Livro leva casal para jantar

27 06 2008

Para não dizerem que não publiquei nada nesta semana, vejam abaixo o que encontrei por aí na Web:

Compre meu livro e vá jantar!Pois é, o romântico paulistano que comprar meu livro ainda no mês de junho poderá levar alguém que ama para um jantar no Terraço Iália.

Confesso que fiquei surpreso com essa curiosa promoção! Recomendo apenas que os contemplados não levem o livro para o restaurante…





O que restou do atribulado flerte entre o garanhão Microsoft e a donzela Yahoo?

17 06 2008

Microsoft X Yahoo Pois não é que no final da semana passada ficamos sabendo de mais uma investida da Microsoft em sua inglória corrida atrás do Yahoo? Durante toda essa história, digna de uma novela mexicana, as ações do Yahoo caíram, investidores ficaram furiosos e até altos executivos pularam fora da empresa em busca de novas aventuras. Eis que, enquanto as investidas do garanhão prosseguiam, um romance paralelo acabou se concretizando entre Yahoo e o “come-quieto” Google. Mesmo assim, tem gente achando que a novela ainda não terminou e que o garanhão Microsoft voltará ainda mais sedutor. Mas já se sabe que a Microsoft sentiu o gosto amargo da traição. Sem suportar o ar vitorisoso do concorrente, já pensa em se vingar.

Mas o que se aprendeu durante todo esse dramalhão? Primeiramente, ficou claro que o Yahoo precisa urgentemente de uma reestruturação. Apesar de seu pioneirismo na Web, a empresa deixou o Google ganhar terreno em muitas áreas de sua atuação. Não estou nem falando do mecanismo de busca, onde o Google realmente venceu por sua competência e inovação. O Yahoo foi perdendo sua primazia em serviços como webmail e portal personalizado. Enquanto o MyYahoo permanecia estagnado, fortaleciam-se o Google Calendar, contatos do Gmail, Google IG, Google News,Google Reader, etc.

Além disso, ficou claro que o Yahoo perdeu o foco pelo caminho, mantendo uma infinidade de serviços, muitos deles redundantes. Diante de tudo isso, a imagem imaculada do fundador Yang sai enfraquecida.

O mais divertido é observar a Microsoft esperneando. Creio que a gigante do software se deu conta que seu modelo de negócios está com os dias contados. Vender software em caixinhas em breve vai parecer muito antiqüado.

Novas distribuições Linux vêm se tornando finalmente mais fáceis de usar. Mesmo assim, a inércia privilegia o Windows e o Office. Em outra frente, contudo, a Apple deve conquistar uma maior fatia do mercado, usando o iPhone como sua vitrine de usabilidade. Mas a Apple e Linux são oponentes antigos.

O que mais assusta a Microsoft é o aparecimento de programas online como Google Docs. Até a própria Adobe, outra gigante da indústria de software, já entrou no mercado de programas online com o Photoshop Express. Ou seja, em um futuro não tão distante, esperar anos por uma nova versão bugada (como foi o caso do Windows Vista) vai parecer patético. Será sempre melhor poder contar com programas sendo atualizados todos os dias na rede.

Como a Microsoft nunca se deu muito bem na Web, suponho que a intenção de compra do Yahoo (de todo ele ou apenas uma parte) vai além da intenção de lucrar com propaganda online, que subsidia os serviços gratuitos na rede. Quem sabe eles não estão atrás de um know-how que não possuem, o de atuação no mercado de serviços online? Se eles não se mexerem, vão ficar na arquibancada assistindo a lenta e gradual mostra de produtos do Google. E, quem sabe, o famoso sistema operacional do Google?





Notícias acadêmicas: Intercom e Compós

13 06 2008

O congresso da Intercom de 2008 será realizado na bela cidade de Natal. A boa notícia é que o prazo de submissão de trabalhos foi prorrogado para o dia 5 de julho. Para quem estava sem dinheiro para a inscrição prévia ou sem tempo para finalizar o artigo, essa prorrogação veio em boa hora!

Como neste ano assumi a coordenação do Núcleo de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação, quero convidar você que estuda questões da cibercultura para submeter seu artigo inédito para esse NP. As instruções para envio de artigos e pagamento da inscrição prévia podem ser encontradas na chamada de trabalhos.

Logo da CompósCom relação a outro congresso da área recém ocorrido, a Compós 2008, a lista dos 3 melhores trabalhos eleitos em cada GT foi divulgada no site da associação.





Fakeland: uma rede social de monitoramento do desejo para fins mercadológicos

10 06 2008

Fakeland é uma das redes de relacionamento que mais cresce hoje em número de participantes e que vem oferecendo os maiores índices de lucratividade. Mas de onde vem tamanho sucesso? Os empresários da d.Zire Inc. desenvolveram o projeto ao lerem sobre o crescimento de perfis fake em sites como orkut, Facebook e MySpace. Como investidores, perceberam que se existe tal padrão poder-se-ia lucrar com um serviço mais adeqüado a essa demanda. Por sua formação em psicologia, logo concluíram que um perfil ou avatar fake não é sinônimo de falsidade. E, conhecedores dos processos de consumo em rede da contemporaneidade, identificaram o potencial interesse de diversas indústrias por dados e perfis que poderiam ser coletados através da interação entre fakes.

A partir dessa avaliação, fundaram uma nova linha de atuação na Web 2.0, que chamaram de Desire Management. Esse pomposo nome se refere ao monitoramento da manifestação do desejo em uma rede de relacionamentos online dedicada a fakes, com fins de oferecimento de produtos e serviços segmentados. Para o delineamento estatístico de perfis padronizados seria preciso confrontar os dados coletados no site Fakeland com perfis da mesma pessoa em outro serviço. Para tanto, fizeram uma parceria com um grande portal da Internet. Para a criação de um avatar fake na rede 3D é preciso logar-se com o mesmo username daquele megaportal. Assim, as informações já reunidas anteriormente (como gênero, idade, entre outras), podem ser confrontadas com os detalhes da criação do avatar pela mesma pessoa. A partir desse contraste de dados, os empresários da d.Zire Inc. defendem que podem prospectar manifestações do desejo.

Quando um homem cria para si um avatar de uma morena de grandes seios, esse perfil fake pode ser comparado com seus dados originais. Os desenvolvedores do Fakeland trabalham com a idéia de que essa seria a mulher idealizada pelo interagente. Por outro lado, ao recriar seu avatar como um homem forte e careca, essa configuração também revela como ele vê o universo masculino. Ou seja, mesmo que o personagem seja uma criação ficcional, suas características baseiam-se em uma visão de mundo. “Não se pode sonhar com o que não se conhece”, afirmou um dos Analistas de Desejo da d.Zire Inc.

A empresa garante na licença de uso do serviço que nenhum nome ou e-mail será vendido para terceiros. Contudo, para que se possa interagir no site 3D é preciso aceitar que os perfis genéricos traçados nas configurações dos avatares possam ser utilizados pela d.Zire Inc. para a delimitação de quais propagandas serão mostradas no site e que as tendências identificadas nas redes sociais estabelecidas (desire trends) possam ser negociadas com outras empresas.

Como era de se esperar, as primeiras empresas interessadas em anunciar no Fakeland foram fabricantes de lingerie e sex shops. Porém, a indústria de moda, de cosméticos e de literatura de auto-ajuda foram as que identificaram o potencial de uso dos relatórios de desire trends. As empresas desses setores vêm agora criando novos produtos em virtude de uma precisa identificação dos padrões de desejo dos sujeitos pós-modernos.

Enquanto se debate em congressos a visão trivial sobre o desejo desses psicólogos americanos e as questões éticas envolvidas no contraste das informações fornecidas, Rupert Murdock e Microsoft brigam pela compra da d.Zire. Inc.

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Esta é uma ficção baseada em discussões promovidas pelo excelente trabalho de Fernanda Bruno, apresentado na Compós 2008. Em eleição dos 3 melhores textos do GT Cibercultura, ele foi premiado como o melhor do ano (aproveito para agradecer os votos que colocaram meu texto em segundo lugar!). Os trabalhos originais podem ser encontrados aqui:

Vale a pena também ler o trabalho “Unraveling the Taste Fabric of Social Networks“, de Hugo Liu, Pattie Maes, Glorianna Davenport, sempre citados por Henrique Antoun nos debates da Compós sobre vigilância e controle na internet.