A Apple está investindo todas as suas fichas na quarta versão do Safari. Se você visitar a página desse navegador, verá que o link para download oferece apenas a versão beta do Safari 4. Isso é estranho, pois normalmente versões beta estão disponíveis apenas em links discretos.

O novo Safari apresenta, entre outras vantagens, maior velocidade e tratamento otimizado de sites com pesado uso de javascript. Mas, o que quero aqui comentar são os aperfeiçoamentos na interface gráfica e na usabilidade deste navegador da Apple.
Mais uma vez a empresa mostra que elegância no design continua encabeçando sua lista de prioridades. OK, muitas das novidades na interface são inspiradas em outros browsers e tecnologias de outras empresas. Mais uma vez o que a Apple faz é integrar propostas anteriores, mesmo que de concorrentes, em uma experiência consistente e única.
Veja-se por exemplo a tela top sites, exibida abaixo nos tamanhos grande, médio e pequeno:




Essa funcionalidade, que lista visualmente os sites mais visitados, já estava disponível há muito tempo no Opera, e já tinha sido copiada pelo Google Chrome (leia minha resenha). Por outro lado, o top sites da Apple (disparado pelo botão mostrado ao lado) não apenas tem um visual muito sofisiticado, como também permite uma customização com boa usabilidade. O botão “edit“, no canto inferior esquerdo, permite a seleção do tamanho das telas a serem mostradas (e, portanto, sua quantidade). Você também pode arrastar e soltar cada thumbnail para a posição que mais lhe convier. Além disso, os ícones mostrados no canto superior esquerdo de cada telinha (conforme a terceira imagem acima) permitem que você apague ou mantenha permanentemente uma certa página no modo top sites.
Mesmo que o Opera e o Chrome já tivessem esse recurso, nas imagens acima você pode comprovar o toque Apple no design da funcionalidade. O fundo negro dá grande destaque às miniaturas. O reflexo de cada pequena tela não tem função, claro, mas é muito elegante. Já o recurso de organizar seus sites mas visitados, arrastando e soltando as miniaturas, foi muito bem implementado. À medida que você arrasta uma das telas, as outras se movem para acomodá-la em sua nova posição.
Na mesma janela top sites existe um campo para busca no histórico do navegador. A grande novidade é que os resultados não são apenas o título das últimas páginas visitadas (o que nem sempre é muito esclarecedor). O que você vê é uma imagem do próprio site antes visitado, no mesmo formato “cover flow“, utilizado em iPods mais recentes e no sistema de janelas do atual Mac OS X. Nesse modo de visualização você pode navegar pelo histórico como se estivesse “folheando” as telas. OK, OK, não foi a Apple que inventou a navegação “cover flow”. Mas, o diferencial da Apple é saber aplicar muito bem as diferentes tecnologias disponíveis em um todo coerente. Aliás, as diferentes interfaces da Apple vem se tornando cada vez mais consistentes, não apenas entre programas, como também entre plataformas (computadores, iPod e iPhone).


Mas nem tudo são flores. Se a janela de registro de bookmarks foi apresentada como exemplo de usabilidade na primeira versão do Safari, hoje ela parece velha e truncada. Conforme relatei nesta resenha, o mesmo processo no Firefox 3 é muito mais intuitivo e rápido. No Safari, para se salvar um site em uma nova pasta é preciso ir ao gerenciador de bookmarks e criar essa pasta, e depois voltar para a janela de registro de favoritos. No Firefox você pode fazer tudo no mesmo lugar.

A própria visualização da estrutura de pastas no Safari, ao se salvar um novo favorito, é deficitária. Se você tem um grande número de pastas e sub-pastas (e sub-sub-pastas!), fica difícil identificar os diferentes níveis hierárquivos. A imagem ao lado não consegue demonstrar isso bem. Mas garanto que o Firefox resolveu isso de forma mais interessante, permitindo inclusive que se abre e feche sub-pastas na mesma janela.
É também surpreendente ver que a Apple está lançando um novo browser sem recursos que hoje parecem básicos, como a reabertura de abas fechadas recentemente. Tampouco existe o suporte para a inclusão de plug-ins. Até o Internet Explorer se abriu para essas extensões!
Sobre abas é importante também comentar que elas estão agora posicionadas no topo da interface, lá onde estava apenas o título do site. Sim, isso também se parece com o Chrome. Por outro lado, supõe-se que essa modificação tem outro motivo além da competição com o browser do Google, que será lançado para Mac em breve (espero!): esse recurso facilitará a navegação no Safari para iPhone. Se isso for verdade, a interface do Safari ficará padronizada nos diferentes dispositivos.

De toda forma, me parece que as abas ainda não atingiram o melhor aspecto. Elas parecem melhor desenhadas no Chrome. Em sua versão no Safari, as abas vão mudando de tamanho em virtude do número de abas abertas. Ou seja, um padrão diferente do que vinha sendo trabalhado pela Apple, e também distinto da forma adotada pelo Chrome.
Para se arrastar uma janela do Safari é preciso clicar no meio de uma aba. Mas, se você quiser arrastar uma aba para que ela se transforme em uma janela (sim, como no Chrome), é preciso clicar e arrastar o canto chanfrado da aba. Já o botão de fechamento da aba foi parar no canto esquerdo. Um lugar realmente inusitado, pois é padrão hoje posicionar-se o botão de fechamento no canto esquerdo de toda janela ou aba, mesmo em dispositivos móveis. Enfim, espero que a Apple reveja o design das abas, pois elas não parecem bem acabadas.

Finalmente, a barra de progresso azul, que aparecia por trás do endereço do site sendo carregado, foi substituída pelo gif aí ao lado, posicionado ao final da barra de endereços. Hum, confesso que eu gostava da barra aqua, que diferenciava o Safari de outros browsers.
Conclusão: gostei do top sites e da nova busca no histórico. A Apple, no entanto, deveria ter incluído algumas melhorias há muito esperadas: reabertura de abas fechadas inadvertidamente, suporte para plug-ins, permitir o assinatura de RSS em leitores online (o Safari se adona dessas assinaturas!) e cortar definitivamente de seu dicionário as palavras “site incompatível”. Enquanto isso, continuarei usando esse browser mesmo assim!