Ética na criação de mailing lists e vírus social

31 03 2008

SpamTendo em vista um incidente que ocorreu neste fim-de-semana na lista de discussão da Compós, quero aqui discutir alguns procedimentos éticos no desenvolvimento de mailing lists.

Neste domingo, um relações públicas envia uma mensagem para a lista (também traduzida para o inglês!) com a seguinte informação:

É um prazer contar com seu endereço eletrônico em meu cadastro para envio de informações sobre eventos culturais, entre outros.

Respeitando a política anti-spam, solicito que responda a este e-mail caso deseje ser removido deste mailing com a palavra REMOVER no campo assunto.

Logo em seguida, diversas mensagens aparecem na lista com o título “REMOVER”. Outros tantos e-mails são enviados em protesto à prática daquele RP. Mesmo que o autor da mensagem inicial tenha voltado à lista para pedir desculpas pelo “transtorno”, a enxurrada de mensagens ainda prossegue.

Há muito tempo se discute, principalmente na Europa, quais seriam as boas práticas para a criação e assinatura de newsletters. Existem dois procedimentos básicos para a sua criação (veja os sub-tipos aqui):

  • Opt-in: o internauta deliberadamente solicita a assinatura de uma newsletter. No caso do uso de um site para esse fim, a caixa para a seleção dessa opção deve vir desmarcada. Tal prática em sites que exigem algum tipo de cadastro garante ao internauta o direito de não assinar um serviço de forma desavisada;
  • Opt-out: os internautas são incluídos na lista de distribuição por uma empresa ou profissional interessado em divulgar suas informações. As pessoas que não tem interesse naquelas newsletters precisam entrar em contato para pedir a remoção de seus endereços eletrônicos. No que toca o preenchimento de cadastros em sites, o método opt-out já apresenta a caixa de assinatura marcada. O internauta precisa desmarcar essa opção se não deseja passar a receber a newsletter ou propagandas de “parceiros”.

Do ponto de vista de quem produz as newsletters, todas as pessoas que ele incluiu no mailing list devem ter interesse em suas informações. Por outro lado, ele dirá que as pessoas insatisfeitas com o serviço têm o direito de solicitar o cancelamento da assinatura. Mas, pergunto, quem lhe deu o direito de cadastrar os endereços eletrônicos de todas aquelas pessoas, para quem ele passa a “empurrar” todo o tipo de informações? Nesse sentido, mesmo que o produtor da newsletter possa insistir que têm uma política anti-spam, o envio não solicitado de uma newsletter, mesmo que apenas em uma oportunidade, já se configura como prática de spam.

V�rusAlém de não ter seguido os procedimentos éticos da criação de uma newsletter (mesmo que se diga que aquele RP tenha incluído o endereço da lista da Compós de maneira inadvertida), ele desencadeou um processo que muitos chamam de “vírus social”.

Todos sabemos que um vírus de computador é um pequeno programa que prejudica o desempenho da máquina. Por outro lado, a prática do envio de e-mails seqüenciais acaba causando um problema equivalente. Ter de apagar sucessivos repasses de correntes, rumores e pedidos demandam tempo e fazem uso desnecessário da conexão à Internet. Ou seja, o vírus social se refere a uma prática que onera a rede e não um software maligno.

É justamente isso que vem agora acontecendo na lista da Compós. O envio de pedidos de remoção do endereço de e-mail solicitado pelo e-mail do RP exige que todos os outros assinantes recebam a mesma mensagem. Ou seja, sua prática spammer não apenas incluiu o endereço da lista de discussão da Compós (utilizando o modelo opt-out) como gerou um efeito de “vírus social”.





As imposições da tecnologia na indústria moveleira

26 03 2008

A perspectiva mcluhaniana defende que as tecnologias nos servem como extensões. Sabemos do suporte que as interfaces digitais oferecem para as atividades cognitivas. A ciberarte e o design digital há muito nos mostram como a informática permite a ampliação do potencial criativo. Por outro lado, Arlindo Machado (2001, p. 41), um dos principais estudiosos da comunicação, faz também um alerta:

Desgraçadamente, porém, essas mesmas máquinas e programas se baseiam, em geral, no poder de repetição, e são os conceitos da formalização científica o que elas repetem até a exaustão. A repetição indiscriminada conduz inevitavelmente a estereotipia, ou seja, à homogeneidade e à previsibilidade dos resultados. criatividadeA multiplicação, à nossa volta, de modelos pré-fabricados, generalizados pelo software comercial, conduz a uma impressionante padronização das soluções, a uma uniformidade generalizada, quando não a uma absoluta impessoalidade, conforme se pode constatar em encontros internacionais tipo Siggraph, nos quais se tem a impressão de que tudo o que se exibe tenha sido feito pelo mesmo designer ou pela mesma empresa de comunicação.

De fato, é interessante observar como a facilidade de uso de muitos recursos dos programas de criação gráfica acabam por determinar uma estética padronizada. Quando o Photoshop incluiu o efeito de sombreamento (drop shadow), muitos textos e logotipos passaram a ter “sombrinha”. Hoje, grande parte das animações tem aquele jeitão do software Flash.

Quarto moduladoEm fevereiro, aproveitei o intervalo de almoço para visitar as principais lojas de móveis modulados para reformar nosso quarto. Observei que todas as empresas utilizam o mesmo software (ProMob) e trabalham com MDF (provavelmente do mesmo fornecedor). Fiz projetos em todas as empresas que visitei, pude constatar que até o design era similar. Tendo em vista o processo industrial e a produção em série de modulados, a própria critatividade fica comprometida.

Também comprei algumas revistas especializadas. Nas fotos de ambientes projetados por renomados arquitetos, encontrei as mesmas linhas retas, impostas pelo linha produtiva, os mesmos gavetões e as mesmas texturas falsas. Sumiram as curvas! De Florense a micro-empresas de modulados, quase tudo se resume a disposição de caixinhas. Mudam os puxadores e dobradiças, mas os ambientes acabarão todos se resumindo a cantos retos, ao encaixe de placas de MDF.

Se o seu quarto também é modulado, provavelmente é muito parecido com o meu!





Um pouco da história da escrita colaborativa

23 03 2008

Autoria Coletiva

Como tinha comentado quando começamos a escrever a memistóriaPerseguindo Nisus“, a escrita colaborativa de ficções não é nada nova. Nem tampouco se inicia no suporte digital.

No mercado editorial brasileiro, por exemplo, o livro “Pega pra Kapput”, publicado em 1978, foi escrito coletivamente pelos escritores Josué Guimarães, Moacyr Scliar, Luiz Fernando Verissimo e pelo desenhist Edgar Vasques. Segundo Guimarães, “Cada um escreveu um capítulo. O manuscrito era remetido, por pombo-correio, a um companheiro (companheiro! Imagina se fossem inimigos!) para que o continuasse”. Pega pra KapputAlém de textos, o livro coletivo trazia algumas páginas no formato de histórias em quadrinhos, desenhadas por Vasques. Não havia um roteiro prévio e cada colaborador tinha total liberdade em continuar a história.

Páginas do Pega pra Kapput

Em sua tese de doutorado sobre escrita hipertextual, Raquel Longhi cita diversos antecedentes da escrita colaborativa. Uma das raízes mais lembradas é o processo literário dos surrealistas chamado de “cadáver estranho”, através do qual uma poesia, por exemplo, é criada através da escrita de versos por participantes que só podiam ver o trecho imediatamente anterior ao seu. No meio digital, Raquel destaca o trabalho pioneiro de Roy Ascott: “La plissure du texte“, de 1983. Este projeto foi construído por 14 autores, durante 3 semanas, dia e noite. Já no contexto educacional, um marco importante no uso da tecnologia digital para a criação de histórias colaborativas é o projeto Dickens Web, coordenado pelo professor George Landow (autor do referencial livro “Hypertext”). No Brasil, o projeto “A Lady e o Arminho” foi criado pelos alunos de um dos primeiros cursos sobre hipertextualidade no país, ministrado online por Marcos Palacios.

Muitos estudos e experiências também foram realizados com o uso de ficções em hipertexto digital no doutorado em Informática na Educação da UFRGS. A professora Margarete Axt conduziu uma dessas primeiras experiências, na qual 8 colaboradores criaram a história coletiva “Era uma vez…”. Em um artigo que reflete sobre a experiência, Axt et al (2001) comentam:

A cada novo acesso que se faz à narrativa, a sensação que se tem é de encontro com uma outra história: parágrafos inteiros foram colocados entre os que já haviam sido escritos agenciando novas conexões e dispersões; personagens aparecem e morrem, enquanto outros parecem ter ficado distantes; tempos e lugares se modificam rapidamente; perguntas que interrogam, reticências que convocam, descrições que surpreendem, acontecimentos que decepcionam. Tudo conduz a uma sensação indescritível de desorganização. É como se a história tivesse seguido seus próprios rumos, como se os personagens houvessem modificado, por sua própria vontade, toda a trama enquanto os autores dormiam.

Jodo Autoria

Este brevíssimo histórico do processo de criação colaborativa de histórias não pode deixar de mencionar o jogo “Autoria: o jogo de criar histórias”, criado pela escritora Sonia Rodrigues (filha de Nelson Rodrigues). O jogo funciona como um guia de estrutura narrativa, através de cartas e um tabuleiro.

Minha primeira experiência com ficções colaborativas foi em meu antigo site Espiral Interativa, há cerca de 10 anos. Na seção “Obra em obras” eu propunha algo muito parecido com a memistória. Na época, 2 histórias começaram a ser escritas (mas nunca foram terminadas): Uma viagem cibernética e Lágrimas de Anjo.

E você, conhece outras experiências pioneiras e interessantes nessa área? Em um post anterior, Suzana Gutierrez comentou seu projeto educacional Wikistórias. Vale a pena conhecer!

Bem, pretendo continuar esse assunto em um post futuro.





Interney Blogs na Compós: micromídia digital e encadeamento midiático

19 03 2008

Logo da CompósJá estão no ar os trabalhos aprovados para o XVII Encontro da Compós. Trata-se de um dos eventos nacionais mais importantes na área da Comunicação. Neste ano estarei apresentando no GT Cibercultura e Comunicação o artigo “Interney Blogs como micromídia digital: Elementos para o estudo do encadeamento midiático”. O trabalho pode ser acessado aqui ou no próprio site da Compós (viste a biblioteca de cada GT para acessar todos os textos).

Durante o texto, busco mostrar que os conceitos de broadcasting e narrowcasting não são mais suficientes para o estudo da estrutura midiática contemporânea. Nesse sentido, utilizo a tipologia de Thornton (mídia de massa, mídia de nicho e micromídia) para o estudo dos blogs. Ao reconhecer a especificidade dos blogs independentes em relação a outras formas de micromídia, como fanzines e rádios livres, sugiro que aqueles fazem parte de uma sub-categoria: micromídia digital.

Logo do Interney BlogsPara o debate sobre quando blogs são mídia de nicho (ou mídia segmentada) ou micromídia digital, discuto as interações nesses espaços através do conceito de contrato de comunicação de Charaudeau. Mas, para essa argumentação não ficar muito abstrata (!), faço uma análise empírica sobre o condomínio de blogs mais conhecido do Brasil, o Interney Blogs.

Após questionar a simplista oposição entre blogs e mídia de massa (update: no sentido de que os primeiros nos salvariam definitivamente das corporações midiáticas. Claro, blogs nunca serão massivos!) e apontar o uso de blogs/programa por indústrias culturais (como o Bloglogs da Globo), eu proponho uma discussão sobre o que chamei de “encadeamento midiático”. Ou seja, a inter-relação entre os diferentes níveis midiáticos. Durante essa argumentação, busco demonstrar a intertextualidade existente entre os níveis massivo, de nicho e micromidiático. E, claro, relato como os blogs de micromídia digital analisam temas encontrados na mídia tradicional, e como eles também pautam notícias nos veículos de grandes corporações. Finalmente, aponto como a própria micromídia digital pode retroalimentar as indústrias culturais hegemônicas.

Espero poder explicar tudo isso melhor em futuros posts. Por enquanto, fica a dica de visitar as páginas dos GTs e conhecer o que será discutido no Encontro da Compós, que será realizado em São Paulo, entre 3 e 6 de junho.

Em tempo: aproveito para agradecer a participação dos blogueiros do Interney Blogs na pesquisa. Agradeço também a mestranda Sandra Bordini que me ajudou na análise da propaganda veiculada naqueles blogs.

UPDATE: Meu artigo sobre o Interney Blogs foi eleito, durante a realização da Compós 2008, o segundo melhor trabalho apresentado no GT de Cibercultura. Agradeço os votos dos participantes e a organização da Compós pela menção honrosa.





Onde se esconde o inédito?

17 03 2008

Este post é inspirado pela campanha do Edney Souza, do Interney Blogs, pelo que chama de “Blogagem inédita” (vale também ler este post que deu origem à proposta).
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É possível ser inédito hoje? Onde o ineditismo se esconde? É possível encontrá-lo seguindo os mesmos caminhos já trilhados por outros aventureiros? Ouvi dizer de alguns desbravadores que tão logo avistaram o inédito ele se transmutou e mudou seu domicílio.

Esta busca corre por todos os lados: na literatura, na música, na academia. Roqueiros e poetas, coreógrafos e doutores…todos em busca do surpreendente, do sensível imprevisto e até mesmo do velho reconfigurado. Sim, pois uma releitura criativa pode inspirar um sem número de novas leituras.

Duchamp produziu algo inédito?Dizem os manuais jornalísticos que um cachorro que morde alguém não é notícia. Mas se alguém morde um cão, aí sim se tem um fato noticioso. Da mesma forma, será que precisamos morder cachorros por aí para deixaramos nosso nome no hall da criatividade? De que raça seria o cusco que Einstein mastigou? E Charlie Parker, será que a causa de sua morte prematura seria raiva contraída de um cachorro de rua?

Suspeito que criação rime com informação. Este é o mantra que repito em minhas disciplinas de projeto gráfico: “sem informação, não existe criação. Sem informação, não existe criação”. O inédito também deve rimar com leitura, ir ao cinema, ouvir MP3, navegar pela rede. De outra forma, de onde viria o vocabulário da inovação? Vejam só! Informação também rima com inovação. E não me venham com a famosa crise da folha em branco. Sofrem com ela apenas os preguiçosos e desinformados. Nenhum papel ou arquivo digital permanece pálido diante de uma mente agitada.

Enfim, basta escrever, escrever, escrever; pintar, desenhar, rabiscar; canta, tocar, arranhar? Mais cedo ou mais tarde o inédito surgirá surpreendendo? Os cemitérios estão cheios de artistas, acadêmicos e jornalistas que morreram de exaustão. E para seu desgosto eterno, muitas celebridades por aí conquistaram a fama sem nunca terem dito nada.

Também é triste saber que não somos o marco zero de nossas falas. Muito do que pronunciamos resgata o que já foi dito outrora. Somos atravessados por discursos, ouvimos vozes do passado e as repetimos. O que digo vem acompanhado de tantos outros dizeres. Neste post, por exemplo, percebe-se rapidamente as marcas de Foucault e Bakhtin. Mas uma análise mais cuidadosa de meu teclado encontrará muitas outras digitais.

Isto é criativo?Não desanimemos. Em nossa geração muitos terão encontrado o inédito. Nos deixarão nos mordendo de inveja (ei, deveríamos estar mordendo cães): como não pensamos nisso antes? Esses caras terão nos mostrado que o ineditismo pode brotar da mistura, da bricolagem, de uma receita que ninguém tinha experimentado. O novo também pode brotar do acréscimo de um tempero diferente.

Mas ninguém acorda em uma segunda-feira e diz: vou ser o mais criativo do dia da “blogagem inédita”! Bem, melhor me dirigir a um canil e ver o que consigo por lá.

De toda forma, não existe hora nem época para se esbarrar no inédito. É, parece que ele nos dá um encontrão inesperado. Mas quem já foi de encontro a ele confessou que já estava em seu encalço. Outros, porém, seguem atrás dos intrépidos, perseguem as picadas já abertas. Assim, não conseguem nunca achar o que já foi achado. E atrás desses ainda vem os que copiam as trilhas e vendem reproduções mais em conta das descobertas. Não poderia ser diferente. O ineditismo é tentador. Se por um lado nos encanta por suas novas cores, ele cega a tantos outros que o perseguem com pincéis gastos de tinta barata.





Você, blogueiro amador, ganha dinheiro com publicidade?

14 03 2008

O Google AdSense popularizou a publicidade. Qualquer blogueiro amador pode veicular anúncios sem precisar correr atrás de patrocinadores. Por outro lado, com a intermediação do Google, não existe a pressão de anunciantes sobre o conteúdo veiculado.

O sistema de links patrocinados também abriu as portas para micro-anunciantes. Se você quer vender sua coleção de revistas Mad, mas não tem grana para para anunciar, pode criar uma campanha no Google AdWords com um orçamento de apenas um real diário.

E, você, blogueiro amador, veicula publicidade em seu blog? Vale a pena? Já teve algum ganho significativo? Ou você está apenas enchendo seu blog de anúncios, numa expectativa de lucro que jamais se realizará?

Cartum Problogger

PS: Outros cartuns divertidos como esse podem ser encontrados no blog Nadaver.





Memistória: Perseguindo Nisus – episódio 1

10 03 2008

Logo memistóriaNisus mal podia acreditar no que estava vendo no monitor. Suando frio, faz logout de sua conta e sai correndo da lan house. O estagiário tenta sem sucesso alcançar Nisus: “Ei, moço, o senhor não pagou”. Ao parar no meio da rua, e antes de conseguir xingar aquele estranho cliente, percebe que do outro quarteirão surge um homem de casaco amarelo que também corre na mesma direção.

Percebendo que está sendo perseguido, Nisus pula o muro de uma escola, atravessa o pátio onde os estudantes aproveitam o recreio e finalmente alcança a rua paralela. Mesmo cansado, consegue tomar o ônibus que acabara de passar por ali.

Pouco depois de pagar o cobrador, avista o homem de casaco amarelo, vindo da porta oposta, atravessando o corredor do ônibus em sua direção.

***

A continuação desta memistória poderá ser encontrada no blog ius communicatio, de Gabriela Zago. Para saber mais sobre o que é memistória e como participar, veja estas instruções.





O que é memistória e como participar?

10 03 2008

Logo MemistóriaChamarei de memistória um processo de escrita coletiva em que uma ficção é escrita colaborativamente entre blogs. Cada participante escreve um post com uma pequena parte da história. Após escrever um trecho, o blogueiro indica em qual blog (ou em quais blogs, no caso de bifurcação da história) a ficção continua. Além de uma prazerosa e criativa atividade, ganha-se uma oportunidade de conhecer diferentes blogs.

Veja a seguir um passo a passo de como criar e participar em memistórias:

  • o primeiro blogueiro escreve a introdução da história e cria um título indicando o número do episódio (ex.: Memistória: Exemplo de título – episódio 1);
  • logo após, escolhe um amigo que possua blog e lhe escreve informando que ele foi selecionado para continuar a trama;
  • o primeiro, termina seu post indicando o link (e posteriormente o permalink) do blog onde a continuação da história pode ser encontrada;
  • o blogueiro seguinte deve fazer o mesmo: entrar em contato com um novo participante e indicar o local do novo episódio da história;
  • os leitores podem incluir comentários pedindo para ser incluídos na história. Por outro lado, se alguém imaginou outro desenrolar para a trama, pode avisar na interface de comentários que bifurcou a história e escreveu uma continuação alternativa em seu próprio blog (devendo informar, claro, o permalink de seu texto). Nestes casos, o autor do trecho que foi bifurcado deve incluir referência aos caminhos alternativos ao final de seu post;
  • ao final de cada texto escrito, é importante incluir um link para o primeiro episódio, para que os novos leitores possam acompanhar a história desde seu princípio.

Você já deve ter participado da criação de outras histórias colaborativas (talvez até em uma mesa de bar, onde cada pessoa escrevia uma frase em um guardanapo). Se esse for o caso, já deve saber quão divertida é essa prática e como a história pode ganhar encaminhamentos surpreendentes em cada rodada. E nada melhor usar que blogs para este processo de escrita coletiva de hipertextos (leia mais sobre o tema aqui).

***

Blogs vêm sendo usados para ficções seriadas. Como sabemos, estas interfaces se prestam muito bem para uma variedade de gêneros textuais, não apenas para a escrita de textos auto-reflexivos. Pela rapidez com que os posts são escritos e interligados uns aos outros, o uso de blogs/programa facilita sobremaneira a produção de ficções hipertextuais colaborativas; principalmente do que chamo de escrita coletiva de hipertextos colagem.

O neologismo memistória (meme+história) busca fazer referência à atividade lúdica de disseminação de conteúdos em blogs, as chamadas “memes”. Ou seja, uso o termo no que se refere a esse “jogo” da blogosfera, já que discordo da teorização sobre o conceito de Dawkins, impregnado de um determinismo biológico que naturaliza os processos sociais.





Pós/Vida 7: Deadlines são um terror

10 03 2008

Todo acadêmico sabe o terror que é lidar com deadlines para envio de projetos, relatórios e artigos para congressos. Sem falar na entrega da dissertação e tese que ainda está assobrando muitos mestrandos e doutorandos nesta época. Como nos últimos meses muitos de nós estiveram de férias correndo atrás do tempo para entregar seus trabalhos, esta história é em homenagem a estes atrasados bravos pesquisadores.

Pós/Vida #6

Estrelam este sétimo episódio do Pós/Vida Wagner da Rosa (no melhor papel de sua carreira) e suas lindas filhas Verônica e Eleonora.





Usos do Twitter para redes sociais e para…plantas!

6 03 2008

Twitter

Talvez um dos slogans mais imprecisos da Web 2.0 seja o do Twitter. “O que você está fazendo” pode ainda representar seu objetivo inicial. Mas a interface é hoje usada para os mais diferentes fins. Até para plantas avisarem que precisam ser regadas. “Hein?” Calma, eu chegou lá.

Se você ainda não sabe o que é Twitter e como funciona, veja o vídeo abaixo.

O uso do Twitter como, digamos, micro-narrativas da história pessoal se ajusta no que vem sendo chamado de lifestreaming (veja aqui outros serviços). Ou seja, um registro das atividades cotidianas de alguém. “Mas, como as plantas podem usar o Twitter para lifestreaming???” Calma, já disse que chegarei lá.

Se você ainda não se deu conta do poder desse tipo de interface para o desenvolvimento de redes sociais na internet, veja este outro videozinho bacana sobre como a sociabilidade em rede pode ser mediada por serviços da Web 2.0:

Mesmo que o vídeo fale apenas do Linkedin, Facebook e MySpace (e nem lembre do orkut), o Twitter passou a fazer parte do modo como as pessoas interagem em rede na internet. Portanto, seria um erro pensar apenas naqueles sites quando se fala em redes sociais online. Estas redes não se prendem a apenas um serviço da Web 2.0. No Twitter (como também no Pownce, Flickr, Netvibes e tantos outros) você também pode cadastrar seus amigos e contatos para manter a interação com eles.

Como gosto de repetir, os “fluidos conversacionais” (veja mais sobre isso aqui) escorrem por diferentes interfaces e em diferentes momentos. Um diálogo pode ter ínicio no Twitter, prosseguir em um blog e “escorrer” para o MSN. Dessas conversações dependem como os relacionamentos se tornam mais ou menos íntimos, intensos, recíprocos, etc (sobre relacionamentos em rede escrevi este e este artigos).

O Twitter, contudo, não é apenas mais uma interface para lifestreaming e interações em rede. Diante disso, o blog doshdosh listou 14 usos do Twitter (depois vou acrescentar o uso por plantas!):

  • branding pessoal – estabelecimento de uma imagem na rede social (uma persona Twitter);
  • feedback – trata-se de uma ótima interface para receber opiniões e sugestões sobre projetos em andamento;
  • contratação de pessoas – novos funcionários ou serviços terceirizados podem ser prospectados através da disseminação de informações sobre a abertura de vagas ou do pedido de recomendações;
  • atração de tráfego – links distribuídos no Twitter podem gerar tráfego adicional para diversos sites;
  • leitura de notícias – o Twitter vem sendo cada vez mais usado por empresas de comunicação, organizações e até mesmo congressos para a distribuição de notícias, mantendo os assinantes atualizados sobre as últimas novidades;
  • novas amizades – o serviço facilita o encontro de pessoas interessantes, permitindo que se acompanhe tudo o que ela publica, além, claro, de oferecer um canal direto para o diálogo;
  • busca de benefícios na rede – o networking pode gerar não apenas a formação de comunidades de interesses como também vantagens profissionais;
  • lista de coisas a fazer – a marcação de mensagens (para si mesmo!) como favoritos podem ajudá-lo a lembrar do que precisa ser feito;
  • gestão de equipe – o Twitter pode facilitar a coordenação e o trabalho de equipes;
  • notificação de consumidores – o feed do serviço pode ser usado para avisar clientes quando novos serviços são lançados;
  • tomar notas – a interface pode ser usada como um bloco de notas de idéias para referência posterior, usando inclusive dispositivos móveis;
  • lembrete de evento – envio de avisos de mudanças no planejamento;
  • prospectar novos consumidores – clientes em potencial podem ser atraídos estrategicamente através da publicação de mensagens que valorizem indiretamente uma empresa ou produto;
  • cobertura ao vivo – pequenas notas ou comentários em tempo real de eventos em andamento;
  • análise e gestão do tempo – registro do que se faz a cada dia para análise futura de quanto tempo se gasta em cada atividade;
  • marcação de reuniões – maneira informal para marcar encontros;
  • buscar votos – o Twitter pode ser útil para incentivar amigos a votarem em notícias publicadas em sites colaborativos como o Digg.

Como ligar sua planta no TwitterDepois dessa longa lista de usos do Twitter, não posso deixar de dizer que ela está incompleta. Nada foi mencionado sobre o uso do serviço por vegetais!!! Sim, você deve ter lido este grande post apenas para saber como sua samambaia pode entrar em contato com você.

Então… seus problemas acabaram! O site Botanicalls Twitter publicou um passo-a-passo de como sua planta pode lhe avisar que precisa ser regada. O site publica todas as instruções sobre o material necessário, como todo equipamento e a planta devem ser conectados e ainda oferece o código-fonte a ser instalado.

Ah, esse Twitter…sempre nos surpreendendo! E você, conhece outros usos?