Parte 4 (gênero II) – Pesquisa sobre conteúdo e interações nos blogs em português

17 12 2008

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Nesta quarta parte do relato da pesquisa, eu termino de apresentar as tabelas com os dados sobre temas, formas composicionais e estilos mais frequentes em cada blog analisado. Mais uma vez, eles são aqui agrupados segundo a minha proposta de gêneros de blogs apresentada aqui.

O gênero Pessoal Auto-reflexivo refere-se a blogs individuais voltados para a manifestação de opiniões e reflexões pessoais sobre si, sobre os outros e sobre a vida cotidiana dos blogueiros. Tais manifestações (mesmo em blogs privados, com acesso apenas para um pequeno grupo) podem constituir o que Nardi, Schiano e Gumbrecht (2004) chamam de “pensar enquanto se escreve”. Posts neste gênero de blog podem tratar do trabalho do autor e de colegas desse contexto. Contudo, diferentemente dos blogs profissionais, tais atividades participam como mais um aspecto da vida do blogueiro e não como foco ou tema principal. É importante salientar que o gênero pessoal auto-reflexivo é certamente o mais referenciado, tanto na academia quanto na imprensa. Possivelmente, permanece sendo o mais comum na blogosfera em números absolutos. Contudo, como se vê, ele não é sinônimo de blog. Ou seja, trata-se apenas de um gênero entre tantos outros (como se busca aqui demonstrar), e não a própria definição do que seja blog.

A tabela abaixo exibe os dados dos 2 blogs encontrados neste gênero. Vale lembrar que as 3 últimas colunas mostram os dados mais frequentes no que toca a forma composicional, tema e estilo. Os resultados abaixo foram coletados de forma independente. Ou seja, eles não são interdependentes, podendo ou não ter ocorrido ao mesmo tempo em um mesmo post. A coluna “rank” mostra a colocação do blog no ranking utilizado pela pesquisa (ela foi omitida nas tabelas anteriores). A coluna “posts” mostra quantos textos foram publicados no mês avaliado.

É interessante observar que dos 50 blogs estudados apenas 2 são do gênero auto-reflexivo. Possivelmente em nossa pesquisa atual, que avalia blogs de baixa autoridade, um número bem maior de blogs se enquadrarão neste gênero. A amostra analisada nesta pesquisa, por ser composta por muitos probloggers, e por adotar diversas estratégias para o aumento das audiências, acaba por se afastar das práticas típicas do gênero pessoal auto-reflexivo.

O gênero Pessoal Reflexivo é também produzido individualmente. Neste gênero, o blogueiro comenta as informações que recebe, analisa criticamente as notícias da mídia e demonstra suas opiniões sobre produtos culturais (livros, filmes, músicas, exposições, etc.). Pode tratar-se de blog temático (voltado para resenhas críticas de filmes, por exemplo) ou de comentários generalistas. Enquanto no blog pessoal auto-reflexivo a reflexão do blogueiro volta-se principalmente “para dentro”, para a própria existência, o gênero pessoal reflexivo caracteriza-se pela ênfase nos comentários sobre as ações e produtos de outras pessoas e organizações ou sobre a atuação de governos, políticos, esportistas, etc. E, diferentemente dos blogs profissionais, quem fala aqui é o sujeito comum, não um especialista em determinada área. Ou seja, os posts não se baseiam em argumento de autoridade. Como a voz no blog não se apresenta como aquela de um expert (mesmo que o blogueiro o seja em determinado segmento), as opiniões não são formatadas estrategicamente, tendo em vista objetivos profissionais.

Em um blog coletivo de gênero Grupal Reflexivo um grupo manifesta suas avaliações críticas sobre temas de interesse que aproximam os participantes que o compõem. Nesta publicação grupal, um grupo de amigos pode escrever posts individuais manifestando a opinião particular de cada um (sobre o campeonato brasileiro, em um blog sobre futebol, por exemplo), sendo eles até mesmo contraditórios entre si. Por outro lado, os blogueiros podem reunir seus esforços para defender uma causa comum (como software livre ou ecologia). Em blogs de fãs de algum produto cultural, os interagentes podem cooperar no sentido de discutir paixões, debater preferências e publicar resenhas críticas sobre determinados produtos.

O gênero Organizacional Informativo serve para o registro de informações sobre o segmento de atuação da organização, sem que ela manifeste seu parecer sobre os fatos. Blogs privados podem ser utilizados para o armazenamento digital de lançamentos e ações da concorrência. Blogs coletivos de probloggers são considerados informativos quando basicamente sugerem links ou produzem clipping de textos e imagens produzidos por terceiros apenas com a finalidade de gerar tráfego para suas estratégias de monetização.

O último gênero identificado nesta pesquisa foi o Organizacional Reflexivo. É através deste blog coletivo que uma organização manifesta suas opiniões sobre os temas de seu interesse. Uma organização ativista, por exemplo, pode usar o blog como manifesto online, fazendo críticas e defendendo propostas. Por outro lado, probloggers podem utilizar este gênero de blog para a análise crítica ou inclusive para a sátira de fatos de um segmento.

Os outros gêneros de minha tipologia não foram identificados dentre os 50 blogs analisados. As definições desses gêneros podem ser encontradas aqui.

Como estamos no final do ano, deixarei os dados de correlações e os resultados sobre número de comentários para relatar no semestre que vem. Até lá, gostaria muito de ouvir os comentários de vocês para que a pesquisa possa ser aperfeiçoada. Esse debate também nos ajudará a compreender melhor a blogosfera lusófona.





Parte 3 (gênero I) – Pesquisa sobre conteúdo e interações nos blogs em português

11 12 2008

logo_generos_blogs_miniApós demonstrar os resultados sobre temas, formas composicionais e estilos mais frequentes, relato agora os resultados individuais de cada um dos 50 blogs analisados.

Para organizar este relato, vou apresentar os blogs separados por gênero, segundo minha tipologia que apresentei aqui. Para uma apresentação hipertextual, clique na imagem abaixo.

 


Para facilitar a compreensão, reproduzo a seguir como defino cada um dos gêneros encontrados nesta pesquisa sobre os 50 blogs lusófonos de maior autoridade.

O blogs individuais do gênero Profissional Informativo voltam-se principalmente para a divulgação de textos sobre a área de atuação do profissional e/ou para a reprodução/reescrita de notícias sobre tal tema encontradas em outros lugares. Dependendo da freqüência de publicação e das novidades relatadas, estes blogs podem se tornar material de referência e atualização para um determinado segmento. Alguns probloggers dedicam-se justamente à produção de clippings especializados. Outros (como o “Musicaki” e “De graça é mais gostoso”, analisados nesta pesquisa) usam blogs para a divulgação de links para arquivos piratas. Estes blogueiros profissionais são remunerados ao dirigir tráfego para sites de downloads.

Veja na tabela abaixo a quantidade de posts publicados pelos blogs do gênero profissional informativo, e as formas composicionais, temas e estilos mais frequentes. É importante alertar que as 3 últimas colunas não estão necessariamente relacionadas entre si. Ou seja, os valores de cada dimensão foram quantificados em separado. Por isso você encontrará na primeira linha da tabela, por exemplo, a composição “analítico” e estilo “relato”, o que poderia parecer contraditório.

prof-informativo

Já o gênero Profissional Reflexivo é um blog individual marcado pelas opiniões e críticas que publica sobre temas relativos à área de atuação do profissional. Blogs de jornalistas que focam determinado tema (que discutem futebol ou política, por exemplo), o que se aproxima da prática de colunismo/articulismo de jornais e revistas, são também exemplares deste gênero. Vale lembrar que análises críticas de especialistas em determinado segmento, mesmo que sem certificação universitária, e/ou de probloggers fazem parte deste tipo de blogs. Incluem-se neste gênero, também, os blogs com textos e imagens humorísticas de autoria de probloggers.

prof-reflexivo

Finalmente, quero destacar que a divisão dos blogs por gênero foi feita antes da avaliação estatística. Além disso, mesmo que alguns blogs reflexivos, por exemplo, tenham uma forma composicional pouco argumentativa como mais frequente, a ocorrência de reflexões no blog como um todo me levaram a classificá-lo como tal.

Nos próximos posts apresentarei os resultados dos outros blogs analisados, também separados por gênero.

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Veja também:





Parte 2 (composição e estilo) – Pesquisa sobre conteúdo e interações nos blogs em português

10 12 2008

logo_generos_blogs_miniNa primeira parte do relato desta pesquisa sobre o conteúdo e interações na blogosfera em português, você pôde observar os temas mais freqüentes nos 50 blogs de maior autoridade no Technorati. Mas de que forma os 5218 posts abordavam esses assuntos? Quais as estratégias utilizadas na escrita desses textos? Quais são os estilos mais comuns: espirituoso, crítico, simples relato? Essas são algumas questões que poderão ser respondidas pelos dados a seguir. Em um próximo post você poderá conhecer quais são as formas composicionais e estilos que renderam mais comentários na amostra estudada.

A tabela abaixo mostra as formas composicionais mais comuns. Esta análise buscava investigar a organização e acabamento do post. Embora fosse possível identificar mais de uma forma em muitos posts, apenas a principal ou primária foi anotada. Em virtude da especificidade do meio blog, foi preciso incluir algumas categorias que podem parecer inusitadas para o estudioso do discurso em outros suportes. Tendo em vista que muitos posts resumem-se à simples reprodução (copiar/colar) de textos de outros lugares ou focam-se principalmente na sugestão de links ou downloads, essas categorias precisaram ser discriminadas em nossa análise do conteúdo. Como elas constituem um padrão reconhecível de composição em blogs, o desmembramento dessas formas pareceu adequado aos objetivos desta pesquisa. Outra forma composicional que não raro aparece em blogs é o tutorial, normalmente concretizado em uma passo-a-passo sobre como desempenhar certa tarefa. Finalmente, senti a necessidade de diferenciar factual, reprodução e release. O primeiro caracteriza-se pela narração distanciada de um acontecimento efetuada pelo próprio blogueiro; o último distingue-se da simples reprodução por relatar ou mesmo copiar a íntegra de uma notícia produzida por um profissional ou organização sobre suas próprias atividades ou produtos. 

É interessante observar que um dos objetivos dos blogs pioneiros — o de registrar e sugerir links — ainda é bastante popular, mesmo após 10 anos de blogosfera. A hipertextualidade da Web pode ser aí observada, mesmo sem quantificar-se a imensa quantidade de links presentes nos posts com outras formas composicionais. Uma observação mais cuidadosa poderia também detectar nesses links e na alta incidência de posts de reprodução o que chamo de “encadeamento midiático” entre blogs e veículos de outros níveis midiáticos, a saber: mídia de nicho (revistas segmentadas, TV por assinatura, etc.) e mídia de massa. 

O estilo, terceira dimensão utlizada para o estudo dos posts enquanto enunciados, refere-se principalmente a como se posiciona o blogueiro diante do que escreve e perante o leitor. Veja a seguir os principais achados.

Claro, mais de um estilo poderia estar presente em um mesmo post (como crítico, agressivo e escatológico). Os 3 avaliadores, contudo, foram instruídos a selecionar o estilo principal, aquele que mais caracterizava o post. Como se vê nos resultados acima, mais da metade dos posts mostram um distanciamento do blogueiro, que limita-se ao relato. Por outro lado, é preciso reconhecer que a grande maioria das sugestões de links e downloads, como também os posts de reprodução, foram categorizados no estilo relato. O segundo estilo mais comum é o “crítico”, mostrando justamente o perfil reflexivo da blogosfera, tão discutido em debates sobre o tema. Esse argumento pode ficar ainda mais forte ao lembrar-se que a forma composicional mais comum é a analítica (que além de “crítico” podem assumir os estilos “gozação”, “espirituoso”, entre outros).

No post seguinte passarei a analisar cada um dos 50 blogs estudados quanto ao seu gênero (segundo a tipificação que propus aqui). Além disso, descreverei os temas, formas composicionais e estilos mais frequentes em cada um deles.

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Veja também:





Pesquisa sobre conteúdo e interações nos blogs em português – parte 1 (temas)

9 12 2008

Apesar da grande variedade de gêneros de blogs, circulam por aí posts alarmistas/sensacionalistas anunciando que os blogs morreram (pena que os interagentes não ficaram sabendo!!!!). Na verdade, o que morreu foi a visão essencialista sobre blogs. As viúvas do mito, claro, não se conformam. Como já tive oportunidade de insistir, blogs são um meio de comunicação que não se vinculam necessariamente a um gênero discursivo.

logo_generos_blogs_miniDiante de tantos mitos sobre blogs, decidi conduzir uma grande pesquisa sobre gêneros discursivos na blogosfera. Como poucas são as investigações nessa área, precisei desenvolver alguns procedimentos metodológicos e conceituais para operacionalizar esse estudo. Nesta série de posts que hoje inicio vou descrever o método e os principais achados desta pesquisa.

Para esta pesquisa, avaliou-se o conteúdo produzido por 50 blogs listados no ranking dos “Top 100 blogs segundo o Technorati“, publicado por Edney Souza em 8 de agosto de 2007. Sim, todo ranking é alvo de críticas. Com este não foi diferente. Contudo, a listagem foi apenas um ponto de partida para a análise de conteúdo que eu pretendia conduzir.  O rol de blogs avaliados encontra-se ao final deste post, como também o motivo pelo qual alguns blogs ou sites foram eliminados da amostra.

A amostra foi constituída por todos os posts publicados naqueles blogs em agosto de 2007. Todos os 5233 foram cadastrados em uma planilha com seus respectivos permalinks. Em um primeiro momento, foram registrados a data de publicação e número de comentários, vídeos e imagens. Na segunda fase, todos os posts foram lidos e categorizados por 3 avaliadores (aproveito para elogiar o trabalho exaustivo de Elisa Höerlle, Gilberto Consoni e Gabriela Zago). Em virtude de alguns problemas de acesso, a amostra final foi reduzida para 5218 posts.

Todos os posts foram julgados quanto ao tema, forma composicional e estilo. Essas dimensões do enunciado partem do trabalho referencial de Bakhtin sobre gêneros. Essa proposta publicada postumamente não delineava procedimentos de análise. Por esse motivo, e como os gêneros da blogosfera são muito recentes, precisei desenvolver uma série de categorias para este estudo.

Com todos os dados quantitativos coletados e todos os posts categorizados, o material foi tratado estatisticamente e diversos cruzamentos efetuados (como estilo X número de comentários). Tendo em vista a dimensão e a complexidade desta pesquisa, apenas agora é possível descrever seus resultados.

Os primeiros dados que vou aqui relatar se referem ao tema dos posts estudados. Ou seja, buscou-se observar sobre o que se fala nos 5218 posts. As categorias utilizadas foram compiladas a partir dos temas disponíveis em portais de blogs como Xanga e no próprio orkut. Outras categorias precisaram ser incluídas e algumas combinadas para a operacionalização correta desta análise. Veja abaixo os resultados (a tabela mostra apenas os temas com mais de 1%).

Os outros temas encontrados foram: Automotivo (0,79%); Hobbies (0,77%); Animais (0,71%); Erótico (0,71%); Religião/Espiritualidade (0,65%); Saúde (0,63%); Besteirol (0,63%); Sexualidade (0,57%); Moda (0,50%); Ciências (0,33%); Socialites (0,31%); Ecologia (0,27%); Etnia (0,19%); História (0,21%); Viagem (0,10%); Subculturas (0,08%). Em tempo, “Meta” na tabela acima se refere a posts voltados para informações e reflexões sobre o próprio blog.

Como se vê, metade dos posts dedicam-se aos temas “tecnologia” e “política”. De fato, parece coerente que os blogs, esse novo meio digital de comunicação, voltem uma parcela significativa de sua produção para a informação e discussão de temas ligados justamente ao universo tecnológico. O que pode surpreender é que o tema “política” aparece em segundo lugar no levantamento. É preciso reconhecer que boa parte dos posts sobre política vêm de blogs dos jornalistas Ricardo Noblat, Reinaldo Azevedo e Josias de Souza, cuja periodicidade de publicação é alta. De toda forma, o dado é importante para comprovar que a blogosfera não pode ser definida apenas como uma infinita publicação de bobagens por adolescentes descompromissados, como insistem muitas pseudo-críticas. 

Pode-se também observar nitidamente a importância que os meios de comunicação de massa (MCM) têm para a blogosfera. Cerca de 9% dos posts (3o. lugar na listagem) dedicam-se principalmente ao relato ou discussão de peças da grande mídia (telenovelas, por exemplo). Esse dado demonstra mais uma vez o fenômeno de encadeamento midiático que já comentei anteriormente (leia este PDF e este também) Claro, o encadeamento pode ser observado em centenas de outros posts (que citam, reproduzem ou comentam veículos dos níveis midiáticos nicho e massivo), mas em 472 posts ele era o centro temático da postagem.

É importante lembrar que os dados aqui relatados se referem à uma parte específica da blogosfera: a mais lida e mais referenciada. Como o ranking utilizado avaliava a autoridade no sistema de busca Tecnorati, podemos dizer que os blogs avaliados fazem parte da “cabeça da curva” de popularidade (para mais informações, leia sobre a “cauda longa“).

Supondo que esses poucos blogs da cabeça da curva tenham um perfil diferente da grande maioria presente na longa cauda, uma nova pesquisa com blogs de baixa autoridade, utilizando os mesmos procedimentos metodológicos, está em andamento.

Nos próximos posts irei relatar os resultados sobre estilos, formas composicionais, periodicidade, número de comentários, imagens e vídeos, além de diversas correlações.

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Os 50 blogs analisados nesta pesquisa são:

  1. Meio Bit 
  2. Brainstorm #9 
  3. Kibe Loco
  4. Jacaré Banguela
  5. Bluebus
  6. BR-Linux.org
  7. Pensar Enlouquece, Pense Nisso.
  8. Contraditorium
  9. Burajiru!
  10. Diário do Rio
  11. Templates para Blogger
  12. Acidez Mental
  13. Templates para Novo Blogger
  14. Querido Leitor
  15. Cocadaboa.com
  16. hipermoderna.net
  17. Gema Carioca
  18. Ricardo Noblat
  19. De Graça é Mais Gostoso
  20. Blog do Cardoso
  21. o Giro
  22. Reinaldo Azevedo
  23. o b v i o u s
  24. Diário de um PM
  25. Josias de Souza
  26. BrPoint
  27. Depósito do Calvin
  28. Digital Drops
  29. Techbits
  30. Revolução Etc
  31. PortalCab.com 
  32. Blog do Juca
  33. Tarja Preta
  34. Blog do Tas
  35. Tableless
  36. novo-MUNDO
  37. Fabio Seixas
  38. Efetividade.net
  39. Google Discovery
  40. Undergoogle 
  41. bernabauer.com
  42. Verdade Absoluta
  43. Garota Sem Fio
  44. Musikaki
  45. Liberal Libertário Libertino
  46. Mundo Gump
  47. Garotas que Dizem Ni
  48. Bruno Torres ponto net
  49. Hype
  50. celsojunior.net

Os seguintes blogs, apesar de constarem do ranking, não foram analisados:

  • Interney Blogs, Verbeat Blogs, Insanus – são “condomínios” de blogs
  • Sedentário e Hiperativo, Curta o Rio, Omedi, Usabilidoido, O Fim da Várzea - Página de arquivos de posts do mês de agosto de 2007 apresentava problemas de acesso
  • Uêba, Conversa Afiada - não foram considerados blogs por esta pesquisa

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Veja também:

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PS: A frase “pena que os interagentes não ficaram sabendo”, no primeiro parágrafo, é inspirada em um artigo de Juremir Machado da Silva em que ironiza as apostas pós-estruturalistas de que o autor havia morrido.





Encadeamento midiático na polêmica sobre a foto dos índios isolados na Amazônia

20 11 2008

Na semana passada, estive palestrando no I Colóquio em Imagem e Sociabilidade, organizado pelo GRIS na UFMG. Durante o evento, assisti ao trabalho de Débora Gabrich, no qual ela faz um interessante estudo sobre a polêmica internacional em torno da foto de índios isolados na Amazônia. Para essa discussão, ela utilizou o conceito de “encadeamento midiático”, com o qual venho trabalhando. Em virtude da proximidade de seu artigo com os temas que vêm sendo abordados neste blog, sugeri que ela fizesse um resumo de seu trabalho para discutirmos aqui. Vejam abaixo o resultado.

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Encadeamento midiático dos índios isolados

Sim, concordo com o conceito de Primo: há encadeamentos midiáticos entre tipos de mídia de massa, nichos e micromídias, nos quais são percebidos alterações de valor.

A primeira foto dos índios isolados na internet foi divulgada pelo blogueiro Altino Machado, de Rio Branco-Acre e na revista Terra Magazine, em 23 de maio de 2008. Altino recebeu do sertanista da Funai José Carlos dos Reis Meirelles Júnior e quis sensibilizar a opinião pública contra madeireiros peruanos que prejudicam as tribos.

Em dois dias, o encadeamento se alastrou na blogosfera: blog português Tupiniquim, blog do Edvaldo, deputado do Acre, blog da Glória Peres e outros. No circuito transnacional: Reuters e Global Voices em inglês, russo e francês em 24 horas.

Uma semana após, a ‘velha mídia’ Folha de São Paulo ilustrou a manchete com a ‘velha imagem’.

A divulgação causou reação imediata: o governo do Acre criou novos postos de guarda para proteger os índios dos madeireiros peruanos.


A falácia da novidade: contra-encadeamento

Os indígenas amazônicos interagem com a civilização desde 1800. Quem não sabe, quando lê “índio isolado”, tem impressão que é ‘novidade’. Um mês após a primeira divulgação, circulou na mídia internacional que a imagem era fraude. Isso porque o jornalista Gabriel Elizondo, correspondente da Al Jazeera no Brasil entrevistou o sertanista Meirelles em Feijó-Acre e disse que os índios são ‘conhecidos’ desde 1910.

A partir daí, Peter Beaumont, jornalista especialista em Oriente Médio, do jornal inglês The Observer deduziu que não era uma “descoberta inédita” e concluiu ser uma farsa.

Começa outro encadeamento midiático, com valor alterado. Para a Radio Nederland: ‘Tudo não passou de uma fábula’ do governo brasileiro e das ONGs. Para o espanhol El Pais: “una historia bonita, pero un fraude”. As organizações WWF e Aidesep negaram as acusações em suas páginas oficiais.

O sertanista Meirelles divulgou nota e a Survival Internacional apresentou denúncia na Comissão de Controle da Imprensa do Reino Unido. Beaumont, que primeiro quis processar a ONG, pediu desculpas e admitiu ser a sua versão “imprecisa, enganadora e distorcida”. Porém, a reprodução da imagem com valores alterados foi usada por madeireiros contra as ONGs, em veículos da imprensa local no Peru.

 

Os diálogos transculturais

As migrações de valores são evidentes nos posicionamentos relativos dos nós do encadeamento, ou o que Braga (2008, p. 206) chama de thread: “três ou mais postings por duas ou mais pessoas orientadas para um único tópico”. São comentários deixados por leitores. No blog do Altino há 16 comentários. Dentre eles, dois evidenciam uma visão cultural contrária sobre a ‘gestão’ dos índios:

“Marystela Ricciardi disse…
Altino, (…) Maravilhosa a sensação de ter a certeza de que os índios estão lá na sua cultura original e sem intervenções de brancos para alterá-la.

Anônimo disse…
Posso estar errado, mas acho um pouco de egoísmo nosso manter esse povo longe do progresso somente para podermos ver como eles se mantém sem nosso avanço. O governo deveria ter um programa de adaptação digna ao mundo moderno.”

São conteúdos imbricados em torno de uma mesma questão, cognitivamente relacionados, sem as pessoas se conhecerem ou manterem conexão. Encadeamento midiático é isso, um fluxo de interpenetração e intertextualidade entre veículos, em diferentes níveis quanto a sua materialidade, equalizados pelo dispositivo das tecnologias digitais, reflexos das representações uns dos outros.

 





Parte 3/3 – A cobertura dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann em jornais, blogs e no Twitter

18 11 2008

Nos últimos dois posts busquei relatar brevemente os dados da pesquisa que realizei sobre como se deu a cobertura e o debate dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann  nos jornais, blogs e no Twitter. Na última parte desta série, quero apresentar algumas conclusões gerais (se preferir, leia meu artigo completo sobre a pesquisa).

Durante os 16 dias que acompanhamos matérias, cartas de leitores, posts e tweets que mencionavam os casos, foi possível identificar o fenômeno que chamo de “encadeamento midiático” (leia mais sobre isto neste artigo). Ou seja, observou-se uma intertextualidade entre os diferentes níveis midiáticos: mídia de massa, mídia de nicho e micromídia (e seu sub-tipo micromídia digital). Tanto os cidadãos comuns utilizaram seus posts para comentar o caso e analisar a cobertura da grande mídia, quanto estas instituições se referiram em seus jornais aos blogs e Twitter, como também se aproveitaram destes meios digitais para divulgar matérias e links para suas páginas na Web.

Quanto ao tempo, observou-se que a blogosfera reage com grande velocidade aos fatos noticiados na mídia. Como se pôde constar nos gráficos gerados pelo Technorati, assim que o caso Isabella Nardoni chegou aos veículos jornalísticos, os blogs passaram a falar ativamente sobre a menina. Se antes não se verificava a ocorrência de seu nome, assim que se noticiou o fato, o Technorati e Blogpulse apontaram picos de postagem sobre ela.

Por outro lado, o caso Madeleine, de repercussão internacional, vinha sendo pouco coberto na mídia tradicional, em virtude da ausência de novos fatos. Apesar disso, e mesmo antes do aniversário de um ano do desaparecimento da inglesa, blogs e Twitter permaneciam falando do caso. Isto é, o timing na blogosfera e em micro-blogs se diferencia daquele da mídia tradicional. Em virtude do constrangimento de espaço e tempo em rádios, TVs, jornais e revistas, só o que é mais atual e cumpre os critérios de noticiabilidade é veiculado nos veículos jornalísticos. Mesmo instituições midiáticas do mundo inteiro usaram o Twitter para tratar do caso Madeleine em dias que jornais e TVs não abordavam o tema.

Durante os 16 dias da análise dos 3 jornais da amostra, observou-se outros casos explícitos de encadeamento midiático. Veja abaixo apenas alguns deles:

  • O caderno Donna de Zero Hora, em uma matéria sobre homens na cozinha (27/04), citou blogs do nível micromidiático dedicados à gastronomia. 
  • O mesmo jornal reproduz trechos do blog da cantora Maria Rita (do nível de nicho) sobre sua turnê em Porto Alegre (6/05). 
  • A Folha de São Paulo fez uma nota sobre a resposta da pré-candidata Hillary Clinton à acusação de blogs políticos de que teria cometido uma “gafe racista” (9/05). 
  • Em uma matéria sobre o dossiê da gestão Fernando Henrique, a Folha relatou que cópias de um post do blog de José Dirceu foram distribuídas para a imprensa durante um evento. 
  • Sobre o caso Isabella, O Sul publica a seguinte matéria de página inteira (28/05): “Caso Isabella vira ‘febre’ na Internet. Comoção se reproduz virtualmente, e debate sobre o crime toma conta do Orkut, de blogs e portais de notícias”.

Enfim, o interesse que motivou essa pesquisa foi justamente confrontar a polarização que muitos fazem entre a micromídia digital e as mídias de massa e de nicho. Além do encadeamento midiático, foi possível demonstrar empiricamente que blogs e Twitter não são apenas produções espontâneas de pessoas comuns. Como se viu, as próprias instituições midiáticas tradicionais vêm utilizando tais meios digitais para a divulgação de notícias e atração de novos leitores (e, portanto, audiências para seus anúncios). Por outro lado, esse mesmo público se expressa e interage na blogosfera e em micro-blogs debatendo as notícias lidas. Além disso, desempenham uma função de watchdog da grande mídia, avaliando e criticando as coberturas sensacionalistas.

Para além de uma simples polarização entre broadcasting e narrowcasting, a estrutura midiática contemporânea complexificou-se, ampliando as vozes e intensificando a circulação e debate de informações.

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PS: Peço desculpas ao leitores pela demora que tomou a publicação desta terceira parte. Mas nas últimas 3 semanas estive viajando por 4 destinos e em diferentes eventos. :-O





Parte 2/3 – A cobertura dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann em jornais, blogs e no Twitter

30 10 2008

Este segundo post sobre o encadeamento midiático entre blogs, Twitter e jornais dá prosseguimento à análise da cobertura e da discussão sobre os casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann.

Conforme relatei antes, todos os textos sobre aquelas investigações publicados nos 3 jornais da amostra e no Twitter foram coletados entre 27 de abril a 12 de maio de 2008. Por outro lado, como o volume de textos na blogosfera era significativamente maior, não foi possível ler e classificar todos os posts disponíveis. Logo, utilizou-se o mecanismo de busca Technorati para a geração de gráficos do volume de publicações diárias sobre os casos. Em virtude de limitação da ferramenta de gráficos desse serviço, as imagens abaixo mostram um período maior do que os 16 dias antes analisados:

Para ampliar, clique na imagem

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Os gráficos acima consideram apenas os posts que mencionavam os nomes completos de Isabella Nardoni e Madeleine McCann. Ou seja, sabe-se que o número de posts sobre os dois casos investigados é muito maior, pois muitos são aqueles que se referem às meninas apenas pelo primeiro nome ou por apelido. Mesmo assim, tal expediente foi necessário pois a filtragem de textos que tratavam de outras pessoas com os mesmos nomes não seria possível.

Como se vê, os mesmos picos observados nos gráficos do post anterior sobre as publicações no Twitter também estão presentes nos gráficos acima. O aniversário de desaparecimento da menina inglesa, a divulgação dos laudos que incriminavam o pai e a madrasta de Isabella e a entrevista da mãe desta última coincidem com um aumento significativo de postagens. Esses dados revelam que blogs e microblogs são muito responsivos à materiais jornalísticos. Esses espaços virtuais sediam um debate público continuado sobre os mais diversos temas. (Claro, deve-se reconhecer que uma importante parcela dos posts provinha de blogs jornalísticos.)

Pode-se observar que os posts sobre de Isabella Nardoni aparecem na blogosfera logo após a divulgação da notícia da morte da menina. Antes disso, não se observa nenhum post que mencione a menina. Por outro lado, diferentemente da grande mídia, a blogosfera permanecia tratando do caso Madeleine mesmo que não houvesse nenhuma notícia nova (no período anterior ao aniversário das investigações). Ou seja, os blogs oferecem mediação para que notícias não sejam esquecidas no dia seguinte ou que sejam simplesmente assimiladas sem maior crítica. Pelo contrário, no breve período investigado, e mais especificamente no Twitter (onde se fez uma categorização das mensagens), foi possível reconhecer uma reflexão pública contínua sobre os fatos noticiados, sobre violência contra crianças, como também um debate crítico sobre a exploração da mídia sobre os casos.

Veja a seguir um gráfico gerado pelo mecanismo Blogpulse que ilustra comparativamente os picos de publicação de posts que mencionavam os nomes completos das meninas.

No post de segunda-feira discutirei as principais conclusões desta investigação. Além disso, vou compartilhar o texto completo da pesquisa.





A cobertura dos casos Isabella Nardoni e Madeleine McCann em jornais, blogs e no Twitter – parte 1/3

29 10 2008

Existe um “encadeamento” entre blogs, microblogs (mais especificamente o Twitter) e jornalismo tradicional? Essa foi uma das questões que me levou a acompanhar a cobertura de dois casos que movimentaram a imprensa e a opinião pública no primeiro semestre deste ano.

Muito discutimos sobre a importância da blogosfera no debate e na circulação de notícias. Além disso, circulam também muitas hipóteses sobre como um meio com apenas 140 caracteres (os microblogs) podem participar da cobertura de fatos noticiosos e de sua discussão. Ao mesmo tempo, circulam ainda muitas idéias preconceituosas que desconfiam que blogs e o Twitter oferecem pouca ou nenhuma contribuição social. E mais, inclusive antogonizariam com o que se entende (ou se entendia) por jornalismo.

A partir desses elementos, parti para uma observação sistemática da circulação de notícias e discussões sobre dois casos de violência contra crianças que, na época do estudo, ocupavam as primeiras páginas dos jornais. Para tanto, busquei reunir todo o material sobre os casos Isabella Nardoni e Madeleine McCain que encontrei em 3 jornais brasileiros (Folha de São Paulo e os jornais gaúchos Zero Hora e O Sul), na blogosfera (via Technorati) e no Twitter (via Twitter Search, antes chamado de Summize). O período analisado foi de 27 de abril a 12 de maio de 2008. O 16o. dia foi incluído em virtude da entrevista da mãe de Isabella no Fantástico, no Dia das Mães.

Durante o intervalo mencionado, quantificou-se o número de matérias (no miolo e na capa) e o número de cartas de leitores presentes nos 3 jornais avaliados. Os resultados podem ser observados na tabela a seguir. Vale lembrar que a dimensão das matérias (em cm/col) não foram consideradas.

No mesmo período, foram encontrados 440 tweets sobre o caso Isabella e 188 sobre o caso Madeleine (que completava naquele momento um ano de investigações). Cada uma dessas mensagens foi lida e classificada. Buscou-se avaliar se elas citavam organizações midiáticas tradicionais ou se eram de autoria dessas mesmas instituições (visando identificar o encadeamento midiático), se traziam opiniões sobre os casos, ou se faziam piada (humor negro) sobre as notícias. Tweets de outros tipos foram aglutinados na categoria “outros”. Como se verá no gráfico sobre o caso Madeleine, 4% das mensagens não puderam ser avaliadas em virtude do idioma.

No primeiro caso, foram encontrados 145 links para outros sites. Dentre as mensagens que citavam os meios massivos, 134 criticavam a cobertura da mídia. Ao investigar-se quais hashtags foram utilizadas para organizar a discussão sobre o caso, as seguintes foram encontradas: #isabella (9); #casoisabella (15); #isabellanardoni (5); #nardoni (1).

Já o caso Madeleine movimentou 178 tweets. Como se vê na imagem seguinte, a maior parte das mensagens (70%) foi enviada pelas próprias organizações midiáticas, trazendo links para as matérias em seus sites jornalísticos. Dentre os tweets que mencionavam os meios de comunicação de massa, apenas 4 faziam críticas à cobertura midiática. No total, foram registrados 148 links em tweets para outros sites na Web. Apenas uma hashtag foi encontrada: #madeleine

A seguir, veja a ilustração da quantidade de tweets nos dias observados. Os picos no gráfico indicam discussões sobre o primeiro aniversário do desaparecimento de Madeleine, a entrevista da mãe de Isabella no Fantástico e a divulgação dos laudos deste caso.

Em um próximo post eu apresentarei os resultados sobre a cobertura dos casos na blogosfera e darei continuidade à discussão dos dados desta pesquisa.

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PS: Agradeço especialmente a Ricardo Golbspan pela dedicada participação nesta pesquisa





Crescem os blogs privados

24 04 2008

Diário com cadeado Nos primeiros anos dos blogs, utilizou-se o diário íntimo como metáfora explicativa para esse novo fenômeno na Web. Essa comparação logo foi criticada, tendo em vista que diários são privados e blogs já nasceram públicos. Ou seja, a escrita de diários íntimos e blogs possuem objetivos distintos. Por outro lado, hoje observamos um crescimento de blogs privados, protegidos por senhas ou escondidos dentro de intranets organizacionais.

É muito difícil encontrar estatísticas sobre o número de blogs privados. Esta dificuldade é também relatada por Scoble e Israel no livro Naked Conversations. Esses autores, no entanto, entrevistaram Anil Dash, vice-presidente da Six Apart, que produz o blog/programa Movable Type. Segundo ela, em 2005 32% clientes da empresa já mantinham blogs privados. Esse número teria sido absurdamente ampliado nos últimos 2 anos. É interessante observar que o Blogger e o WordPress.com só incluíram o serviço de blogs privados em 2006. Ou seja, trata-se de fenômeno mais recente na Web, comparando com a o tempo de existência dos blogs.

Blogs privadosMas por que abrir um blog, para logo em seguida fechá-lo para o acesso público? Seria apenas um retorno potencializado da escrita de diários pessoais?

Eu confesso que tenho dificuldades em acreditar que hoje os blogs privados aproximam-se de quase metade da blogosfera, tendo em vista a quantidade gigantesca de blogs públicos. Na falta de estudos mais detalhados, tampouco sabemos quais os gêneros mais dominantes nesta blogosfera “obscura”. Mas o que sabemos é que o potencial da interface dos blogs vem sendo reconhecido pelas organizações como uma importante forma de comunicação interna. Equipes de trabalho podem utilizar os blogs para tornar o conhecimento tácito de uma empresa em conhecimento explítico. Esses blogs/texto servem também para a rápida atualização de novos membros no grupo, que rapidamente tomam ciência dos avanços e decisões no projeto.

Blogs privados também são utilizados em ambientes de educação a distância para o registro dos avanços dos educandos, para a condução de trabalhos em grupo e, claro, para a interação entre os participantes dos cursos. Grupos de pesquisa podem fazer uso privado de blogs para o desenvolvimento de projetos científicos e escrita de artigos. Enquanto o artigo não é finalizado, o grupo pode preferir manter em sigilo os dados coletados até então.

Blogs/programa podem servir de interface para a criação de textos literários, sem que se precise carregar o arquivo consigo durante viagens. É o que fez Alex Castro, do blog Liberal Libertário Libertino. Para escrever seu romance Empregadas & Escravos, ele abriu um blog privado onde acaba de terminar o primeiro episódio da história: Cães. O autor distribui convites para os interessados em ler e comentar o texto.

Outro uso interessante é desenvolver um blog apenas para amigos ou família. Dia desses, ouvi uma professora relatar que abriu um blog privado para interagir com seu marido enquanto permanecia fora do país.

É, os blogs continuam desafiando as definições e metáforas que tentam reduzi-los a este ou aquele gênero específico.





Interney Blogs na Compós: micromídia digital e encadeamento midiático

19 03 2008

Logo da CompósJá estão no ar os trabalhos aprovados para o XVII Encontro da Compós. Trata-se de um dos eventos nacionais mais importantes na área da Comunicação. Neste ano estarei apresentando no GT Cibercultura e Comunicação o artigo “Interney Blogs como micromídia digital: Elementos para o estudo do encadeamento midiático”. O trabalho pode ser acessado aqui ou no próprio site da Compós (viste a biblioteca de cada GT para acessar todos os textos).

Durante o texto, busco mostrar que os conceitos de broadcasting e narrowcasting não são mais suficientes para o estudo da estrutura midiática contemporânea. Nesse sentido, utilizo a tipologia de Thornton (mídia de massa, mídia de nicho e micromídia) para o estudo dos blogs. Ao reconhecer a especificidade dos blogs independentes em relação a outras formas de micromídia, como fanzines e rádios livres, sugiro que aqueles fazem parte de uma sub-categoria: micromídia digital.

Logo do Interney BlogsPara o debate sobre quando blogs são mídia de nicho (ou mídia segmentada) ou micromídia digital, discuto as interações nesses espaços através do conceito de contrato de comunicação de Charaudeau. Mas, para essa argumentação não ficar muito abstrata (!), faço uma análise empírica sobre o condomínio de blogs mais conhecido do Brasil, o Interney Blogs.

Após questionar a simplista oposição entre blogs e mídia de massa (update: no sentido de que os primeiros nos salvariam definitivamente das corporações midiáticas. Claro, blogs nunca serão massivos!) e apontar o uso de blogs/programa por indústrias culturais (como o Bloglogs da Globo), eu proponho uma discussão sobre o que chamei de “encadeamento midiático”. Ou seja, a inter-relação entre os diferentes níveis midiáticos. Durante essa argumentação, busco demonstrar a intertextualidade existente entre os níveis massivo, de nicho e micromidiático. E, claro, relato como os blogs de micromídia digital analisam temas encontrados na mídia tradicional, e como eles também pautam notícias nos veículos de grandes corporações. Finalmente, aponto como a própria micromídia digital pode retroalimentar as indústrias culturais hegemônicas.

Espero poder explicar tudo isso melhor em futuros posts. Por enquanto, fica a dica de visitar as páginas dos GTs e conhecer o que será discutido no Encontro da Compós, que será realizado em São Paulo, entre 3 e 6 de junho.

Em tempo: aproveito para agradecer a participação dos blogueiros do Interney Blogs na pesquisa. Agradeço também a mestranda Sandra Bordini que me ajudou na análise da propaganda veiculada naqueles blogs.

UPDATE: Meu artigo sobre o Interney Blogs foi eleito, durante a realização da Compós 2008, o segundo melhor trabalho apresentado no GT de Cibercultura. Agradeço os votos dos participantes e a organização da Compós pela menção honrosa.