Vem aí o novo relatório do Technorati sobre a blogosfera

31 07 2008

Uma das principais fontes de dados quantitativos sobre a blogosfera era publicada trimestralmente pelo site Technorati. O relatório State of the Web começou a ser publicado por Dave Sifry (fundador do Technorati) em outubro de 2004. Mas, desde que Sifry deixou de ser o CEO da empresa, nenhum novo estudo foi lançado depois de abril de 2007.

Eis que ontem recebo uma mensagem da equipe do Technorati me convidando para responder um questionário para o novo relatório que será lançado no final de setembro. Segundo informa o texto, o estudo não se baseará apenas nos dados quantitativos coletados pelo mecanismo de busca. Desta vez o estudo trará novos dados sobre padrões nos usos de blogs, a partir das respostas coletadas diretamente com blogueiros de todo o mundo.

O questionário online me tomou longos 20 minutos. Eu respondi 63 perguntas, sendo que apenas algumas não eram de múltipla escolha. Mas é possível que você responda um pouco mais ou um pouco menos, pois o instrumento de pesquisa é dinâmico: dependendo de suas respostas, o sistema apresenta certas questões e não outras. Achei interessante que após marcar as principais razões para blogar, uma página seguinte apresentava apenas as respostas que marquei, desta vez solicitando que eu as ordenasse por ordem de preferência.

Infelizmente não tenho como divulgar aqui o endereço da pesquisa, pois as URLs são únicas para cada blogueiro. Mas, se você está cadastrado no Technorati, suponho que em breve você receberá o mesmo e-mail (se é que ainda não recebeu).

Agora é esperar por setembro. Com certeza, o relatório será uma fonte muito importante para todos nós que estudamos blogs.

____________________

PS: Sim, estou de volta de férias. Espero agora conseguir retomar meu ritmo normal de blogagem. No semestre passado, em virtude de outros objetivos prioritários, minhas publicações acabaram perdendo o ritmo.





Lançado hoje, serviço MobileMe da Apple mostra a que veio

11 07 2008

Mantenha tudo em sincronia com o MobileMe

Depois de patinar mais de um dia na tentativa de colocar o MobileMe no ar, a Apple consegue finalmente provar que o que ela prometia era de fato verdade. Assim que consegui finalmente logar no sistema com minha antiga conta .Mac (que eu já gostava muito) aconteceu o que eu temia: fiquei absolutamente impressionado com a interface do serviço. Para ser mais específico, a usabilidade do MobileMe é de cair o queixo. Fiel a idéia da Web 2.0 em proporcionar uma interação muito próxima daquela que temos com programas instalados em um computador, a Apple dá um show de facilidade de uso.

Organize seu webmail arrastando e soltando mensagens em pastas

Organize seu webmail arrastando e soltando mensagens em pastas

No webmail, por exemplo, é possível selecionar várias mensagens e arrastá-las para uma pasta. Se a interface gráfica já era praticamente idêntica ao programa Mail da Apple (que uso em meu Mac e gosto muito), a experiência de uso ficou praticamente igual. É muito bom navegar em um mesmo ambiente conhecido, não importando se você está usando o webmail ou o programa instalado na própria máquina.

E tudo isso fica ainda melhor se você configurar o imap da conta me.com (apesar de continuarem funcionando, os endereços mac.com já foram convertidos para me.com). Através deste recurso, as mensagens que você apagou em um computador, não serão descarregadas em outro. Se você marcou uma mensagem com uma bandeirinha no webmail, ela também aparecerá marcada no desktop. OK, sei que muitos serviços de e-mail do mercado oferecem o imap. Mas talvez nenhum tenha uma interface tão dinâmica quanto a do novo MobileMe. E quem tem um iPhone pode agora contar com push mail. Ou seja, sempre que uma nova mensagem for recebida, ela automaticamente aparece no celular. Será o fim do Blackberry?

O calendário do MobileMe é também uma evolução frente aquele disponível no .Mac. Esse serviço também ficou incrivelmente parecido, no que toca a usabilidade, ao software iCal que vem pré-instalado em todos os computadores da Apple. Além de um visual bonito e limpo (marca da Apple em tudo o que faz), basta clicar em um horário e arrastar para que um novo compromisso seja agendado. Google Calendar, não tente fazer isso em casa! E, claro, tenha todos os seus dispositivos (móveis ou não) sincronizados. Agora vai faltar desculpa para chegar atrasado em uma reunião.

A agenda de contatos também dá show. Além da sincronização que já era possível nos tempos de .Mac, agora a interface online ficou até melhor que a agenda instalada nos Macs. Basta clicar em um endereço e…voilà: uma janelinha com uma mapa do Google mostra onde fica a rua.

Ei, peraí, onde você vai? Ainda não terminei. Não tive tempo ainda de falar que o iDisk, o disco virtual da Apple (que também já estava disponível no .Mac), também foi turbinado. Navegar na interface online, criar e apagar arquivos e pastas, e movê-los através de simples arrastar/soltar nos faz até esquecer que estamos usando uma página na Web. Se a Apple continuar assim, para que usar HD em notebooks e desktops? :-P

Além de tudo isso, o MobileMe oferece um linda galeria de fotos, que permite observar o conteúdo de um álbum sem ter de abri-lo (o efeito é realmente fantástico!), girar fotos, fazer slideshows, etc. Sim, é diferente do Flickr, mas impressiona em sua proposta e, claro, pela interface. Isso tudo é mais difícil de explicar. É melhor você ver este vídeo.

Já sei, você vai dizer que o Yahoo e Google também têm serviços similares. A Apple, contudo, nos ensina que uma interface online simples não pode significar falta de recursos e usabilidade pobre. Duvida? Crie uma conta para teste gratutio no MobileMe. Ah, você (ainda!) não tem um Mac? Sem problemas, você pode sincronizar informações em seu PC com Windows.

Logo do MobileMe

O MobileMe não é tão barato (99 dólares por ano), mas vale muito a pena. E quem usa Macs ainda pode sincronizar em todos os seus computadores e iPhone os bookmarks do Safari e configurações diversas (como o dock do desktop.





Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira

8 07 2008

Como membro da diretoria da ABCiber, reproduzo aqui a nota pública que estamos divulgando.

——-

A ABCIBER – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA, preocupada com o teor do Projeto de Lei Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo, que conjuga o PLC n. 89, de 2003, e os PLSs n. 76 e 137, ambos de 2000, e que tramita no Senado Federal para votação em breve, faz saber à sociedade brasileira e, em particular, às autoridades constituídas e à comunidade científica nacional o seu INTEGRAL APOIO, na forma da presente NOTA PÚBLICA, à carta-aberta de autoria dos Profs. Drs. André Lemos (UFBA) e Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero), membros do Conselho Científico Deliberativo desta Associação, conforme segue:

EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA

A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.

O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos softwares livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.

E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente,  “Educação e Carreira”, ou seja, acesso a sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência.

Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.

Se, como diz o projeto de lei, é crime “obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida”, não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por “cópia sem pedir autorização” na memória “viva” (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comuns dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do “blogging” na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!

Se formos aplicar uma lei como essa às universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa, já que ela progride ao “transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado”, “sem pedir a autorização dos autores”  (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.

O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos… Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum “dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular”?
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.

Por estas razões, nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários, apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara n. 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000 e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.

São Paulo, 07 de julho de 2007.

ABCIBER – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA

DIRETORIA
[Gestão 2007-2009]

Presidência
Eugênio Trivinho (PUC-SP)

Vice-Presidência
Theóphilos Rifiotis (UFSC)

Secretaria Executiva
Henrique Antoun (UFRJ)

Secretaria de Finanças
Alex Primo (UFRGS)

Diretoria Científica
Vinicius Andrade Pereira (UERJ)

Diretoria de Comunicação
Fernanda Bruno (UFRJ)

Diretoria Cultural
Simone Pereira de Sá (UFF)

Diretoria Editorial
Marcos Palacios (UFBA)

Conselho Fiscal
Francisco Rüdiger (PUC/RS)

Gilbertto Prado (USP)
Marco Silva (UERJ e UNESA)

CONSELHO CIENTÍFICO DELIBERATIVO (CCD)
[Gestão 2007-2009]

Adriana Amaral (UTP)
André Lemos (UFBA)
Diana Domingues (UCS)
Erick Felinto de Oliveira (UERJ)
Fátima Régis (UERJ)
Francisco Coelho dos Santos (UFMG)
Francisco Menezes Martins (UTP)
Gisela Castro (ESPM)
Juremir Machado da Silva (PUC/RS)
Lucia Santaella (PUC-SP)
Lucrécia D´Alessio Ferrara (PUC-SP)
Luisa Paraguai Donati (UNISO)
Othon Jambeiro (UFBA)
Rogério da Costa (PUC-SP)
Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro (UFRJ)
Sandra Portella Montardo (FEEVALE)
Sebastião Squirra (UMESP)
Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero)
Sueli Mara Ferreira (USP)
Suely Fragoso (Unisinos)
Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC)