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O golpe vigarista da Carta Capital
19 03 2009Neste mês recebi a quarta cobrança de uma assinatura da revista Carta Capital. O interessante é que jamais fiz essa assinatura e tampouco faria, pois não gosto dessa revista.
No mesmo dia em que recebi uma carta me parabenizando pela assinatura (hein?), na primeira semana de novembro de 2008, entrei em contato com a editora por telefone e por e-mail. Segundo os registros da Editora Confiança (Confiança???), eu teria feito essa assinatura pessoalmente com um representante. Além de serem incompetentes, ainda me chamam de esquizofrênico! É como se eu não me lembrasse de ter feito a assinatura.
Entrei em contato com a editora outras vezes, por e-mail e por telefone, e sempre escutei a promessa de que o valor cobrado por 4 meses seguidos seria devolvido. Nunca nenhuma revista chegou em minha casa (ainda bem!), nem a devolução foi realizada. Liguei para meu cartão de crédito que confirmou que nunca a editora entrou em contato com eles.
Logo, aviso os leitores que cogitam assinar essa revista: CUIDADO. A editora desConfiança é uma empresa que não respeita o público e mente.
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Gêneros de blogs
30 09 2008Sabemos que hoje existe uma variedade muito grande de blogs. A blogosfera complexificou-se de tal forma que as primeiras definições sobre blogs passam a revelar suas limitações. Se em um primeiro momento a imprensa e a academia apressaram-se a comparar blogs como diários pessoais e vincular sua produção a uma atividade confessional de jovens, hoje vemos um crescente número de grandes corporações mantendo blogs como estratégia mercadológica e promocional (veja meu post sobre os dados do Technorati e Ibope). Além disso, os probloggers vêm provando que o blogar pode ser uma atividade rentável, até mesmo sem qualquer relação com as tradicionais instituições midiáticas. Por outro lado, estas mesmas organizações passaram também a explorar a blogosfera. Logo, as visões essencialistas sobre blogs pouco podem ajudar.
Diante dessas atualizações e dos desafios que a blogosfera impõe ao pesquisador, desde o início do ano venho trabalhando em um método que possa delimitar os diferentes gêneros de blogs. A matriz para a tipificação de blogs abaixo é o resultado dessas reflexões (sugiro que, após você ler a argumentação a seguir, visite a versão hipertextual da matriz).
A matriz acima foi sendo lentamente desenvolvida a partir de uma insatisfação com tipologias de blogs que eu conhecia. Algumas delas classificavam blogs por suas temáticas (blog jornalístico, blog educacional, etc.). Outras delimitavam 4 ou 5 tipos e sugeriam grandes categorias como “outros” ou “mistos” (como a de Herring et al). Apesar dessas tipologias terem nos servido por algum tempo, a complexificação da blogosfera acabou inflando essas últimas categorias. Logo, tais tipologias acabaram ficando enfraquecidas com o tempo.
Mas como cheguei àqueles 16 gêneros de blogs? Ao observar os quadrantes de Krishnamurthy (citado por Herring et al), observei que outras dimensões deveriam ser consideradas em um estudo de blogs. Parti então do mais óbvio: existem blogs individuais e coletivos, o que já modifica as condições de produção e administração do blog. A seguir, busquei avaliar como se dão as interações (internas e com as audiências) e a relação do blogar com o trabalho e com o cotidiano (dimensão interações formalizadas/interações cotidianas). Quanto ao conteúdo, busquei investigar se os textos voltam-se para questões dos próprios blogueiros (quando falam de si, de suas relações e das próprias atividades) ou quando tratam de outros assuntos (dimensão dentro/fora). A última dimensão (reflexão/relato) visa observar a estratégia discursiva preferida: existe argumentação crítica ou apenas uma exposição de fatos? Vale lembrar que as linhas pontilhadas e setas no desenho das dimensões visam ilustrar um gradiente, uma variação contínua de intensidades.
A partir do cruzamento dessas dimensões, encontrei 16 gêneros: (1) profissional auto-reflexivo; (2) profissional informativo interno; (3) profissional informativo; (4) profissional reflexivo; (5) pessoal auto-reflexivo; (6) pessoal informativo interno; (7) pessoal informativo; (8) pessoal reflexivo; (9) grupal auto-reflexivo; (10) grupal inforativo interno; (11) grupal informativo; (12) grupal reflexivo; (13) organizacional auto-reflexivo; (14) organizacional informativo interno; (15) organizacional informativo; e (16) organizacional reflexivo.
Para um esclarecimento sobre cada um desses gêneros, visite a versão hipertextual da matriz e clique em cada uma das abas, nas dimensões (área externa da matriz) e nos gêneros. Sugiro que leia também o artigo que apresentei na Intercom 2008 onde detalho cada um dos gêneros. Lá você poderá compreender melhor porque eu classifico tanto um blog de problogger quanto o de um professor como profissional e blogs coletivos de probloggers como organizacionais.
Claro, os 16 gêneros que proponho são “tipos ideais”. E como o proprio Bakhtin nos lembra, existe hibridismo entre diferentes gêneros. Contudo, não nos adiantaria querer fazer um mapa do mesmo tamanho do território (encontraríamos mais de 70 milhões de gêneros?!!!).
Em outro artigo que escrevi (“Os blogs não são diários pessoais online: Matriz para a tipificação da blogosfera”) eu detalho a construção da matriz. Este trabalho (que foi escrito antes daquele da Intercom) sairá nas próximas semanas na Revista da Famecos (depois publico por aqui).
Espero que os gêneros que proponho e as dimensões de análise sugeridas provoquem novas questões em nosso contínuo debate sobre a blogosfera.
PS: Quero agradecer Elisa Höerlle pelo design hipertextual da matriz e Camile Giordani pelos retoques finais.
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O que podemos aprender sobre blogs com o Technorati e com o Ibope?
29 09 2008Agora que o Technorati terminou de publicar a análise dos resultados do relatório State of the Blogosphere 2008, quero fazer alguns comentários. Não vou repetir o que você pode ler direto na fonte, mas sim confrontar os dados coletados com alguns mitos sobre a blogosfera.
Conforme eu já tinha anunciado em julho, desta vez a pesquisa tem um cunho qualitativo, baseada em um longo questionário respondido por 1209 blogueiros de 66 países (veja aqui um pouco do método utilizado). Como relatei anteriormente, o questionário era dinâmico, ou seja, as perguntas futuras dependiam de respostas anteriores. Por exemplo, se alguém respondesse que utilizava blogs para fins corporativos, novas perguntas sobre essa prática eram apresentadas. Na verdade, essa foi uma dos encaminhamentos que mais me surpreendeu positivamente: questionar os entrevistados se eles usavam o blog de forma pessoal, profissional ou corporativa. Há muito tempo critico (aqui mesmo no blog, inclusive) a definição de blogs como diários pessoais. Logo, estava muito curioso para ver os resultados.
Em tempo, aproveito para lhe convidar para ver amanhã a minha proposta de gêneros de blogs, na qual venho trabalhando há muitos meses.
Blogs são diários pessoais?
É interessante que enquanto a blogosfera cresce e se complexifica, as definições sobre blogs ainda seguem repetindo a ladainha de que tratam-se de versões online de diários pessoais e que os posts em sua maior parte são confessionais.
O questionário enviado pelo Technorati para uma amostra de blogueiros perguntava logo no início sobre como eles identificavam seus blogs:
- Pessoal: sobre tópicos de interesse pessoal não associados com o trabalho;
- Profissional: blog sobre a indústria ou profissão às quais o blogueiro é filiado, sem que o blog seja da própria corporação;
- Corporativo: blog oficial da corporação.
A pesquisa revelou que de 5 blogueiros, 4 disseram que blogam sobre interesses pessoais. Antes que você diga “viu, eu disse que blogs eram diários pessoais!”, veja o gráfico seguinte.

Como esses perfis não são mutuamente exclusivos, veja que a soma dá mais de 100%. Isso quer dizer que uma pessoa pode ter mais de um blog ou até mesmo falar sobre suas preferências pessoais em seu blog profissional. Logo, observe pelo outro lado, quase metade dos entrevistados dizem blogar profissionalmente (os probloggers, por exemplo) ou usam um blog/programa para tratar de suas profissões. Além disso, 12% dos entrevistados escrevem em blogs corporativos. Esses números nos mostram que em poucos anos morreu a definição simplista que blogs são o mesmo que diários íntimos online.
Blogs são confessionais?
O Technorati confirmou o óbvio: blogueiros escrevem sobre tópicos variados. Assuntos pessoais e profissionais são igualmente populares. Por outro lado, derrubou a idéia de que a grande maioria dos posts tem cunho confessional. Você já deve ter lido (e talvez escrito) muitos textos defendendo o tom confessional como essência dos blogs. Pois esta pesquisa mundial nos mostra justamente o contrário.
Ao questionar os sujeitos sobre quais estilos caracterizavam os textos publicados, metade dos blogueiros afirmou que seu estilo é sincero, conversacional e bem-humorado. O posicionamento de um especialista (“expert”) foi também muito citado. No outro extremo, exatamente no final da curva, encontra-se o tom confessional. Menos de 1 em 5 blogueiros assumem esse estilo como típico de seus posts. A pesquisa mostrou que o tom confessional é mais comum entre pessoas com menos de 34 anos e entre blogueiros da Ásia. Mesmo assim, o valor bruto total é baixo.

Os analistas do Technorati também apontam que apesar dos blogs serem com freqüência identificados como espaço de fofocas e intrigas, essa postura pouco apareceu no relatório. Confira a listagem dos tópicos preferidos:
Claro, vale lembrar, expressão pessoal não é o mesmo que confessional. Ou seja, ser sincero (o estilo mais citado) não é o mesmo que falar abertamente de si. E, como se vê abaixo, a manifestação de opinião pessoal sobre os tópicos de interesse e o compartilhamento de conhecimentos estão entre as principais razões para blogar.

A confissão pública também esbarra no receio quanto às repercussões da exposição na Web. Um terço da amostra preocupa-se com sua privacidade, com o que seus amigos e familares pensarão deles. Sim, sabemos que isso varia de cultura para cultura. A pesquisa mostrou que os americanos preocupam-se menos com a privacidade que outros países. Suponho, contudo, que no Brasil essa preocupação é ainda menor. Como poucos foram os brasileiros que responderam a pesquisa, não temos dados ainda para confirmar essa tendência na blogosfera nacional.


De todo modo, é importante ressaltar mais uma vez que os blogs foram se distanciando da imagem de muro de lamentações. Mais do que isso, dentre as razões de blogar listadas anteriormente pode-se observar o crescimento de motivações profissionais e promocionais. O relatório inclusive mostra que muitos blogueiros já obtiveram vantagens (como receber presentes e ser convidado para entrevistas e palestras) por sua atividade na rede, incluindo maior reconhecimento profissional. Os gráficos abaixo detalham esses convites e vantagens.


Vale citar aqui uma das conclusões do Technorati sobre o “amadurecimento” da blogosfera:
“But as the Blogosphere grows in size and influence, the lines between what is a blog and what is a mainstream media site become less clear. Larger blogs are taking on more characteristics of mainstream sites and mainstream sites are incorporating styles and formats from the Blogosphere.”
Ainda que o relatório de 2008 seja um grande avanço e uma importante contribuição para nossa compreensão sobre a blogosfera, é importante reconhecer que a amostra entrevistada foi selecionada dentre aqueles blogueiros registrados no Technorati. Logo, aqueles que não sabem o que é Technorati ou que não conhecem o sistema de registro (ou mesmo que não dão bola para isso), não puderam ser considerados. Podemos supor, portanto, que pequenos blogs e os blogueiros que não ligam ou não conhecem os serviços do Technorati não estão representados na pesquisa. Será então que os valores sobre tom confessional e blogs pessoais seriam muito maiores? Não sabemos. Mas quero insistir que isso não muda em nada a caduquice das definições de blogs como sinônimos de diários pessoais online.
Blog é coisa de rico e classe média?
Será que esse papo todo de blogs não faz sentido apenas entre as classes mais altas do Brasil?
Confesso que fiquei surpreso com essa tabela recentemente divulgada pelo Ibope:

Principais atividades realizadas na Internet, por Classe Social
Conforme o relato do blog Idéia 2.0 (do IDG Now), “Um dos fenômenos qualitativamente mais interessantes na evolução recente do uso da Internet no Brasil é sua utilização pelas camadas de baixa renda. De acordo com o IBOPE Mídia, esse grupo já respondia por 50% do total de usuários da Internet no final do ano passado, contra 39% em abril de 2004. Os dados do Comitê Gestor apontam que, graças à explosão do acesso em LAN Houses, 38% das pessoas integrantes da classe C, e 14% das classes D/E, já utilizam a rede com alguma regularidade. “
Lembro agora de meu amigo Vinícius Andrade Pereira comentando na Intercom 2008 que as LAN Houses vêm tendo um papel importante na chamada “inclusão digital” e que não está sendo abordada em estudos recentes.
Sem querer aprofundar esse debate, quero apenas chamar a atenção para a pequena diferença que existe na atividade “Criar/Atualizar Blogs” entre as classes sociais A, B, C, D/E.
______________
Antes de terminar, quero lembrar que amanhã publicarei aqui um post sobre minha proposta sobre gêneros de blogs, que busca refletir a imensa diversidade da blogosfera.
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Sergey Brin, fundador do Google, estréia seu blog
19 09 2008
Sergey Brin, que fundou o Google ao lado de Larry Page, abriu ontem seu blog Too. Se Google era uma brincadeira com o número “googol” (10100), ”Too” é um trocadilho com outro número, este muito menor: “two” (2).
Em sua estréia, Brin comenta que sua mãe tem Síndrome de Parkinson e reflete que também poderá desenvolver a doença no futuro, em virtude de possuir a mesma mutação gênica que sua mãe.
É interessante encontrar esse post absolutamente confessional dando início ao seu blog pessoal. Para muitos, esses titãs do mundo tecnológico parecem figuras mitológicas inalcançáveis e indestrutíveis. O texto, pelo contrário, mostra mais uma vez porque o Google tem um espírito tão diferente daquele da Microsoft.
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A Apple mais uma vez inova no design de interação
11 09 2008O que faz um barman para misturar as diferentes bebidas necessárias para a preparação de um drink? Basta sacudir a coqueteleira.
O que faz um ouvinte para misturar a ordem das músicas em em seu iPod? Até 2 dias atrás, precisava achar a função shuffle no menu inicial. Mas, com o lançamento do novo iPod Nano, a Apple mais uma vez inova no design de interação: para misturar as músicas, basta sacudir o aparelho! Não gostou da lista randômica gerada? Sacuda de novo.
A primeira geração do iPod, ainda com tela em preto e branco, já era um exemplo de interface gráfica de alta usabilidade. Além de apresentar um agradável design de apresentação baseado em texto, o design de informação já era um show de organização e intuitividade. Fora isso, a click wheel modificou a experiência sensorial, facilitando a seleção das diferentes funções com um mínimo de controles.
Nas gerações seguintes, a click wheel deixou de girar (mas manteve a mesma funcionalidade), a largura do aparelho diminuiu, a tela cresceu e a família de modelos se diversificou.
Com o iPod Touch, a Apple também nos ensinou que podemos usar uma tela sensível ao toque com mais de um dedo ao mesmo tempo. Agora, o mesmo sensor accelerometer do iPod Touch foi incorporado ao novo iPod Nano. Ele permite que a tela assuma a posição paisagem assim que o aparelho é girado.
Se você é estudante de design, vale acompanhar de perto o desenvolvimento dos produtos da Apple. Além de interfaces gráficas de muito bom gosto (ainda mais agora, com as telas de alta resolução, mesmo no pequeno Nano), a empresa reinventa a todo momento as formas de controle dos aparelhos. Trata-se de um cuidado com a experiência completa da interação.
Você entende porque nunca tive um MP3 que não seja um iPod e faz 10 anos que não toco em um PC por mais de 10 minutos (tempo máximo de tolerância, antes de querer quebrar o Windows)?
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Livro “Além das redes”: completo e gratuito
9 09 2008Em outubro do ano passado participei de uma mesa do excelente evento “Além das Redes de Colaboração”. Pois agora os textos das palestras estão disponíveis no livro homônimo organizado por Nelson Pretto e Sérgio Amadeu. Inspirado pelo mesmo espírito colaborativo que permeou todo o seminário, o livro tem licença Creative Commons e pode ser baixado livremente.
O volume traz um capítulo de minha autoria: “Fases do desenvolvimento tecnológico e suas implicações nas formas de ser, conhecer, comunicar e produzir em sociedade”. Nesse texto, eu parto de uma tipologia de André Lemos sobre 3 fases do desenvolvimento tecnológico (indiferença, conforto e ubiqüidade) e discuto as transformações (a) no conhecimento, (b) na autoria, (c) na educação, (d) na economia, (e) nos processos midiáticos; além disso, trato (f) das características da Web nos períodos do conforto e da ubiqüidade e apresento (g) as metáforas usuais de cada fase.
Para esta discussão, eu mais uma vez uso um mapa mental para ilustrar as idéias em debate. Em um post anterior eu já tinha publicado esse mapa, mas fiz algumas atualizações. Veja aqui uma versão com maior resolução.
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Bibliografias de cibercultura
27 08 2008Com frequência eu recebo e-mails pedindo indicações de livros sobre diferentes temas da cibercultura. Com o volume de trabalho acumulado, nem sempre eu conseguia responder. Decidi então abrir um novo blog: Bibliografia de Cibercultura. O foco será em livros e capítulos (para mais informações sobre cada um deles, basta clicar em seus títulos). A coluna da direita do blog reúne outras informações que podem ser úteis para o estudante da cibercultura.
Nas próximas semanas, novas seções serão acrescentadas (como inteligência artificial, consumo online, ciborgue, etc.).
Fique à vontade para sugerir novos livros para as bibliografias listadas.
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Blog do Núcleo de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação
13 08 2008
Quer conhecer os trabalhos que serão apresentados no Núcleo de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Intercom 2008?
Pois visite o blog que acabei de criar para o NP. Periodicamente irei publicar novidades e resumos dos trabalhos que serão discutidos discutidos durante o evento em Natal.
O NP, que passei a coordenar, teve um número muito grande de inscrições neste ano. Tenho certeza que será um excelente espaço para conhecermos um panorama do que vem sendo pesquisado sobre cibercultura no país. E, sem dúvida, será um momento muito importante para a discussão sobre os temas mais atuais.
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Na web o passado pode ser um eterno presente.
11 08 2008
Há alguns anos meu pai pediu que eu procurasse informações no Google sobre um conhecido seu. A primeira página que encontrei foi o relato de um processo que ele sofrera. A surpresa foi desagradável. Quem sabe o processo tenha sido injusto e o fulano tenha ganho a causa. Porém, o registro permanecia na Web.
Mesmo páginas que foram apagadas na Web podem permanecer registradas no grande arquivo da rede, o Internet Archive. Lá se pode encontrar, por exemplo, várias cópias do site do ZAZ (que depois foi comprado pelo Terra). Veja esta página do antigo portal de 12 de dezembro de 1998. E já que tanto se falou sobre o lançamento do Firefox 3 (leia minha resenha da nova interface), que tal visitar a página do Netscape de 20 de outubro de 1996?
Mas vale a pena ter tudo registrado, pronto para ser acessado a qualquer momento, por qualquer pessoa? Como bem lembra Iván Izquierdo, do Centro de Memória do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC-RS, ”Somos também aquilo que decidimos esquecer”. Neste artigo, Izquierdo, Bevilaqua e Cammarota afirmam que:

“De fato, é necessário esquecer, ou pelo menos manter longe da evocação muitas memórias. Há muitas que nos perturbam: aquelas de medos, humilhações, maus momentos. Há outras que nos prejudicam (fobias) ou nos perseguem (estresse pós-traumático).”
Se muitas vezes preferimos deliberadamente esconder de nós mesmos certos fatos do passado, a possibilidade de poder encontrar na Web coisas que publicamos ou relatos de falas e fatos de outrora não necessariamente é uma maravilha tecnológica.
O tema é fecundo, pois a princípio louvamos a possibilidade de podermos delegar parte de nossa memória para as tecnologias digitais. Mas o que fazer se aquilo que soterramos no fundo do inconsciente é encontrado por algum internauta, contra a nossa vontade? Políticos que o digam!
Ainda bem que no Brasil ninguém é condenado por seu passado
E se você já viu o filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, não deixe de ler o texto que Maria Cristina Ferraz apresentou na última Compós. A pesquisadora traz uma excelente discussão filosófica sobre todas essas questões.
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