A Análise de Redes Sociais (SNA) de vez em quando é chamada de um método sem uma teoria. Mesmo assim, ela vem entusiasmando nós pesquisadores da cibercultura por poder apresentar uma série de métricas e grafos (como o reproduzido abaixo) para o estudo de redes sociais, cujas estruturas são explicitadas na Web através de links.
Por outro lado, o blog BubbleGeneration traz uma provocativa crítica e postula: “o grafo não é a rede”, em um claro trocadilho com a máxima “o mapa não é o território”, de Korzybski. Segundo este filósofo, a abstração de algo não é a coisa em si. Em outras palavras, é como se um artista fizesse uma escultura observando uma modelo e mais tarde defendesse que a escultura é a própria modelo (usei essa ilustração neste artigo sobre inteligência artificial).
Em um minúsculo post, o BubbleGeneration defende que o grafo é diferente da rede social, pois o primeiro é um estoque, enquanto o segundo é um fluxo.
De toda forma, entendo que a SNA pode oferecer dados quantitativos sobre a estrutura de uma grande (ou enorme!) rede social a partir do registro dos links e suas direções (ou seja, se um nó envia ou recebe um link, ou se trata-se de uma conexão recíproca) em um determinado momento. Contudo, as diferentes fórmulas que podem ser aplicadas a esse retrato não podem revelar a dinâmica social que extravasa a (ou se esconde na) mera fotografia da interconexão explícita entre os nós.
Ou seja, o problema do uso de grafos sociais emerge quando se passa a acreditar que eles são uma prova suficiente para a interpretação dos relacionamentos entre as pessoas. Essa postura pode perigosamente travestir o carcomido corpo estruturalista com nova e sensual roupagem!
Para ilustrar de forma lúdica o problema em se tirar conclusões definitivas sobre a dinâmica social sem conduzir-se uma observação qualitativa durante um certo período de tempo, responda as perguntas a seguir baseando-se na imagem abaixo:

1 – A família Jones é formada pelo senhor Jones, senhora Jones e Johnny;
2 – Johnny está fazendo seu dever de casa enquanto assiste TV;
3 – A senhora Jones está tricotando um blusão;
4 – Eles têm um gato;
5 – Eles estão olhando um programa noturno de TV.
A imagem e essas perguntas (reproduzo apenas algumas delas aqui) foram publicadas em um livreto sobre comunicação em 1968. Apesar de alguns pressupostos daquele texto estarem desatualizados, esse exercício ainda é bastante interessante. Veja abaixo as respostas que o antigo livreto traz para as questões anteriores:
1- Você não sabe de fato se esta é a família Jones, nem tampouco se existem outros membros da família que não estão presentes;
2 – Você não tem como saber se Johnny está fazendo dever de casa ou não. Você sabe apenas que ele tem um livro diante de si;
3 – Você não pode ter certeza que trata-se da senhora Jones, nem o que ela está tricotando;
4 – Poderia ser um gato do vizinho “sentindo-se em casa”;
5 – Você não sabe se é noite ou não, apesar das luzes estarem ligadas. Pode ser meio-dia, mas as cortinas foram fechadas.

Enfim, creio que a SNA pode coletar e analisar grandes volumes de dados. Esse método e suas métricas podem oferecer importantes indícios sobre os relacionamentos mantidos em serviços na Web como blogs, redes de relacionamento, fóruns, etc. Por outro lado, é preciso conduzir em paralelo, ou em um momento seguinte, investigações qualititativas (como análise das conversações, entrevistas, etc.) para o estudo daquilo que os grafos estáticos não podem revelar… antes que as dinâmicas sociais sejam reduzidas à troca econômica de links. Caso contrário, o estudo quantitativo de laços, me perdoem o trocadilho infâme, vai apenas encontrar nós cegos.
to be continued…
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Justificativa: Diante de um imenso público de adolescentes que ingressaram em uma profissão muito cedo, este novo serviço de interação online de redes de tráfico buscará misturar características de diversão juvenil do MySpace com funcionalidades profissionais do LinkedIn.
Justicativa: Como o orkut oferece apenas uma interface para colecionar amigos, comunidades de interesse e ferramentas para julgar se uma pessoa é confiável (ícone de sorriso), legal (ícone do gelo) e sexy (ícone de coração), esta rede visa um novo nicho. Através dela você poderá reunir seus inimigos, disparar spam e vírus para todos ao mesmo tempo, julgá-los com ícones de facas, forcas e gotas de sangue.
Justificativa: A web não é uma rede igualitária. A maior parte dos brasileiros não tem acesso ao ciberespaço. E, como se não bastasse, uma rede de relacionamentos para a elite abastada está para ser lançada:
Justificativa: Este serviço baiano, que leva este singelo título, serve para… nada. Afinal de contas, uma boa rede é para se descansar.
Diante de uma questão do 