Vi domingo no Discovery Channel um documentário sobre o nascimento da chamada “guerra dos browsers”. Dentre as imagens de arquivo, uma delas me chamou a atenção: o depoimento do Bill Gates na justiça negando com desculpas estapafúrdias que teria jogado sujo para destruir o Netscape (o que de fato acabou conseguindo).
Mas a guerra dos browsers não terminou. Além do Firefox vir progressivamente ganhando adeptos, e o Safari manter uma pequena fatia do mercado, agora o próprio Google decidiu tornar o embate ainda mais divertido…e criativo.
Se você usa Windows e ainda não instalou o Chrome (por que não???), com certeza já leu muito sobre ele. Mas o que pretendo neste post é fazer uma breve análise da interface desse novo navegador. (Em tempo: leia também minha análise da interface do Firefox 3).

Após usar o Chrome umas duas ou 3 vezes, a página inicial do navegador passa a lhe mostrar miniaturas das páginas que você mais visita (B). De fato, o Opera tinha algo parecido. Mas, enfim, quem usava o Opera?
Essa página inicial, com o mesmo “look and feel” de um site, apresenta no lado direito uma lista dos últimos favoritos visitados (C) e um campo para buscar endereços no histórico (D). Prático, não?

O botões de navegação (avançar, voltar, recarregar) são muito simples, mas “charmosos”, com linhas com extremidades arredondadas (A). Como se vê, todo o browser mantém essa tonalidade azulada, o que combina com o estilo Windows. Mas será que as futuras versões para Mac e Linux manterão esses tons azulados?
Diferentemente de outros programas, o mesmo campo do endereço da página, serve também para realizar buscas na Web (B). O Google Suggest é usado nessa barra, indicando palavras-chave e sites a serem encontrados na rede. Apesar do Google ser o mecanismo de busca padrão, pode-se alterar essa definição para outro serviço.
É preciso habilitar a barra de favoritos (C), pois ela não aparece logo que se instala o browser. Ela tem um estilo diferente dos outros navegadores, pois não tem o velho jeitão de barra cinza. Logo, parece muito bem integrada à parte superior da interface, que inclusive ocupa pouco espaço na tela.
O Chrome permite a importação de favoritos de outros browsers, como também a criação de pastas na barra de favoritos. E, como no Firefox 3, pode-se alterar a ordem dos favoritos em uma pasta arrastando-os para a posição desejada. A pasta “Outros favoritos” (D) mantém todos os bookmarks que não forem posicionados naquela barra.
Já as abas, como já foi muito noticiado, foram parar no topo da tela. Não parece óbvio isso? Pois é, mas só os designers do Google pensaram nisso.
Mas esse reposicionamento é apenas um detalhe. Todo mundo também já leu que cada aba é gerenciada individualmente. Se uma delas trava, em virtude de um site problemático, o resto do browser segue funcionando. O mais legal do ponto de vista do design, contudo, é a forma com que se pode arrastar as abas para os locais desejados (E). Não apenas se pode agrupar abas em novas posições, como também se pode transformá-las em novas janelas. Basta arrastar a aba para baixo (veja o detalhe ao lado). E tudo funciona super bem, sem trancos no desenho da tela.
Ao se clicar em um link segurando “control” o site abre em uma nova aba. OK, todos browsers recentes fazem isso. O diferencial é que no Chrome a aba se abre ao lado daquela originária, e não ao fim da barra de abas. Faz sentido, pois mantém o que faz parte do mesmo contexto lado-a-lado. Essas são as pequenas definições no design de interação que fazem uma grande diferença.
Diferentemente do que tinha falado antes, a reabertura de abas fechadas recentemente é possível, mas funciona de forma distinta do Firefox. Ao se abrir uma nova aba, a página inicial lista aquelas recém fechadas (obrigado pela lembrança Tiago Sartor). Infelizmente, não existe uma função para abrir abas recém fechadas, como no Firefox (o Safari tampouco tem esse útil serviço). É preciso recorrer ao histórico. Por outro lado, o Chrome não pergunta se você realmente quer fechar todas as abas simultaneamente quando se clica no botão de fechamento da janela. Tanto Firefox e Safari fazem isso, o que previne muitos “acidentes”.
O Chrome, ao meu ver, é um importante passo na sedimentação de um caminho que certamente assusta a Microsoft: a potencialização de aplicativos online. Muitos supõem que o Google lançará no futuro um sistema operacional. Ou seria melhor para eles ter um browser, que funciona em qualquer OS, mas que agiliza o uso de serviços como GoogleDocs e GMail? Bem, o Chrome não apenas oferece uma sólida estrutura para o funcionamento de Java e Javascript, como também permite a criação de ícones no desktop para sites que fazem uso intenso das novas tecnologias da Web 2.0. Para testar isso, criei um “atalho de aplicativo” do Docs e do Gmail.
Ao clicar no ícone do primeiro, o GoogleDocs tomou conta de toda a tela, realmente parecendo um aplicativo instalado na máquina. Contudo, assim que selecionei um texto no qual eu estava trabalhando, uma aba foi criada em uma nova janela do browser. Assim, perdeu-se a sensação de se trabalhar em um aplicativo online. No caso do Gmail, contudo, tudo pareceu funcionar melhor.
Assim como no Firefox 3, o browser oferece-se para salvar seu username e sua senha apenas na página seguinte, após o preenchimento do formulário. É realmente melhor tomar essa decisão depois, na página de chegada, e não na página de partida.
O modo de navegação anônimo (sem cookies e rastros no histórico), muito útil em laboratórios públicos, lan houses (como também para funcionários dispersos e namorados infiéis!), faz a interface ficar acinzentada e inclui o ícone de um personagem misterioso. Certamente isso não faz diferença na funcionalidade, mas dá um excelente (e divertido) feedback visual.
Finalmente, quero também mencionar o funcionamento do campo de busca interno. Vejam que ele aparece no canto superior direito, com um bonito desenho com cantos arredondados. O mecanismo apresenta quantos resultados foram encontrados e pinta todos eles de amarelo. As flechas que indicam “próxima” e “anterior” rolam a tela revelando cada ocorrência, marcando-as em laranja. Excelente.

É uma pena que ainda não há versão do Chrome para Mac
PS: Sim, o Internet Explorer 8 está sendo lançado. Mas não vou resenhá-lo. Preconceito? Acertou!