagem para Aloizio Mercadante, a partir de uma lista de e-mails dos senadores desta vergonha nacional que circulou na blogosfera. Desculpem a falta de elegância, caros leitores, mas o título da mensagem era “COVARDE TRAIDOR”.

Pois nesta terça recebi a resposta padrão do omisso Mercadante (ou de um auxiliar que assina em seu nome). Leia abaixo a mensagem e meus comentários.

Espero que leia e compreenda as razões do meu voto e as providências que estão sendo tomadas em relação aos processos contra o senador Renan Calheiros:
1) Nova representação contra o senador Renan Calheiros – Conforme tenho dito, esse processo apenas se iniciou. O senador Renan Calheiros não foi absolvido. A Mesa do Senado acaba de receber nova denúncia de que Renan Calheiros teria participado de um esquema de desvio de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB. Essa nova representação somente agora passará a ser analisada. Portanto, novamente gostaria de esclarecer que são quatro representações, quatro processos diferentes. Estamos julgando um único mandato, mas estamos analisando quatro representações. O julgamento não acabou. Haverá mais três votações, que podem levar à cassação do mandato do senador Renan. Eu sobrestei meu voto para aguardar a análise de todos os processos e, assim, formar uma convicção definitiva diante do conjunto das acusações. Defendo que os processos podem até ter relatores diferentes, mas deveriam ser todos apreciados numa única sessão, porque, enquanto não dermos um voto terminativo sobre o futuro do senador Renan Calheiros, a Casa continuará se desgastando. Volto a dizer: em relação ao primeiro processo, não há conclusão sobre a tese fundamental da denúncia de que a empreiteira Mendes Júnior pagou, por meio de lobista, as contas pessoais do presidente do Senado. Mas considerei que há graves indícios que precisam ser esclarecidos. Ficaram dúvidas e incertezas. Sendo assim, na votação desse primeiro processo, eu não poderia ter votado pelo arquivamento de modo algum, e não poderia absolver Renan. Ainda não há uma visão abrangente, acabada do processo. Meu voto não foi de omissão. Foi um voto transparente, de quem entende que o julgamento de mérito se faz com base na conclusão do processo das quatro denúncias, quando, então, será possível assumir uma posição definitiva.
Comentário: COVARDE TRAIDOR
2) Licenciamento de Renan – Conforme disse em meu discurso da última terça-feira, na tribuna do Senado, já havia defendido e continuo defendendo que o presidente Renan se licencie. Considero que ele deve ter assegurado o direito de defesa, mas, ao insistir em sua permanência no cargo, Renan prejudica as votações e o andamento dos trabalhos na Casa e é grande o desgaste institucional. É como se os grandes erros que ele cometeu, que poderão ser crimes se forem comprovados, fossem da própria instituição.
Comentário: COVARDE TRAIDOR
3) Sessões abertas – Um requerimento pedindo que as sessões futuras sejam abertas foi apresentado e apoiado pela bancada do PT e pelos líderes dos partidos, a partir de um pronunciamento meu, que sempre defendi o voto aberto, essencial para dar a transparência necessária e evitar qualquer tipo de manipulação do voto.
Comentário: COVARDE TRAIDOR
3) Sessões abertas – Um requerimento pedindo que as sessões futuras sejam abertas foi apresentado e apoiado pela bancada do PT e pelos líderes dos partidos, a partir de um pronunciamento meu, que sempre defendi o voto aberto, essencial para dar a transparência necessária e evitar qualquer tipo de manipulação do voto.
Comentário: COVARDE TRAIDOR
4) Voto aberto – Aprovamos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira, emenda à Constituição que acaba com todas as votações secretas no Congresso Nacional. Gostaria de lembrar que nos últimos 20 anos o PT luta pelo voto aberto. Fomos derrotados em 2003. Nesta quarta-feira, na sessão da CCJ, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou parecer mantendo o sigilo nas votações de indicações e vetos, mas alterou o documento a partir das minhas argumentações. Passou a defender a extinção do voto secreto. O parlamentar tem que assumir sua responsabilidade. Acho que é preciso ser absolutamente radical na transparência. É preciso ter coragem para assumir responsabilidades, e tenho feito isso. Sempre fiz. O que é inconcebível é que possamos ter 43 senadores anunciando ter votado pela cassação de Renan, quando, no painel, foram registrados somente 35 votos contra o presidente do Senado. Isso fragiliza a representação e não permite ao eleitor se identificar ou não com a votação de quem a tenha feito. Vou trabalhar com afinco, não vou me ausentar, não vou me omitir, serei coerente. Declararei meu voto definitivo assim que houver o julgamento final desse processo, a partir do conjunto dos indícios e das provas oferecidas para essas denúncias.
Um abraço
Senador Aloizio Mercadante.

Prezado senador desta vergonha nacional, obrigado, mas não aceito abraços de fantasmas.

Sei que é costume de vocês chamarem o senado de “casa” e que não cansam de repetir que “esta casa isto”…”esta casa aquilo”. Infelizmente, com tanta atenção voltada para os interesses do domícilio particular, vocês vêm legislando de costas para o Brasil.

Como que você, que antes travestia-se de defensor da ética, hoje quer fazer crer que não tinha elementos para votar o tema? Lembre-se, você não é policial nem fiscal da receita. Logo, só poderia representar os cidadãos brasileiros no que toca a quebra de decoro parlamentar. E você ainda tem dúvidas sobre se houve quebra de decoro?

Pois agora você está indignado que o Renan Calheiros não arreda pé da presidência da vergonha nacional. Você achou que estava sendo um grande líder ao confiar que logo após manipular a votação conseguiria que o Renan abriria espaço para o Tião do PT liderar a mesa, não é?

Enquanto isso, a base aliada obstrui a votação da CPMF (que era moeda de troca na votação sobre o Renan) pois não vem ganhando cargos! Deve ser isso o que os senadores entendem por ética (você já ouviu algum político dizendo que é anti-ético?).

Depois de se omitir, Aloizio, você passou a defender o voto aberto e que as outras representações sejam votadas em bloco. Deve estar se achando o rei da manobra. Pois chega de justificar sua omissão e se comparar a um juiz. O Brasil precisa de homens de verdade, de opinião e que compreendam o que ética realmente quer dizer.

Com essa bagunça “aí em cima”, como posso “aqui embaixo” cobrar que quem bateu no meu carro pague os prejuízos? Como posso reclamar de alunos que não cumprem com suas responsabilidades? Como posso me indignar com quem fura a fila? Como posso reclamar do mal atendimento em lojas? E como posso me indignar com o ladrão que roubou minha carteira?

Mercadante, tenho mais uma coisa para te dizer: COVARDE TRAIDOR.

(Prezado assessor do senador omisso, aguardamos sua resposta-padrão aqui neste espaço)

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Interney casa com o IG!

27 09 2007

logo do BloglogA blogosfera anda agitada…e estrelada!

De um lado, a Globo lançou o portal Bloglog (que título infeliz) com blogs de estrelas da casa, mas que também dará teto para “outros formadores de opinião adequados ao perfil do portal”. Ali você encontrará blogs de Cleo Pires, Carolina Dieckmann, Vitor Belfort, Ana Maria Braga, Betty Faria, entre outros.

No outro canto do ringue, as “estrelas” do Interney blogs, liderados por Edney Souza, firmaram uma interessante parceria com o portal IG. Trata-se de um negócio do tipo ganha-ganha, segundo Edney. “Não pago mais hospedagem, tenho mais visibilidade e passo a ter uma nova fonte de receita advinda da publicidade vendida pelo IG”. Já o IG passa a veicular na capa do portal um conteúdo que atraiu 4 milhões de acessos em agosto (segundo números do Interney). Como os espaços publicitários se constroem onde se encontram audiências relevantes (quanto ao tamanho e/ou sua segmentação), o Interney Blogs passa a oferecer ao IG um novo local para veicular propaganda.

Logo do Interney blogsEnquanto um certo jornal andava espalhando que a blogosfera não passa de uma aglomeração de macacos aloprados, o IG reconheceu a força de um novo conjunto de redatores que atraem diariamente milhares de internautas. Revela-se aí o empreendedorismo e a profissionalização de uma minúscula parcela de blogueiros que passaram a se sustentar com seus blogs. Esses “probloggers” encontram no GoogleAds e em parcerias com lojas online (Mercado Livre, por exemplo) uma nova forma de negócio.

O processo é o mesmo de sempre: um produtor oferece contéudo relevante; uma audiência fiel passa a acompanhar essa produção; essa audiência passa a consumir produtos cujos anúncios são vinculados ao conteúdo; a veiculação de anúncios rende lucros ao produtores de conteúdo. A diferença é que hoje a propaganda foi “socializada”. Atualmente, qualquer blogueiro (mesmo com micro-audiências) pode ter anúncios em seu site, sem que precise ser procurado por uma agência ou um anunciante. É muito fácil veicular essa forma de propaganda e o próprio Google encarrega-se de encaixar anúncios (que deveriam ser) relevantes. Já o sistema de parcerias oferece uma pequena porcentagem ao blogueiro sobre as vendas que tiverem início em um link no blog. Assim, probloggers podem se sustentar com a venda de câmeras, computadores ou até mesmo geladeiras sem trabalhar nas Casas Bahia!

Mas, apesar de pequenos blogueiros também poderem participar desse processo mercadológico, do qual parcitipavam basicamente instituições midiáticas, micro-audiências rendem pouco ou até mesmo… nada. E probloggers ainda são pouco representativos no Brasil. De toda forma, é interessante observar o movimento do Interney Blogs. Certamente eles estão abrindo um novo caminho na blogosfera.

Enquanto isso, para não dizer que não falei do BlogLog da Globo, trata-se de mais uma estratégia de sua potente e competente indústria. Ou você acredita que a própria Ana Maria Brega escreve seu blog?

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Mapa mental de Cibercultura

25 09 2007

Há muito tempo que eu queria usar o método de mapa mental em minhas disciplinas no pós-graduação. Aproveitando que fui dar aula no curso de especialização em Ciências da Comunicação na UCPel, de Pelotas, produzi o seguinte mapa mental sobre os principais temas e conceitos de cibercultura (clique na imagem para ampliá-la):

Mapa mental de Cibercultura

Trata-se ainda de uma versão beta. A versão final será hipertextual e deve ser aqui publicada em algumas semanas. Conto com a ajuda de vocês para o aperfeiçoamento do mapa mental. Sugestões de aperfeiçoamentos e links são muito bem vindas!

Update: A partir das sugestões recebidas, abri um wiki para que os amigos possam sugerir links e apontar outras sugestões. Basta cadastrar-se aqui: http://alexprimo.wetpaint.com. A nova versão será publicada em novembro.

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Parabéns, Estadão!

20 09 2007

Para não dizerem que sou injusto, não posso deixar de reconhecer que o Estadão publicou um “erramos” sobre a pseudo-notícia do homem que havia operado seus dedos para usar o iPhone (obrigado pela dica, André Deak). Vamos então comemorar juntos o aniversário de um mês do intervalo entre a publicação da falsa notícia e a errata. Parabéns, Estadão!

Ora, todos sabemos que nenhum veículo jornalístico é imune a erros. As rotinas jornalísticas, a pressão do tempo e dos editores acabam muitas vezes permitindo que certos deslizes aconteçam. Mas cá entre nós, levar um mês para reconhecer o erro, permitindo que a matéria continue no site do jornal (a página foi apagada, mas você pode ver uma cópia aqui), depois que todo mundo sabia que tratava-se de um rumor, é falta de profissionalismo. E isso fica ainda mais feio vindo de um jornal que se intitula o tótem da credibilidade.

Pelo jeito, a reação da blogosfera à campanha do jornal (que comparava blogueiros e macacos) e à publicação daquele rumor como fato real teve efeito nessa retratação. Que bom que o Estadinho lê blogs para ampliar seus horizontes :-)

Então vamos fazer assim, sempre que você ler algo no Estadinho, consulte o site do jornal um mês depois para confirmar se eles voltaram atrás e tudo não passava de uma mentira.

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A relevância e credibilidade de blogs – parte 2

18 09 2007

Esta é a segunda parte de uma discussão que comecei em um post anterior.

Como comentei anteriormente, não podemos comparar um jornal impresso, por exemplo, com qualquer blog. Seria injusto pois apenas uma parte menor da blogosfera se dedica ao jornalismo. Sim, pode-se comparar a linguagem jornalística ou as rotinas de produção de uma emissora de rádio dedicada a notícias e de um blog jornalístico. Mas seria incorreto confrontar este blog que você agora lê como jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Se os objetivos são diferentes, tanto de quem escreve quanto de quem lê, como fazer tal análise comparativa? Logo, e mais uma vez, a pergunta se blogs são uma forma de jornalismo não faz sentido. A repetição da questão não apenas é cansativa, mas também insiste em uma visão equivocada que resulta em debates maniqueístas e não raro preconceituosos.

Cartum Blog do Maicon

Hoje buscamos informações e entretenimento nos mais diversos veículos. Eu leio jornal todas as manhãs, revistas nos fins-de-semana, assisto alguns telejornais, dirijo escutando a rádio BandNews e durante o dia consulto diversos blogs (alguns informativos, outros de clipping, outros pessoais, alguns de humor, etc.). Ou seja, tenho hoje muito mais acesso a informações do que tinha antes. Mas, apesar de ter acesso a jornais online e a um blog “clandestino” com os principais articulistas do país, prefiro ainda a interface do papel, esticada na mesa do café ou no sofá, enquanto “sorvo” um bom chimarrão! Ou seja, cada veículo e interface nos oferece experiências e informações diferentes.

Essa grande quantidade veículos de informação, além do acesso na rede a fontes primárias e os espaços de debates na internet, nos ajudam a criar nossa própria visão dos fatos. Com o tempo, passamos a dar maior importância a certos veículos, programas, articulistas, etc. Ora, credibilidade é algo construído no tempo. Quanto aos blogs, muitos são aqueles que passam a ser respeitados quanta à qualidade de suas informações.

Para me manter atualizado sobre tecnologia, além de sites como CNet, IDGNow, Reuters, Guardian Unlimited, Wired News, também consulto o excelente site colaborativo Slashdot e blogs como Boing Boing, Engadget, Gizmodo, Garota sem Fio, etc. Este último blog, mantido pela Bia Kunze, não apenas relata notícias publicadas em sites especializados em mobilidade, mas também traz periodicamente resenhas e testes feitos pela blogueira, que recebe uma quantidade de releases e celulares para testar. A Bia é dentista (hoje também faz faculdade de jornalismo) e se tornou uma referência nacional em matéria de smartphones.

Podemos supor que os blogueiros sem formação em jornalismo não estão preocupados com aquele contraste entre jornalismo e blogs. No debate organizado pelo Estadão, Edney Souza, do Interney, inclusive sentenciou que blogs jornalísticos são apenas aqueles escritos por jornalistas. Ainda que isso possa ser discutido pelos estudiosos e defensores do webjornalismo participativo, a estratégia do Edney era avançar a reflexão sem ficar patinando no mesmo lugar.

Mas o que nos importa aqui é que credibilidade não é um conceito que se aplica apenas ao contexto jornalístico. De fato, muitos blogueiros buscam tornar-se referência em determinado nicho. Muitas vezes, acabam cobrindo lacunas deixadas pela mídia institucionalizada. Nestes casos, credibilidade é um valor almejado em cada texto publicado.

Smart MobsVale agora lembrar a defesa de Howard Rheingold, em seu livro Smart Mobs, de que na Web a reputação é um valor fundamental. Em uma economia da dádiva, onde os bens são oferecidos livremente e não se espera uma troca monetária, a reputação no grupo pode constituir-se no próprio alvo a ser alcançado. Para um blogueiro, obter acessos continuados (mesmo que isso não passe de poucas centenas de page views) e ser reconhecido como referência em um dado nicho pode ser justamente o resultado que ele espera.

Por outro lado, reputação não é o mesmo que credibilidade. O blog humorístico cocadaboa tem alta reputação, mas pouca ou nenhuma credibilidade (em virtude de suas pegadinhas). O blog Kibe Loco, que já foi inclusive capa de revista semanal, tampouco é produzido visando ampliar sua credibilidade. Já sua reputação é reconhecida pelas agências de propaganda, que passaram a ver a importância da audiência mantida naquele blog.

Reputação na blogosfera, no entanto, não é sinônimo de grandes audiências nem lucros. Um quadrinista amador, por exemplo, pode ter ter uma pequena mas fiel audiência, que vibra com seus quadrinhos e discute ativamente o que ele escreve sobre essa prática.

E segue o debate…

Vote neste post!





Pós/Vida 4: Passo a passo de como presidir uma banca

14 09 2007

Pós/vida 4

A Maria Clara mais uma vez estrela um Pós/Vida. Diferentemente do que a história mostra, ela se saiu muito bem em usa qualificação na semana passada!





Pizza de Renan

12 09 2007

Renan Calheiros é absolvido. Renan é o homem mais poderoso do país. Eu e você somos uns idiotas. Pára o Brasil que eu quero descer.

Pizza de Renan





Quem será o repórter secreto no blog do Noblat?

12 09 2007

O repórter mascaradoO blog do Noblat tem hoje um repórter secreto, infiltrado nas trevas da sessão do senado, que julga se Renan Calheiros é ou não um canalha (ups, não é bem isto, mas dá na mesma). Pois o tal mascarado está prestando um excelente serviço, oferecendo alguns detalhes sobre o que ocorre na sessão às escuras.

Nossa equipe de detetives analisou cuidadosamente os últimos posts do Blog do Noblat e chegou à conclusão que o repórter justiceiro só pode ser Cristovam Buarque. O senador avisou mais cedo que usaria sim o seu celular para transmitir informações (é a mobilidade tentando furar o estático congresso!). E disse que faria isso apesar da ameaça de ser processado por falta de decoro parlamentar. Imagine a seguinte situação: Renan sendo absolvido (demonstrando que é um dos políticos mais poderosos do país, e que eu e você somos idiotas) e Cristovam Buarque perdendo o mandato por tentar arrombar a porta do túnel obscuro onde os senadores se escondem.

Vale a pena acompanhar os relatos do misterioso repórter.





FBI analisa novas imagens de Bin Laden

11 09 2007

O FBI continua investigando a autenticidade do vídeo veiculado pela TV Al Jazira, no qual Bin Laden sugere que os Estados Unidos se converta ao islã. Vestindo uma roupa clara, Bin Laden apresentava barba curta e escura. Como a imagem difere bastante do último vídeo transmitido há 3 anos, algumas autoridades americanas sugerem que trata-se de um impostor.

Bin Laden

Porém, diante da falta de elementos para a comprovação da veracidade do vídeo, novas imagens do líder do Al Qaeda foram descobertas pelo blogueiro Alex Primo. Mais uma vez a blogosfera divulga informações fundamentais com maior velocidade que a grande mídia.

Novas imagens de Bin Laden

Atenção Estadão: as imagens acima são inteiramente falsas, inverídicas, mentirosas. Por favor não as publique em suas páginas.





A relevância e credibilidade de blogs – parte 1

10 09 2007

Como já pude discutir antes, um blog/programa pode mediar a publicação de blogs/textos dos mais diferentes gêneros, sendo que o jornalístico é apenas um deles. Logo, é justo cobrar credibilidade de qualquer blog?

Blog e tecladoAlguns blogs notabilizam-se justamente por investir no humor. Claro, não se pode cobrar informações verdadeiras de um humorista. Até hoje, por exemplo, ninguém criticou o Casseta&Planeta por falta de credibilidade! Então que validade tem uma generalização que insiste que blogs não têm credibilidade?

Desculpem o lugar-comum, mas existem blogs para todos os gostos. Enquanto sempre consulto os blogs Read/Write Web e Garota sem fio em busca de informações atualizadas sobre tecnologia, o blog Cocadaboa é uma excelente pedida para a diversão. É uma pena que nem todo jornalista sabe disso. Alguns já foram vítimas das pegadinhas de Mr. Manson. Vale lembrar os boatos sobre o traficante Xaxim, que defendia a proibição de armas, o lançamento da rede de relacionamentos Sexkut e o roubo de comunidades no orkut que foram amplamente divulgados pela imprensa tradicional como fatos reais.

Na busca por notícias e pelo chamado “furo”, muitos jornalistas acabam não checando as informações que transformam em notícias. Nas últimas semanas denunciei a vergonhosa publicação pelo ClicRBS e Globo online sobre a suposta morte de um colega da academia no acidente da TAM e a veiculação pelo Estadão (que se apresenta como ícone da credibilidade) de um boato da cirurgia que um americano teria feito para usar melhor o iPhone. Outros casos passam desapercebidos, mas demonstram que não apenas os leigos caem em boatos (estes não tem a obrigação de confirmar a veracidade das informações que recebem), mas também muitos profissionais da imprensa deixam de checar seus dados. Vejam abaixo a publicação de um rumor bem conhecido por um experiente jornalista (imagens cedidas por Marcelo Träsel):

Rumor divulgado por Xico Vargas

Os leitores prontamente avisam o jornalista que a informação não passa de um rumor. Contudo, Xico Vargas responde com um “carteiraço”:

Resposta de Xico Vargas

Claro, podemos citar outros casos recentes de informações duvidosas em veículos de alta credibilidade. As notícias forjadas por Jayson Blair no New York Times e os documentos falsos noticiados pelo famoso âncora da CBS Dan Rather são os exemplos mais emblemáticos. Neste último, a blogosfera teve inclusive presença marcante na denúncia do fato. Como vemos, se o jornalismo é considerado por muitos o cão de guarda da política, alguns já apontam os blogs como cães de guarda do próprio jornalismo! Mas, podem os blogs exercer essa função? Todo e qualquer blogueiro quer exercer essa função? O importante é que temos mais pessoas “de olho”. E quem ganha com isso não são apenas os leitores, mas o próprio jornalismo. Os blogs, na verdade, tem o mérito de sacudir a reflexão sobre o fazer jornalístico, no momento em que alguns dogmas pareciam querer sedimentar.

Da mesma forma que a educação a distância não matou o professor, como alguns temiam, o jornalismo não desaparecerá por causa da blogosfera (isso não é uma obviedade?). Apenas os fracos e incompetentes precisam ficar assustados.

Nesse debate contínuo sobre a possível ameaça da internet aos jornais, termino com a excelente frase de Jeff Jarvis, da City University of New York (via blog do GJol):

Os produtos impressos podem continuar a existir e, em alguns países, até crescer. Mas eu não choraria sua morte, desde que consigamos maneiras de fazer com que o conteúdo jornalístico materializado nesse suporte-papel sobreviva e prospere. Jornais não devem ser definidos pelo seu meio. Não são apenas papel. Sua força e ser valor não advém apenas do controle de seu conteúdo e sua distribuição.