A brasileira agredida não foi agredida. Hein?

20 02 2009

O caso da brasileira Paulo Oliveira, que alegou ter sido atacada por neonazistas na Suíca, movimenta a imprensa desde a semana passada. Não poderia ser diferente. Envolto em mistério e informações contraditórias, além das contra-acusações da polícia suíça, o caso tem todos os ingredientes para despertar a curiosidade da audiência.

No meio disso tudo, o G1 acabou ficando confuso. Veja a matéria abaixo. O texto, atualizado pela última vez ontem às 14h08, confunde tudo: “a brasileira agredida na Suíca” forjou “uma suposta agressão”. Logo, é correto referir-se a Paula como ”a brasileira agredida na Suíca”.

Uma agressão ao bom jornalismo?





O que “Don’t Click” e #pesquisapr nos ensinam sobre o Twitter como rede social

18 02 2009

A semana passada terminava. De repente, uma mensagem tomou conta do Twitter por estas bandas: “Don’t Click: http://tinyurl.com/amgzs6″. Claro, boa parte dos twitteiros não aguentou a curiosidade e clicou, caindo nesta página: http://www.umoor.eu/blog/yes-we-can.php. Ela trazia apenas um botão que, sejamos sinceros, avisava para não se clicar. Mais uma vez os curiosos (eu incluído!) clicaram. Logo em seguida, todos os seguidores desses curiosos (incluindo os meus!) receberam a mesma mensagem:  ”Don’t Click: http://tinyurl.com/amgzs6″. 

O dia 12 de fevereiro, quando eu mesmo cliquei no “Don’t Click”, marcou o estouro exponencial da disseminação da praga — como também o seu fim. Vejam o gráfico abaixo (Fonte: Cnet News).

 

 

Mas o que essa experiência de clickjacking pode nos ensinar sobre o Twitter?

Desta vez tudo não passou de uma brincadeira inofensiva. Veja aqui o relato do autor da pegadinha, onde ele conta que aprendeu o truque com outro exemplo que vinha se reproduzindo na rede há duas semanas. Mas, como eu já tinha comentado antes (apesar de não ter seguido meu próprio conselho), as TinyUrls podem esconder códigos com más intenções. Cuidado, don’t click! Ou melhor: Take care when clicking.

Lição 2: apesar da pegadinha inofesiva e do potencial risco envolvido, podemos mais uma vez constatar a força do Twitter como rede social. Não apenas pela rapidez com que o link se espalhou, mas também pela confiança que depositamos em quem assinamos. Eu cliquei no link por que ele foi enviado pelo Gilberto, meu orientando de mestrado. Ou seja, a rede se forma, se mantém e se dinamiza pelos laços mantidos entre seus participantes. Por outro lado, isso não quer dizer que somos máquinas clicadoras, que repassamos tudo o que recebemos. Se assim fosse, toda estratégia de marketing viral teria o sucesso esperado pelas agências. Nem tampouco podemos supor que a comunicação humana é a mesma coisa que uma transmissão viral.

Já esta semana começou com um debate sobre press release, organizado pela tag #pesquisapr. A proposta iniciou com a seguinte mensagem de rmacomunicacao: “Pesquisa rápida aqui no twitter! Conte o que vc pensa sobre o Press Release e use a tag #pesquisapr . RT, pf.” Essa provocação fazia parte de uma campanha de divulgação daquela agência. De toda forma, ela nos lembra que há muito tempo o Twitter ultrapassou sua proposta inicial (What are you doing?).

Não quero aqui comentar mais uma vez como o Twitter vem sendo usado para estratégias promocionais, blá, blá, blá. Quero destacar como um grupo de interessados conseguiu manter um debate encadeado apesar de interagirem em uma ferramenta muito distinta de um fórum.

A tag é um protocolo social que precisa ser aceito e utilizado pelos participantes. Através desse recurso e do mecanismo de busca Twitter Search a discussão se organiza e pode ser recuperada. Ou seja, mesmo que o projeto inicial do Twitter focasse o simples envio de informações sobre o seu cotidiano, conversações dinâmicas e aprofundadas (apesar dos 140 caracteres) podem ser mantidas através dessa ferramenta.

Apesar dos recursos limitados do Twitter, uma rede social pode manter sua coesão conversacional a partir de um encadeamento simbólico e por protocolos sociais, como o uso de tags. Em outras palavras, é a interação que dá forma à rede social, e não apenas o botão “follow”.





Kindle 2 é o iPod para livros

16 02 2009

Há muito tempo os futurologistas anunciam a morte do livro e a popularização dos e-books. Também muito se falou na morte dos livros e da literatura como a conhecemos com a emergência do hipertexto. Enquanto isso, a Livraria Cultura vai abrindo novas e maiores lojas pelo Brasil! Então, será que os e-books um dia ainda pegam? O Kindle 2, recente lançamento da gigante Amazon, é o primeiro concorrente sério.

Este dispositivo móvel é primordialmente focado na venda de versões digitais de livros. Através de poucos cliques, é possível pagar (menos) e baixar um livro em poucos segundos. Desde sua primeira versão, o aparelho também permite a compra e leitura de outros materiais, como revistas e jornais.

 

O Kindle 2 vem solucionar diversos bugs da primeira versão, como a inesperada virada de páginas, mesmo que o leitor não tivesse apertado nenhum botão. Mas o que me chamou mais atenção foi o cuidado com o design do produto. Ele é agora muito fino, tem cantos arredondados e botões suaves e bem posicionados. A versão anterior era obtusa, tinha um teclado estranho e diversos problemas operacionais.

 

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A primeira versão do Kindle, com bugs e cantos obtusos

Não ficaria surpreso em saber que Steve Jobs está morrendo de inveja. O Kindle 2 realmente parece um iPod para livros. Se esta nova versão é de fato uma bola dentro, podemos agora perguntar: conseguirá a Amazon revolucionar o mercado de livros, assim como a iTunes Store atualizou o consumo de música e vídeos? E representará o Kindle para a a leitura o que o iPod representa para a audição de músicas?

Do ponto de vista da interface e do hardware, o Kindle tem todas as chances. Infelizmente não sei quando terei acesso a um desses, mas pelo que pude ver a usabilidade é muito boa. O aparelho é leve, a tela tem excelente definição e pode ser bem visualizada em ambientes de alta luminosidade. No entanto, a tela ainda é monocromática. Certamente é uma questão de custo, mas uma próxima versão precisa incluir um monitor colorido. Mesmo que livros constem basicamente de texto preto em fundo branco, quem aceita hoje uma tela monocromática.

Achei bonito e delicado o visual dos botões do hardware, mas não sei ainda como respondem ao toque. No entanto, a interface gráfica parece um antiga. Veja abaixo como os botões se parecem com as primeiras versões do MacOS, ainda dos anos 80!

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Achei estranho também o efeito fade quando uma página é virada. Tudo bem, a placa de vídeo deve ser meio fraquinha! De toda forma, as possibilidades de marcar trechos, fazer bookmarks e anotações são muito bem vindas.

Todas essas características fazem do Kindle 2, em minha opinião, a primeira real chance de sucesso de um leitor de e-books. Muitos aparelhos anteriores já foram lançados no mercado, mas nenhum deles chegou a ameaçar a leitura dos bons e velhos livros de papel. A portabilidade, a elegância e a usabilidade do Kindle são realmente uma boa promessa.





O aluno não quer mais se sentar e ouvir

13 02 2009

Reproduzo abaixo minha entrevista que o jornal Zero Hora publicou ontem:

 

Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, Alex Primo sustenta que o mundo digital deu origem a um novo padrão de estudante, acostumado ao uso da tecnologia. Para se adequar a esse perfil, escolas e educadores devem rever suas práticas. Confira trechos da entrevista a ZH:

Zero Hora – Qual principal o impacto das novas tecnologias na vida do estudante?

Alex Primo – O acesso às informações. Antes, a educação era baseada no livro, e os livros eram prescritos pelos professores como a informação que devia ser estudada, onde estavam as respostas. Hoje, mesmo uma criança tem possibilidade de buscar as soluções na internet.

ZH – O que isso muda?

Primo – Constrói na criança o espírito da investigação. Não é o professor que entrega uma resposta pré-definida. Ela vai atrás para construir suas respostas.

ZH – É um novo aluno?

Primo – Sem dúvida. Antigamente, falava-se em ensinar. Hoje, é preciso ter preocupação maior com a educação, como um processo global para a aprendizagem e para a produção ativa. O aluno não quer mais se sentar e ouvir, porque ele está acostumado a produzir por meio das novas tecnologias.

ZH – Isso exige uma adaptação na maneira de dar aula?

Primo – Demanda-se um maior dinamismo nas aulas e a valorização da expressão multimídia: usar fotos, sons, textos em blogs para os estudante poderem valorizar aquela linguagem que eles conhecem. Se não se fizer isso, fica um hiato muito grande entre linguagem do aluno e do professor.

ZH – Os jovens de hoje têm menor capacidade de concentração?

Primo – Uma vez escutei que havia professores que ensinavam em blocos de 15 minutos e contavam uma piada, para seguir o ritmo da televisão. Agora, percebemos uma mudança, as pessoas se afastando da TV e indo para o computador, onde a dedicação é total. Ficam horas no computador. A diferença é que hoje se navega em muitas janelas ao mesmo tempo. O jovem conversa, navega, vê vídeos, tudo ao mesmo tempo. Então, é uma concentração fragmentada.

ZH – A internet estimula a cópia de trabalhos?

Primo – O plágio, a cola da enciclopédia sempre existiu. Eu lembro de fazer isso quando criança, vários alunos copiavam informações das enciclopédias, o professor recebia muitas cópias e nem se dava conta. Não é um problema novo, da internet. O interessante é que o aluno comece a reconhecer a importância da consulta às fontes e de valorizar a autoria, não minimizar a importância da busca de informações e citações.





A Associated Press vai processar este blog

11 02 2009

Depois de um bom período de férias (praia, descanso, palestra no Campus Party), este blog vai voltando lentamente ao seu ritmo.

Enquanto isso, ofereço aqui minha contribuição para que a Associated Press continue fazendo notícia. Pois não é que ela processou o desenhista-stakista-empresário Shepard Fairey por ter feito um cartaz inspirado em foto de sua propriedade? Impressionado com essa atitude, apresento abaixo o meu próprio mashup. Se a Associated Press, Andy Warhol e os próprios Obama e Fairey (!) quiserem me processar, por favor usem o formulário de contato deste blog.

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Ei, faça você também seu mashup, remix, sua cópia ou releitura, um plágio ou homenagem da imagem da Associated Press! Quem sabe ela para de querer virar notícia! Ou, ainda melhor, você vira notícia!

UPDATE: preciso reconhecer, minha imagem não se compara a essas que achei por aí (sigam os links):

 

http://planonove.blogspot.com/2008/12/obamis.html

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