Estadão e Paulo Autran: a emergência do jornalismo vidente

15 10 2007

O blog Teleguiados, de Cristina Padiglione, traz uma série de críticas à cobertura da mídia sobre a morte de Paulo Autran. Infelizmente, ela “esqueceu” de comentar o erro mais grave, publicado pelo Estadão, que justamente veicula o seu blog. Apesar de você encontrar nesta nota do jornal que o ator faleceu às 16h10, o Estadinho já havia noticiado que o falecimento ocorrera horas antes. Confira na imagem abaixo, capturada por Aloisio Milani, o horário da publicação. (Engraçado que a notícia ainda está disponível aqui!)

A prova do crime

Assim, o Estadão inaugura um novo gênero jornalístico, o jornalismo vidente. Infelizmente, depois de criticar a blogosfera e apresentar-se como estandarte da credibilidade, existe sempre um blogueiro à espreita (como o Milani, a Gabriela Zago, o André Deak e o Fagundes) cuidando os erros do jornalzinho (lembra disto aqui?) e outro fazendo uma crítica inteligente.

Enfim, às 11 ou 16 horas, a verdade é que perdemos um ator referencial. Tive oportunidade de vê-lo apenas uma vez ao vivo, no monólogo Quadrante. Mas gostava de relembrar a experiência sempre que o ouvia no rádio, nos últimos meses, com uma coluna de mesmo nome.

Em tempo: você já clicou naquele botão no pé da página do site do Estadão, intitulado “Conheça nosso código de conduta“? Pois o texto do tal código diz o seguinte: “Incentivamos o leitor a tomar responsabilidade pelo teor de seus comentários e pelo impacto por ele causado: informações equivocadas devem ser corrigidas, e mal entendidos, desfeitos”. Quem sabe o próprio Estadão dá o exemplo?

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11 respostas

15 10 2007
Gabriela

Entrada para a Wikipédia do futuro (ou agora, antes de a espécie se consolidar):

O jornalismo vidente é um ramo do jornalismo que se dedica a previsões furadas sobre o futuro, antecipando mortes, prevendo catástrofes, instaurando o caos e provocando sofrimento por antecipação. Também faz parte dessa espécie de jornalismo a publicação de matérias absurdas e inverídicas, mas que possuem elementos de verdade, e que poderiam passar por críveis. Tende a acontecer, em especial, em veículos que possuem relativa credibilidade (pois, dessa forma, as informações erradas são mais dificilmente contestadas). O maior inimigo do jornalismo vidente são os blogs.

Eu praticamente só reverberei o que os outros disseram, mas valeu pela menção… :)

16 10 2007
Dani Reule

Fico triste pela partida do ator, que sempre achei maravilhoso. Mas estou às gargalhadas com os tropeços do Estadão. Parece que depois da campanha de ataque aos blogs, eles fazem de tudo para fortalecer a credibilidade do jornal e só dão mancada. :o ) Será que o tiro saiu pela culatra?

16 10 2007
mc

a folha também previu a morte do roberto marinho. mas pelo que eu me lembre tirou do ar no mesmo dia e depois que ele morreu mesmo colocou a matéria de volta, o que não justifica o erro. eu acho que esse é um dos problemas do jornalismo online: a corrida pra ver quem publica primeiro. o cara interna com uma frieira no dedão e os jornalistas já tem uma matéria pronta pro caso dele empacotar. aí não checam direito as fontes e saem matando meio mundo. falam tanto em credibilidade que acreditam em qualquer mané que diga algo que dê audiência pro veículo. tsc, tsc ,tsc…

16 10 2007
Fábio Sidrack

Alex, sou Fábio Sidrack, 30 anos, “quase” jornalista (só o TCC me separa), e achei esclarecedoras suas palavras ontem no seminário. Foi através dele que cheguei até aqui, e fiquei instigado a comentar essa notícia do “jornalismo vidente” do Estadão.
Acredito que essa brutal falha é decorrência de idiota cultura do “furo”, tão propalada nos bancos acadêmicos de comunicação. Sempre contestei esse neura, desde as primeiras cadeiras do curso de jornalismo: o público não quer saber quem deu antes, só quem se importa com isso SÃO OS PRÓPRIOS VEÍCULOS/JORNALISTAS!!! Já tinha essa visão antes da web ter a proporção que tem hoje, e no panorama que temos atualmente, é cada vez mais obsoleto esse dogma: é totalmente folcórico. Quem fica ouvindo 12 rádios simultameamente, assistindo 25 canais de TV ou acessando 542 sites para ver quem deu antes senão as próprias redações???
Pô, poderia ter feito minha monografia com esse tema…
Abraço do (agora) leitor
Fábio

16 10 2007
Paulo

Pois é, vi de perto o rolo todo. Por causa da nota do Estadão, fui imediatamente mandado ao hospital, onde já havia uma tropa não muito de elite (não consegui segurar o clichê, rs). Além do erro, e além do lado “urubu” da cobertura, fico me perguntando pra quê tudo aquilo? Todos em busca da mesma notícia, que seria publicada do mesmo jeito, com pequenas variações de gaveta. Por que tantos jornais, rádios, TVs…?

Ô profissãozinha que a gente foi escolher… obrigado pela citação.
Abraço.

16 10 2007
L@uR!nh@

Ei, Alex!! Estou esperando o ‘Mapa da palestra’ que vc prometeu ontem… Queria passar pros meus alunos pq é exatamente a discussão que estamos fazendo!! :)

Bjus

16 10 2007
Laurinha

Ai, esse negócio nunca me registra certo!! Que droga… :P
Era eu acima.!

16 10 2007
alexprimo

Fábio, você tem razão, essa corrida pelo “furo” fazia sentido em uma época de poucos meios e concorrentes. Hoje a agilidade na cobertura e a variedade de opções de mídia cresceu tanto que o diferencial pode estar mesmo em quem cobre com maior profundidade e precisão.

Gabriela, adorei o verbete! Excelente ironia!

Paulo, então você foi cobrir um fato que não havia ainda acontecido??! Não dá nem para rir desse tipo de tragédia, né?

Laura, o mapa conceitual será publicado amanhã. Quero mudar a aparência e organização do mapa. Farei isso amanhã de manhã. Ei, que disciplina você está dando?

16 10 2007
Laurinha

Agradicida!!!
Ha!! Análise Crítica da Comunicação!… :P

17 10 2007
Roberto Tietzmann

Alô Alex!

Li no seu blog sobre a inconsistência entre a hora da morte do Paulo Autran no boletim e as notícias a respeito.

Quando estava em Curitiba semana passada, tive a mesma impressão. Inclusive fotografei a tela da Band News TV que, ali pelas 11h já estava dando essa notícia. Curiosamente, outros meios ou sites ainda não informavam nada.

Uma foto está no flickr. Confira!

17 10 2007
alexprimo

Que interessante essa tua foto, Roberto. Deve ter acontecido o mesmo que o Paulo relatou acima. Eles leram o Estadão e deram a notícia (falsa) em seguida.

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