Microsoft contra-ataca campanha da Apple, mas sem a mesma criatividade

22 09 2008

Se você circula pelo mundo da tecnologia, e mesmo que não use um Mac, já se divertiu com a campanha da Apple em que um gordinho conservador diz ser um PC e um cara descolado se apresenta como Mac. A série de comerciais tirava um sarro de quem usa Windows, com muita ironia e com orçamento baixíssimo (ou seja, pura criatividade). Veja abaixo alguns exemplos.

E que tal esse com Gisele Bündchen?

Depois de muitos anos, a Microsoft decidiu contra-atacar. Primeiro lançou os vídeos abaixo, nos quais, para tentar fazer alguma graça, Bill Gates chega a rebolar e imitar um robô. Nem o aposentado humorista Jerry Seinfield (que usava macs em seu seriado) conseguiu salvar esses vídeos.

Já li algumas “leituras semióticas” desses comerciais, que tentam desvendar o sentido oculto nos roteiros! No primeiro vídeo, os sapatos apertados que Gates experimenta representariam a Apple. Já disseram que a velhinha chata do segundo comercial seria Steve Jobs, já que ela trabalha há 12 anos na casa, o mesmo tempo de Jobs na Apple. Enfim…não tenho paciência para fazer um esforço para vislumbrar onde essa desastrada campanha queria chegar. Tanto é que foi cancelada.

Agora, a Microsoft lança novos comerciais, mostrando pessoas comuns repetindo o bordão “Hi, I’m a PC”  (viaUbimídia). De fato, a campanha é mais criativa. Contudo, chama ainda mais atenção para os comerciais anteriores da Apple.

Nessa briga videográfica, para mim quem fica com a última palavra é a inspirada quadrinista Nitrozac. Ela sim sabe o que diz!





As imposições da tecnologia na indústria moveleira

26 03 2008

A perspectiva mcluhaniana defende que as tecnologias nos servem como extensões. Sabemos do suporte que as interfaces digitais oferecem para as atividades cognitivas. A ciberarte e o design digital há muito nos mostram como a informática permite a ampliação do potencial criativo. Por outro lado, Arlindo Machado (2001, p. 41), um dos principais estudiosos da comunicação, faz também um alerta:

Desgraçadamente, porém, essas mesmas máquinas e programas se baseiam, em geral, no poder de repetição, e são os conceitos da formalização científica o que elas repetem até a exaustão. A repetição indiscriminada conduz inevitavelmente a estereotipia, ou seja, à homogeneidade e à previsibilidade dos resultados. criatividadeA multiplicação, à nossa volta, de modelos pré-fabricados, generalizados pelo software comercial, conduz a uma impressionante padronização das soluções, a uma uniformidade generalizada, quando não a uma absoluta impessoalidade, conforme se pode constatar em encontros internacionais tipo Siggraph, nos quais se tem a impressão de que tudo o que se exibe tenha sido feito pelo mesmo designer ou pela mesma empresa de comunicação.

De fato, é interessante observar como a facilidade de uso de muitos recursos dos programas de criação gráfica acabam por determinar uma estética padronizada. Quando o Photoshop incluiu o efeito de sombreamento (drop shadow), muitos textos e logotipos passaram a ter “sombrinha”. Hoje, grande parte das animações tem aquele jeitão do software Flash.

Quarto moduladoEm fevereiro, aproveitei o intervalo de almoço para visitar as principais lojas de móveis modulados para reformar nosso quarto. Observei que todas as empresas utilizam o mesmo software (ProMob) e trabalham com MDF (provavelmente do mesmo fornecedor). Fiz projetos em todas as empresas que visitei, pude constatar que até o design era similar. Tendo em vista o processo industrial e a produção em série de modulados, a própria critatividade fica comprometida.

Também comprei algumas revistas especializadas. Nas fotos de ambientes projetados por renomados arquitetos, encontrei as mesmas linhas retas, impostas pelo linha produtiva, os mesmos gavetões e as mesmas texturas falsas. Sumiram as curvas! De Florense a micro-empresas de modulados, quase tudo se resume a disposição de caixinhas. Mudam os puxadores e dobradiças, mas os ambientes acabarão todos se resumindo a cantos retos, ao encaixe de placas de MDF.

Se o seu quarto também é modulado, provavelmente é muito parecido com o meu!





Você sabe que está usando muito o computador quando…

26 02 2008

Nerd…você diz para a sua esposa em uma loja no shopping: “Que tecido macio! Clica para ver…”.





A retórica da tecnologia dos tênis

25 02 2008

Acho muito divertido escutar os vendedores de lojas esportivas recitarem a mesma ladainha sobre a tecnologia usada em cada tênis. Claro, sabem uma ou duas frases sobre como aquela marca lhe transformará no novo campeão olímpico. É bem verdade que a tecnologia utilizada pelos diferentes fabricantes evoluiu muito na última década. Mas, convenhamos, muito do que se diz é pura retórica marketeira!

NikeSe você for ao exterior e avistar alguém usando Nike Shox, pode sair falando português que deve ser algum conterrâneo. Nunca um tênis caiu tanto no gosto do brasileiro quanto esse modelo. Abaixo do calcanhar parece haver um sistema de molas, como aquele utilizado por personagens de desenho animado em fuga. Já vi professor de educação física relatando os problemas ortopédicos que esse tênis pode causar. De qualquer maneira, ainda é o mais indicado para caminhar no shopping.

Procurei sem sucesso o comercial de lançamento do sistema Shox, no qual várias pessoas corriam em esteiras ao som de “bóings”, que remetem à idéia da propulsão de molas. Mas achei esse outro, que busca passar a mesma imagem persuasiva:

Adidas BownceMas o legal de toda moda é que ela passa. Como é fácil hoje comprar falsificações do Shox, o melhor é passar para o Adidas Bounce.

O nome desta tecnologia remete ao movimento de saltar, “quicar”. O design com bolinhas no solado apela justamente para essa idéia.

Mizuno Wave Já o sistema Wave da Mizuno trabalha com a propagação de energia em forma de onda. Mas o que funciona retoricamente é a imagem de onda do mar, com a qual se parece o design das borrachas coloridas abaixo do calcanhar. O movimento do mar e até mesmo o prazer de estar ou correr na praia também agem na mente no momento da decisão de compra.

Quer saber como funciona a tecnologia Wave? Não deixe de ver o vídeo “homenzinhos”.

A tecnologia DMX da Reebok também se baseia no processo de dissipação do impacto, através de “almofadas” que movimentam o ar em seu interior.

Reebok

Apesar de uma enorme variedade de sub-tipos, a marca DMX não tem o apelo que Shox, Bounce e Wave. A tecnologia é realmente boa para os pés dos atletas, mas funciona muito mal na mente dos consumidores.

OlympikusMas preciso confessar, o meu sistema preferido é o da Olympikus. A tecnologia Tube é revolucionária (é, “tubo” seria muito tupiniquim…melhor apelar sempre para estrangeirismos!!!). Ela se baseia no mesmo sistema de engenharia adotado em prédios japoneses. Ora, se é bom para vigas, certamente é bom para seu calcanhar!

All StarO Converse All-Star nunca entrou nessa briga. A empresa continua satisfeita com seus poucos milímetros de esponja. Diante de tanta humildade, quero oferecer gratuitamente meus préstimos publicitários. Depois de muita pesquisa, aqui vai o slogan que criei: “All-Star – total impact” (claro, “impacto total” seria muito tupiniquim).

O único perigo é cortar o pé ao pisar com o All-Star em uma gillette deitada no chão.





Por que a NET desrespeita tanto seus clientes?

21 02 2008

Net desrespeita seus clientesA resposta para a pergunta do título é simples: oligopólio. Como na maior parte das cidades a Net é a única operadora de TV e internet a cabo, eles não estão muito preocupados em atender bem seus clientes. “Como somos a única opção, ralem-se os clientes”. Sei que em Pelotas a Net tem uma concorrente importante. Não é surpresa saber que lá existem outros preços e pacotes. Infelizmente, o atendimento telefônico da Net é tão ruim quanto em qualquer outro lugar, já que os robôs, digo, atendentes do telemarketing são os mesmos.

Nos últimos 3 ou 4 meses tive de ligar diversas vezes para a Net, por diferentes problemas. O tempo de ligação é longo, o sistema informático da empresa é lento e freqüentemente as ligações caem. Você precisa então repetir todos os dados, reclamações, etc. Em um domingo, minha ligação caiu 3 vezes. Você acha que eu tenho pouca paciência por ficar irritado ao ter de repetir 4 vezes o número de meu CPF, endereço e toda a ladainha de problemas?

E como reagir ao ouvir a funcionária Camila insistir que eu teria feito uma compra de um pay-per-view do Cartoon Network mesmo que por 40 minutos eu tenha repetido que não tenho filhos e nem sei onde fica a loja da Net? Por que ela confiaria em minha palavra se o sistema dela informava que “alguém” teria ido pessoalmente à Net em Porto Alegre adquirir esse pacote? Claro, o sistema não tinha detalhes sobre quem teria feito isso. Em outras palavras, ao mesmo tempo que me chamava de mal-pagador, dava a entender que eu estava mentindo. Depois de muito lero-lero, a petulante funcionária avisa que retiraria a cobrança em “caráter de exceção”! Obrigado pelo carinho, Camila Net.

Ontem, pelo terceiro mês consecutivo meu sinal foi cortado. Detalhe: eu cadastrei a fatura em débito em conta. A Net não conseguiu fazer o débito e, claro, passou para mim o problema. Depois de uma demorada ligação, fiquei sabendo que eles me devolveriam o sinal por apenas um dia diante de uma “promessa de pagamento”. Mais uma vez sou tratado como picareta. E não importa se eu tinha outros compromissos. Eu deveria ir correndo ao banco para manter meu acesso ao Vírtua.

Como não achei a fatura de fevereiro, me orientaram que eu fosse ao site buscar uma segunda via. Depois de preencher um longo cadastro no site (graças à gentileza da Net em me devolver o sinal por 24 horas), encontro a seguinte tela:

Onde está a fatura?

Isto é, o site não tinha a fatura de fevereiro!!!! Nova ligação, nova espera, repete CPF, repete endereço, repete reclamação….

É ou não é muito desrespeito? Mas a Net não se preocupa em melhorar seu atendimento. Eles são os únicos no pedaço. Nem sequer divulgam o seu número gratuito: 0-800-7010358. Claro, é você que tem que arcar com a despesa das longas ligações.

Mas essa brincadeira vai começar a ser regulada pela Anatel. A partir de 2 de junho entra em vigor o Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes dos Serviços de Televisão por Assinatura. Com isso, a Net vai precisar utilizar um telefone gratuito para reclamações. Quem sabe o atendimento será finalmente agilizado?. Além disso, não poderá mais cobrar por ponto-extra. Ah, já me cobraram isso várias vezes…sem querer, claro, pois eu nunca tive ponto-extra!

Saiba mais sobre essa nova regulamentação nesta página da Anatel. Também vale a pena ler este texto do professor Marcos Dantas sobre outros aspectos do mercado de TV por assinatura que precisam ser regulados.





Entrevista sobre o livro “Interação Mediada por Computador”

30 08 2007

Livro O programa Livro Aberto, produzido pela PUCRS, está veiculando nesta semana uma entrevista sobre meu livro Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição, recém lançado pela Editora Sulina.

Meu colega Juremir Machado da Silva, como sempre, fez perguntas excelentes sobre a vida online.

Veja abaixo a primeira parte da entrevista.

Você pode ver as partes dois e três diretamente no site do YouTube.





Novas redes de relacionamento

29 08 2007

O caderno de informática do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou hoje uma matéria sobre redes de relacionamento voltadas para o trabalho, como o Linkedin e o brasileiro Via6. Dei uma pequena entrevista para essa matéria, mas voltarei a esse tema em um próximo post.

Enquanto isso, gostaria de compartilhar com vocês alguns projetos que venho desenvolvendo na área de redes de relacionamento. As idéias são boas e bem fundamentadas, mas não tenho achado investidores. Vejam abaixo um resumo executivo desses projetos e seus respectivos logos no melhor estilo Web 2.0.

TerrorSpaceJustificativa: Todos sabemos que as organizações terroristas contemporâneas funcionam em rede. E é isso justamente que assusta: se antes podia-se localizar um grupo terrorista em uma determinada floresta, por exemplo, hoje seus membros dispersam-se por vários países mantendo a comunicação entre si. Como se vê, existe aí uma demanda ainda insatisfeita, um importante nicho a ser coberto por uma rede de relacionamentos online para a interconexão dos participantes da rede.

Problema: As fotos em cada perfil precisarão ser bem maiores, para acomodar o tamanho da barba dos participantes. Em virtude da maior dimensão das imagens, os arquivos ficarão mais pesados, prejudicando o tráfego das informações.

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MyTráficoInJustificativa: Diante de um imenso público de adolescentes que ingressaram em uma profissão muito cedo, este novo serviço de interação online de redes de tráfico buscará misturar características de diversão juvenil do MySpace com funcionalidades profissionais do LinkedIn.

Problema: Os perfis dos adolescentes inscritos no serviço rapidamente deixarão de ser atualizados, pois, segundo estudos de marketing, seus responsáveis logo migrarão para a rede dos céus.

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ÓdiosterJusticativa: Como o orkut oferece apenas uma interface para colecionar amigos, comunidades de interesse e ferramentas para julgar se uma pessoa é confiável (ícone de sorriso), legal (ícone do gelo) e sexy (ícone de coração), esta rede visa um novo nicho. Através dela você poderá reunir seus inimigos, disparar spam e vírus para todos ao mesmo tempo, julgá-los com ícones de facas, forcas e gotas de sangue.

Problema: a concorrência deslavada deste site fake: Arsebook.

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Exclu�dobookJustificativa: A web não é uma rede igualitária. A maior parte dos brasileiros não tem acesso ao ciberespaço. E, como se não bastasse, uma rede de relacionamentos para a elite abastada está para ser lançada: Diamond Lounge (dica da Teca). Diante de tanta exclusão digital, o Excluídobook aceitará apenas aquelas pessoas que nunca viram um computador pela frente.

Problema: Nossos pré-testes ainda não chegaram a uma conclusão sobre porque nossos beta-testers não gostaram da interface, o sistema de busca e os fóruns.

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Rede!Justificativa: Este serviço baiano, que leva este singelo título, serve para… nada. Afinal de contas, uma boa rede é para se descansar.

Problema: Levará muito tempo para ser produzida.

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E você, tem alguma sugestão para novas redes de relacionamento?





Uma viagem pela vida e por 8 blogs em meia-hora

23 08 2007

Como venho discutindo as interações na blogosfera, decidi fazer um pequeno passeio nos arredores do WordPress.com. Esse serviço oferece um recurso para se saltar de um blog a outro aleatoriamente. Essa volta está relatada abaixo na mesma ordem em que foi trilhada.

Eric no ZooEric Wong foi ao zoológico de Wichita com os amigos de Ai-Chan. Esse passeio foi tão divertido que rendeu muitas fotos e risadas. Já para Joe Buhler, turismo é coisa séria. Especialista em comércio eletrônico de pacotes turísticos, ele relata que, segundo uma pesquisa recente, os internautas têm dedicado mais tempo à busca e leitura de conteúdo na Web. Buhler percebe que esse dado aponta novas oportunidades para os sites dedicados a viagens. Baz não apenas busca conteúdo na rede, mas também escreve sobre o que mais gosta: música. Além de conversar sobre os melhores raps, Baz gosta de compartilhar clipes engraçados. Gilles07 é outro blogueiro que curte viagens. Ele nunca foi ao carnaval de Nova Orleans, mas recomenda que todo mundo vá. Enquanto isso, Bevin Chu esforça-se em traduzir e criticar matérias publicadas sobre a vida em Taipei. Já Mads Klinkby está mais ocupado em celebrar sua certificação na Microsoft. Agora, ele acumula os seguintes títulos: MCP, MCDBA, MCSD e MCTS. Esse punhado de letras, contudo, não faz o menor sentido para Mediocre Housewife. Ela, que sempre sonhou em casar e ter filhos, está realizada em dedicar-se a sua família. O marido está celebrando 32 anos, é fiel e muito engraçado. Seus filhos, que nasceram de partos difíceis, são lindos e carinhosos. Davor Prcovich, por sua vez, também adora computadores. Mas diferentemente de Klinkby, prefere usar Macs. Prcovich gosta de ajudar as pessoas a usarem melhor suas máquinas. Ele sugere que elas freqüentem fóruns em busca de soluções, mas lembra que devem ter paciência no aguardo das respostas.

Esse breve passeio por blogs sorteados ao acaso nos revela uma amostra da vida que atravessa a blogosfera. É ali que Eric, Gilles07 e seus amigos prolongam a alegria de estarem juntos, que Buhler e Klinkby falam sobre suas carreiras, que uma jovem celebra a decisão de dedicar-se à família e ri dessa opção. É também no virtual que Chu envolve-se politicamente na vida de Taipei e que Buhler lucra com a mobilidade geográfica.

Pois é nesse espaço tecnológico que os dados e afetos circulam, que valores sociais e monetários são trocados, que a economia e as tensões sociais são potencializadas. A blogosfera, no entanto, não é um espelho da vida. Ela é a própria vida. Não é a existência aqui que é lá refletida. Ora, é a mesma vida que escorre e cria liga nesses diferentes cenários.

Um internauta não fixa no blog o que pensa. É com ele que reflete sobre si, sobre os outros e sobre o mundo. Essa interação, claro, modifica a todos. Enfim, no blog lemos o mundo em voz alta. E mais, o blog é um espaço de escrita coletiva: de posts… de subjetividades.





Webmail do Terra: uma aula de falta de usabilidade

19 07 2007

Semana passada perguntei para um webdesigner e ex-aluno quantos cliques eram necessários para ele enviar uma mensagem no GMail. Ele achou graça e respondeu desconfiado: “Depois de aberta a janela, apenas um clique…claro”.

Pois é, mas quem pena no webmail do Terra não tem essa sorte. Mas vamos em câmera lenta, para que você compreenda que “usabilidade” não é um conceito discutido pelas equipes do Terra.

Passo 1: Escreva sua mensagem.

Enviando e-mail no Terra

Passo 2: Pergunte-se por que uma segunda tela questiona se você quer salvar esse endereço na agenda de contatos.

Enviando e-mail no Terra 2

Passo 3: Irrite-se com a singela mensagem “Sua mensagem foi enviada” e o singelo botão de “OK”. Enquanto isso, divirta-se com as propagandas que o Terra obriga você a olhar.

Enviando e-mail no Terra 3Você fica então se perguntando por que o segundo maior portal do Brasil não junta os dois primeiros passos em uma única janela. Intrigado, você indaga por que esta empresa que atua em diversos países da América Latina lhe mostra uma tela apenas confirmando o óbvio. Será que essa informação não poderia ser mostrada através de uma janela sobreposta, programada em Ajax? Ah, talvez o Terra não saiba o que é isso. O caro leitor não precisa conhecer esse jeitão Web 2.0 de programar sites. Mas um portal não saber…francamente. Outra coisa: será que não ensinaram ao Terra que existem outras formas mais inteligentes e menos intrusivas de se ganhar dinheiro com propaganda na segunda geração da Web?

Bem, faz uns dois anos que penso em capturar essas telas para mostrar em aula, mas sempre esqueço. E faz ainda mais tempo que o erro abaixo insiste em ocorrer.

Se você quiser encontrar uma mensagem em sua caixa de correio, basta usar o mecanismo de busca, não é? Sim, mas cuidado…

Busca no Terra

Eu disse que não era para teclar “Enter”! Para que o mecanismo funcione, você deve clicar “Buscar” que fica lá em cima (por que não fica embaixo do campo de busca?).

Busca no TerraAh, você percebeu que os nomes de algumas pastas estão em português, enquanto de outras em inglês? Chique, hein?

Você deve estar frustrado por não saber o que quer dizer “Erro no Dispatch”. Não se preocupe, o Terra não é muito educado. Ele gosta de chamar as pessoas de burras.

Bem, talvez você seja mais inteligente e use o GMail. Enquanto isso, eu vou aqui aprendendo na prática a falta que uma boa usabilidade faz.





O futuro da Web

16 07 2007

Qual será o futuro da Web?Na quarta passada, dei uma entrevista para um jornalista do Estadão, responsável pelo site Link. O jornalista estava interessado em saber qual será o futuro da Web. Ele me questionou se um único site poderá reunir todo tipo de informação e todas as ferramentas de interação em um mesmo lugar. A matéria sobre redes sociais foi hoje publicada aqui. A conversa por telefone durou cerca de 20 minutos, mas o jornalista não deu importância para o que falei e usou sua própria pergunta como sendo minha análise sobre o tema. Bem, vamos ao que eu realmente penso sobre essa questão.

Logo do NetvibesNa primeira geração da Web, os portais serviam como página de entrada na rede. Hoje, na Web 2.0, multiplicam-se os sites altamente personalizáveis, nos quais você pode selecionar e posicionar as informações e serviços que mais lhe interessam. Os principais concorrentes nesta categoria são o MyYahoo, iGoogle, Pageflakes, e Netvibes. Cada um deles oferece uma grande quantidade de módulos de conteúdo: notícias, jogos, quadrinhos, calendário, previsão do tempo, vídeos do YouTube, etc. Além disso, você pode cadastrar seus feeds preferidos. Ou seja, pode assinar os blogs e sites de notícias que mais lê. Em vez de acessar um portal que lhe diz o que há de mais importante, você define o contéudo e a interface que realmente lhe agradam. Já testei o MyYahoo (creio que foi o pioneiro no segmento), iGoogle e Netvibes, e acabei preferindo o último.

Logo do Google ReaderHoje, contudo, a página inicial de meu navegador é o Google Reader. Este site oferece um sistema mais eficiente para a leitura de feeds. A interface, que está longe de ser tão bonita quando aquelas do Pageflakes e Netvibes, tem aquele jeitão conservador que caracteriza o Google. No Reader, posso ver quais são os posts e as notícias mais recentes dos blogs e sites que acompanho. Para quem gosta de blogs, é uma ótima pedida. Pode-se saber em quais deles há algo de novo, sem que se precise visitar um a um. Realmente é muito chato chegar em um blog e encontrar o mesmo post de 2 dias atrás ;-)

Logo do FacebookO Google também tem o orkut, conhecido de todos os brasileiros. Mas, a briga no segmento de redes de relacionamento vem esquentando. Nos Estados Unidos, o todo poderoso MySpace está perdendo espaço para o Facebook. Este último começou como um serviço fechado. Só estudantes universitários e funcionários de certas organizações podiam se cadastrar. Com a abertura dessa rede a qualquer internauta, e com a possibilidade de se personalizar a interface e incluir widgets (até de bichinhos virtuais, versões atualizadas do Tamagoshi), o Facebook ganhou espaço. O próximo alvo pode ser o próprio orkut, já que uma versão em português já está prometida.

Logo do FlickrO jornalista do Estadão queria saber se, ou melhor, ele insistia que uma dessas redes de relacionamento se transformará no site onde encontraremos tudo o que precisamos. Discordo dessa aposta. Quanto mais serviços se inclui em um mesma interface, mais se corre o risco de perder o foco. Veja-se por exemplo o orkut. No dia 11 de julho, a simpática indiana Nandini noticiou no blog oficial do orkut o lançamento de um sistema para a leitura de feeds. OK, mas essa funcionalidade fica muito aquém do Google Reader. O álbum de fotos do orkut também parece muito limitado. Mas como e por que concorrer com o Flickr (em minha opinião, o site mais bem resolvido da Web 2.0)? E para que aperfeiçoar a interface da páginas de vídeos se o YouTube oferece um serviço muito melhor? Se o Google possui todas essas ferramentas, por que não integrá-las em um único site. Estratégia, oras! Quando se tenta acertar em muitos alvos ao mesmo tempo, acaba-se por não acertar nada em cheio.

O jornalista queria saber qual é o futuro da Web. Eu também quero. O Google, o Yahoo, o Murdock e todo mundo também!