Por que Lawrence Lessig ainda encanta falando as mesmas coisas? (Ecos do Digital Age 2.0)

7 10 2008

Lawrence Lessig (por Alexandre Fugita)

Pois é, o Digital Age 2.0 2008 trouxe para a abertura do evento ninguém menos que Lawrence Lessig. E adivinhe: ele deu praticamente a mesma palestra que vem ministrando há anos. E isso foi ruim? Claro que não!

Depois de já ter lido alguns de seus livros (destaque para The future of ideas: the fate of the commons in a connected world), ter escutado uma palestra inteira dele em um audiobook e não poder assisti-lo no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, eu não poderia perder essa oportunidade. Quando recebi o convite do IDG para assistir ao evento como blogueiro convidado, dei um jeito de trocar minha passagem já comprada para o Rio (eu palestrei no outro dia no Rio Info 2008).

A palestra de Lessig em São Paulo era praticamente a mesma que eu tinha escutado no audiobook. Mas com um grande diferencial: poder assistir a performance multimidiática do cara! Mas se ele vem basicamente remixando a si mesmo nos últimos anos, por que ainda encanta e provoca as platéias? Aqui vão algumas razões:

  • Como advogado americano, ele conhece muito bem o problema do qual trata;
  • Além de criticar o sistema de direitos autorais reservados (ainda que não queira o destruir), ele propôs um novo sistema de direitos, ainda mais flexível que o GPL: o Creative Commons. Ou seja, Lessig não se resume à crítica, mas apresenta propostas sólidas;
  • Suas apresentações em Keynote (claro, ele não usa Powerpoint!) são matadoras! Cada slide fica na tela apenas por alguns segundos. Por vezes, trazem apenas uma única palavra. Em outros momentos, mostra trechos de vídeos hilários do YouTube. Tudo em um timing perfeito. Dinâmico e didático ao mesmo tempo.

A palestra gira em torno do seguinte problema: com a mudança da tecnologia, muda o sentido do copyright. Ora, regulações que faziam sentido em um uma época podem não fazer em outra. Com a informática popularizam-se as formas de enviar informações para todo o mundo. Logo, como ainda insistir em paradigmas antigos já que com a tecnologia digital todo uso transforma-se em cópia? A partir disso, Lessig trata das conversações em rede e da criativa cultura remix.

Por outro lado, insiste que toda essa colaboração não enfraquece o mercado. Pelo contrário, cria novos valores. Como exemplo ele citou a compra do Flickr pelo Yahoo. O livre compartilhamento na rede gera novos modelos de negócios.

Ao final, depois de tanta polêmica nos últimos anos, ele provocou: “Sou um velho comunista tentando preservar o copyright na era digital”!
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Eu não poderia deixar de mencionar a excelente organização do evento, a qualidade das palestras e o atendimento carinhoso do IDG e da Rosa Arrais Comunicação.

Além de tudo isso, foi um prazer reencontrar amigos (como Daniela Bertocchi) e poder conhecer pessoalmente pessoas tão interessantes que já acompanhava na blogosfera: Edney Souza, Ricardo Cabianca, Tiago Dória, Juliano SpyerAndré Deak, e Pedro Markun. Mais uma vez pude testemunhar o clima de camaradagem que reina entre os blogueiros, essa gente que anda desbravando novos mundos e criando novas formas de trabalho e interações.


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5 respostas

7 10 2008
leonardopires

Fala Dom Alex!

Tô com um blog agora…
http://leonardopires.net/

:P

7 10 2008
leonardopires

Pois é… pior que quando eu escolhi, não lembrava q era o mesmo do teu…

Acho que foi inconsciente… mas fazer o quê… é o melhor do WordPress..

:P

7 10 2008
Andre Deak

Grande Alex, foi um prazer também conhecê-lo pessoalmente – como te disse, já tinha ouvido teus podcasts, todos, no carro. Quando é que sai o outro? abração! PS: belo post, é isso aí mesmo

9 10 2008
Ricardo Cabianca

Alex, já trocamos emails e já afirmei que seus textos “colaram” algumas idéias e reflexões, e é assim que funciona a web, uma forma colaborativa de distribuir informação e conhecimento.

Tbm foi muito bacana te conhecer pessoalmente e temos muito o que fazer pelo nosso mercado, concorda?

Gde abraço e até o próximo evento!

15 10 2008
Cleon Gostinski

Lessig é um visionário, como discutimos em nossa disciplina no semestre passado. Ele aborda as questões essenciais, enfocando os conteúdos em uma perspectiva direta não adotando posturas “politicamente corretas”.

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