Pois não é que no final da semana passada ficamos sabendo de mais uma investida da Microsoft em sua inglória corrida atrás do Yahoo? Durante toda essa história, digna de uma novela mexicana, as ações do Yahoo caíram, investidores ficaram furiosos e até altos executivos pularam fora da empresa em busca de novas aventuras. Eis que, enquanto as investidas do garanhão prosseguiam, um romance paralelo acabou se concretizando entre Yahoo e o “come-quieto” Google. Mesmo assim, tem gente achando que a novela ainda não terminou e que o garanhão Microsoft voltará ainda mais sedutor. Mas já se sabe que a Microsoft sentiu o gosto amargo da traição. Sem suportar o ar vitorisoso do concorrente, já pensa em se vingar.
Mas o que se aprendeu durante todo esse dramalhão? Primeiramente, ficou claro que o Yahoo precisa urgentemente de uma reestruturação. Apesar de seu pioneirismo na Web, a empresa deixou o Google ganhar terreno em muitas áreas de sua atuação. Não estou nem falando do mecanismo de busca, onde o Google realmente venceu por sua competência e inovação. O Yahoo foi perdendo sua primazia em serviços como webmail e portal personalizado. Enquanto o MyYahoo permanecia estagnado, fortaleciam-se o Google Calendar, contatos do Gmail, Google IG, Google News,Google Reader, etc.
Além disso, ficou claro que o Yahoo perdeu o foco pelo caminho, mantendo uma infinidade de serviços, muitos deles redundantes. Diante de tudo isso, a imagem imaculada do fundador Yang sai enfraquecida.
O mais divertido é observar a Microsoft esperneando. Creio que a gigante do software se deu conta que seu modelo de negócios está com os dias contados. Vender software em caixinhas em breve vai parecer muito antiqüado.
Novas distribuições Linux vêm se tornando finalmente mais fáceis de usar. Mesmo assim, a inércia privilegia o Windows e o Office. Em outra frente, contudo, a Apple deve conquistar uma maior fatia do mercado, usando o iPhone como sua vitrine de usabilidade. Mas a Apple e Linux são oponentes antigos.
O que mais assusta a Microsoft é o aparecimento de programas online como Google Docs. Até a própria Adobe, outra gigante da indústria de software, já entrou no mercado de programas online com o Photoshop Express. Ou seja, em um futuro não tão distante, esperar anos por uma nova versão bugada (como foi o caso do Windows Vista) vai parecer patético. Será sempre melhor poder contar com programas sendo atualizados todos os dias na rede.
Como a Microsoft nunca se deu muito bem na Web, suponho que a intenção de compra do Yahoo (de todo ele ou apenas uma parte) vai além da intenção de lucrar com propaganda online, que subsidia os serviços gratuitos na rede. Quem sabe eles não estão atrás de um know-how que não possuem, o de atuação no mercado de serviços online? Se eles não se mexerem, vão ficar na arquibancada assistindo a lenta e gradual mostra de produtos do Google. E, quem sabe, o famoso sistema operacional do Google?


Essa linguagem tá legal! É o meu projeto: A Retórica do Título e o Polemismo: O desafio da conquista da atenção do público leitor no contexto da comunidade blogueira. Fizestes como manda o figurino… hehehe
Alex, discordo em alguns pontos. Vamos fora de ordem, mesmo.
Estou usando o Vista há um mês e pouco, sem qualquer indicativo de bug ou pau. Nesse meio tempo, já vi mais dois Macs travarem. Considerando que o Leopard já teve tela azul, não sei muito bem quem vai parecer mais patético, no futuro.
Sei que isso foi uma generalização forçada, mas mesmo assim não dá pra ignorar usuários tech-savvy como eu nessa história. No caso, já tentei migrar pra Linux 3 vezes, falhando miseravelmente em todas elas. Sempre eram coisas ridículas que simplesmente não funcionavam, como o gerenciador demente de wi-fi do Feisty Fawn (considerada a melhor distribuição de Linux ever).
Não entendi essa parte. Desktops não atualizam regulamente seus sistemas e aplicativos? Precisa ser web-based pra isso. Acho que os updates ridículos de 400mb do Leopard provam o contrário
Sobre toda a análise do Yahoo, não posso concordar mais. Depois de promissores com o webmail e o pipes, rapidamente estão virando um zero absoluto. Quem comprar provavelmente vai herdar algo do tipo um Lycos, que andou dando preju grosseiro por aí.
Ah, só mais uma coisa: acho que a Microsoft anda se mexendo, sim, para produção de softwares web-based. Toda a categoria Live está aí, seja boa ou ruim.
Abraço!
Puxa, levei mais de 24 horas para responder os comentários. Sorry!
Obrigado, Márcio. Mas o mais divertido é provocar os fãs da Micro$oft, como o Bruno hahahahaha!
Bruno, que beleza te ver por aqui de novo. Tudo bem, confesso que nunca usei o Vista (nem pretendo!). Eu estava me referindo às notícias que tenho lido sobre o sistema ser muito lento e tal. De toda forma, minha intenção não era aqui entrar em uma OS War.
Ao falar que a inércia priveligia o Office, quero dizer que é muito mais fácil usar programas que todo mundo usa do que ficar testando outras alternativas.
E quanto à atualização constante, discordo que os programas comerciais tenham tantas atualizações como serviços da Web 2.0 (e por isso a slogan de “beta eterno”). Ninguém precisará esperar pelo Google Docs 2.0, pois ele vem melhorando continuamente…todos os dias. Softwares comerciais, por outro lado, são lucrativos à medida que novas versões pagas são lançadas.
Mesmo tendo lançado há pouco tempo o Vista, a Microsoft já anuncia o Windows 7. A lógica, obviamente, é diferente da Web 2. Ah, e o projeto live da Microsoft me parece muito longe do que o Google Docs propõe.
Que achas de tudo isso?
Acho que a única investida de sucesso que a microsoft teve na web foi o msn. Digo msn – pq o hotmail é mto ruim. É bom lembrar tb a parceria Google/IBM. É, os caras estao desesperados.
Cláudia, eu ouvi em um podcast americano que o time original do Hotmail pulou fora, depois que a Microsoft o comprou. E, será que se a Microsoft finalmente conseguir comprar o Yahoo eles não vão acabar estragando o que há de bom por lá? A cultura corporativa da Microsoft é muito diferente daquela do Yahoo e Google.
Alex,
Lendo o post e os comentários vejo que todos têm um pouco de razão, pois o futuro disso tudo é um tanto incerto. Gosto de pensar que o software pago está com os dias contados, no entanto é bem essa força que mencionas – todo mundo ainda usa Windows. Generalizo porque a maioria das escolas, universidades e governos utilizam os sistemas da Microsoft e com isto acaba que os outros sistemas fiquem mesmo de lado. Mas, penso também que novos caminhos surgem com a Web 2.0, onde os sistemas passam a rodar online e a interface passa a ser a do navegador que todos estão habituados e nesse ponto a Google está anos luz à frente dos outros. Mas, enquanto os governos, escolas e instituições continuarem usando basicamente o Windows, dificilmente, serão substituídos. Espero que as interfaces online mudem este cenário. Seria bom para os consumidores.
Bem colocada por ti a questão da inserção do iPhone com sua interface inovadora, ainda mais aqui no Brasil em que os consumidores são loucos por “telefone” celular [não dá pra dizer que o iPhone é apenas um telefone]. Lembrando ainda que os modelos mais em conta dos computadores da Apple entraram na MP do Bem derrubando os preços pela metade em menos de um ano. Isto pode contribuir para a migração a uma nova plataforma depois que as pessoas perceberem no iPhone o quanto são legais as interfaces da Apple.
Entretanto, como dito no início, o futuro é incerto, quem arrisca uma previsão?
Alex,
Quanto aos rumores da venda do Yahoo, dá para acompanhar o blog do Pellanda. Ele está no Vale do Silício e olha o que ele escreve nesta postagem