É possível reinventar o simples cortar/colar? A Apple mostra que sim

18 03 2009

Se eu chegasse em minha disciplina de Design de Interface e pedisse aos meus alunos que reinventassem a experiência de copiar e colar, provavelmente muitos achariam a experiência desnecessária e boba. Essa funcionalidade é tão antiga nas interfaces gráficas que parecia ter atingido a implementação perfeita. Logo, para que mexer em time que está ganhando?

A Apple, contudo, vinha há muito sendo criticada por não ter incluindo o simples recurso copiar/colar no iPhone. Certamente, era uma das limitações mais gritantes daqueles celulares. Pois ontem a Apple anunciou a inclusão daquela funcionalidade na terceira versão do sistema operacional do iPhone, que deverá ser lançado no meio do ano. Grande coisa, você pode dizer. Contudo, eles conseguiram transformar a usabilidade do simples copiar/cortar/colar. A espera valeu a pena!

Um dos grandes diferenciais do iPhone é sua interface. Ele foi um dos primeiros celulares a entender que botões e menus de pequenas telas touchscreen demandam modos diferenciados de interação, tendo em vista que a ponta dos dedos não tem a precisão das canetinhas necessárias em outros dispositivos móveis.

Tive um smartphone com Windows Mobile 5.0. Sempre que tentava dispensar a stylus e fechar janelas com a ponta do dedo ou clicar em outros botões ou menus acabava selecionando coisas erradas. Talvez o melhor fosse deixar a unha do dedo mínimo crescer para usar essa interface com controles tão minúsculos!

Com o OS 3.0 do iPhone, não importa se você tem dedos de colono (!), você conseguirá copiar e colar trechos de texto com grande facilidade. As imagens a seguir (roubadas daqui e daqui) demonstram a usabilidade da nova interface.

Para disparar o processo, basta clicar em alguma palavra. Grandes botões aparecem acima da seleção.

O texto selecionado pode ser ampliado a partir de alças que emolduram a seleção. Enquanto isso, o texto a ser copiado ou cortado é ampliado com um efeito de lente de aumento. Esse recurso pode ser supérfluo, mas facilita o uso da funcionalidade e… enche os olhos!

Você pode ver um passo-a-passo detalhado nesta matéria da AppleInsider. Mais uma vez a Apple nos mostra que pode demorar para lançar um recurso que a concorrência já tem faz tempo. Mas quando decide implementar o que já parece batido, o faz de maneira inovadora. Além disso, prova que a interação com os dedos não pode ser planejada da mesma forma que a interação com um mouse. Em outras palavras: botões grandes!

Ah, antes de terminar, veja como desenhar a interface gráfica de um simples gravador de voz com muito bom gosto:

PS: OK, OK, eu sei que sou um Apple maníaco mala, que só elogia os produtos da empresa. Foi o que fiz em minha resenha do Safari 4. Contudo, com mais uso dessa versão beta algumas coisas tem me irritado bastante. Apesar do programa oferecer mais velocidade para recursos em javascript, a interface do WordPress.com agora não funciona direito (principalmente a inclusão de links, que trava o processo). Diferentemente do Chrome, as novas abas abertas abrem ao final e não ao lado da aba de onde partiu o meu clique. E onde está a reabertura de abas recém fechadas, Apple?





Novidades na interface do Safari 4

5 03 2009

A Apple está investindo todas as suas fichas na quarta versão do Safari. Se você visitar a página desse navegador, verá que o link para download oferece apenas a versão beta do Safari 4. Isso é estranho, pois normalmente versões beta estão disponíveis apenas em links discretos.

O novo Safari apresenta, entre outras vantagens, maior velocidade e tratamento otimizado de sites com pesado uso de javascript. Mas, o que quero aqui comentar são os aperfeiçoamentos na interface gráfica e na usabilidade deste navegador da Apple.

Mais uma vez a empresa mostra que elegância no design continua encabeçando sua lista de prioridades. OK, muitas das novidades na interface são inspiradas em outros browsers e tecnologias de outras empresas. Mais uma vez o que a Apple faz é integrar propostas anteriores, mesmo que de concorrentes, em uma experiência consistente e única.

Veja-se por exemplo a tela top sites, exibida abaixo nos tamanhos grande, médio e pequeno:

Essa funcionalidade, que lista visualmente os sites mais visitados, já estava disponível há muito tempo no Opera, e já tinha sido copiada pelo Google Chrome (leia minha resenha). Por outro lado, o top sites da Apple (disparado pelo botão mostrado ao lado) não apenas tem um visual muito sofisiticado, como também permite uma customização com boa usabilidade. O botão “edit“, no canto inferior esquerdo, permite a seleção do  tamanho das telas a serem mostradas (e, portanto, sua quantidade). Você também pode arrastar e soltar cada thumbnail para a posição que mais lhe convier. Além disso, os ícones mostrados no canto superior esquerdo de cada telinha (conforme a terceira imagem acima) permitem que você apague ou mantenha permanentemente uma certa página no modo  top sites.

Mesmo que o Opera e o Chrome já tivessem esse recurso, nas imagens acima você pode comprovar o toque Apple no design da funcionalidade. O fundo negro dá grande destaque às miniaturas. O reflexo de cada pequena tela não tem função, claro, mas é muito elegante. Já o recurso de organizar seus sites mas visitados, arrastando e soltando as miniaturas, foi muito bem implementado. À medida que você arrasta uma das telas, as outras se movem para acomodá-la em sua nova posição.

Na mesma janela top sites existe um campo para busca no histórico do navegador. A grande novidade é que os resultados não são apenas o título das últimas páginas visitadas (o que nem sempre é muito esclarecedor). O que você vê é uma imagem do próprio site antes visitado, no mesmo formato “cover flow“, utilizado em iPods mais recentes e no sistema de janelas do atual Mac OS X. Nesse modo de visualização você pode navegar pelo histórico como se estivesse “folheando” as telas. OK, OK, não foi a Apple que inventou a navegação “cover flow”. Mas, o diferencial da Apple é saber aplicar muito bem as diferentes tecnologias disponíveis em um todo coerente. Aliás, as diferentes interfaces da Apple vem se tornando cada vez mais consistentes, não apenas entre programas, como também entre plataformas (computadores, iPod e iPhone).

Mas nem tudo são flores. Se a janela de registro de bookmarks foi apresentada como exemplo de usabilidade na primeira versão do Safari, hoje ela parece velha e truncada. Conforme relatei nesta resenha, o mesmo processo no Firefox 3 é muito mais intuitivo e rápido. No Safari, para se salvar um site em uma nova pasta é preciso ir ao gerenciador de bookmarks e criar essa pasta, e depois voltar para a janela de registro de favoritos. No Firefox você pode fazer tudo no mesmo lugar.

A própria visualização da estrutura de pastas no Safari, ao se salvar um novo favorito, é deficitária. Se você tem um grande número de pastas e sub-pastas (e sub-sub-pastas!), fica difícil identificar os diferentes níveis hierárquivos. A imagem ao lado não consegue demonstrar isso bem. Mas garanto que o Firefox resolveu isso de forma mais interessante, permitindo inclusive que se abre e feche sub-pastas na mesma janela.

É também surpreendente ver que a Apple está lançando um novo browser sem recursos que hoje parecem básicos, como a reabertura de abas fechadas recentemente. Tampouco existe o suporte para a inclusão de plug-ins. Até o Internet Explorer se abriu para essas extensões!

Sobre abas é importante também comentar que elas estão agora posicionadas no topo da interface, lá onde estava apenas o título do site. Sim, isso também se parece com o Chrome. Por outro lado, supõe-se que essa modificação tem outro motivo além da competição com o browser do Google, que será lançado para Mac em breve (espero!): esse recurso facilitará a navegação no Safari para iPhone. Se isso for verdade, a interface do Safari ficará padronizada nos diferentes dispositivos.

De toda forma, me parece que as abas ainda não atingiram o melhor aspecto. Elas parecem melhor desenhadas no Chrome. Em sua versão no Safari, as abas vão mudando de tamanho em virtude do número de abas abertas. Ou seja, um padrão diferente do que vinha sendo trabalhado pela Apple, e também distinto da forma adotada pelo Chrome.

Para se arrastar uma janela do Safari é preciso clicar no meio de uma aba. Mas, se você quiser arrastar uma aba para que ela se transforme em uma janela (sim, como no Chrome), é preciso clicar e arrastar o canto chanfrado da aba. Já o botão de fechamento da aba foi parar no canto esquerdo. Um lugar realmente inusitado, pois é padrão hoje posicionar-se o botão de fechamento no canto esquerdo de toda janela ou aba, mesmo em dispositivos móveis. Enfim, espero que a Apple reveja o design das abas, pois elas não parecem bem acabadas.

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Finalmente, a barra de progresso azul, que aparecia por trás do endereço do site sendo carregado, foi substituída pelo gif aí ao lado, posicionado ao final da barra de endereços. Hum, confesso que eu gostava da barra aqua, que diferenciava o Safari de outros browsers.

Conclusão: gostei do top sites e da nova busca no histórico. A Apple, no entanto, deveria ter incluído algumas melhorias há muito esperadas: reabertura de abas fechadas inadvertidamente, suporte para plug-ins, permitir o assinatura de RSS em leitores online (o Safari se adona dessas assinaturas!) e cortar definitivamente de seu dicionário as palavras “site incompatível”. Enquanto isso, continuarei usando esse browser mesmo assim!





Kindle 2 é o iPod para livros

16 02 2009

Há muito tempo os futurologistas anunciam a morte do livro e a popularização dos e-books. Também muito se falou na morte dos livros e da literatura como a conhecemos com a emergência do hipertexto. Enquanto isso, a Livraria Cultura vai abrindo novas e maiores lojas pelo Brasil! Então, será que os e-books um dia ainda pegam? O Kindle 2, recente lançamento da gigante Amazon, é o primeiro concorrente sério.

Este dispositivo móvel é primordialmente focado na venda de versões digitais de livros. Através de poucos cliques, é possível pagar (menos) e baixar um livro em poucos segundos. Desde sua primeira versão, o aparelho também permite a compra e leitura de outros materiais, como revistas e jornais.

 

O Kindle 2 vem solucionar diversos bugs da primeira versão, como a inesperada virada de páginas, mesmo que o leitor não tivesse apertado nenhum botão. Mas o que me chamou mais atenção foi o cuidado com o design do produto. Ele é agora muito fino, tem cantos arredondados e botões suaves e bem posicionados. A versão anterior era obtusa, tinha um teclado estranho e diversos problemas operacionais.

 

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A primeira versão do Kindle, com bugs e cantos obtusos

Não ficaria surpreso em saber que Steve Jobs está morrendo de inveja. O Kindle 2 realmente parece um iPod para livros. Se esta nova versão é de fato uma bola dentro, podemos agora perguntar: conseguirá a Amazon revolucionar o mercado de livros, assim como a iTunes Store atualizou o consumo de música e vídeos? E representará o Kindle para a a leitura o que o iPod representa para a audição de músicas?

Do ponto de vista da interface e do hardware, o Kindle tem todas as chances. Infelizmente não sei quando terei acesso a um desses, mas pelo que pude ver a usabilidade é muito boa. O aparelho é leve, a tela tem excelente definição e pode ser bem visualizada em ambientes de alta luminosidade. No entanto, a tela ainda é monocromática. Certamente é uma questão de custo, mas uma próxima versão precisa incluir um monitor colorido. Mesmo que livros constem basicamente de texto preto em fundo branco, quem aceita hoje uma tela monocromática.

Achei bonito e delicado o visual dos botões do hardware, mas não sei ainda como respondem ao toque. No entanto, a interface gráfica parece um antiga. Veja abaixo como os botões se parecem com as primeiras versões do MacOS, ainda dos anos 80!

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Achei estranho também o efeito fade quando uma página é virada. Tudo bem, a placa de vídeo deve ser meio fraquinha! De toda forma, as possibilidades de marcar trechos, fazer bookmarks e anotações são muito bem vindas.

Todas essas características fazem do Kindle 2, em minha opinião, a primeira real chance de sucesso de um leitor de e-books. Muitos aparelhos anteriores já foram lançados no mercado, mas nenhum deles chegou a ameaçar a leitura dos bons e velhos livros de papel. A portabilidade, a elegância e a usabilidade do Kindle são realmente uma boa promessa.





UOL muda layout mas não inova

16 10 2008

Ontem o UOL apresentou sua nova homepage. A interface anterior certamente mostrava sua defasagem. Em tempos de Web 2.0, onde os cantos arredondados e brilhosos abundam, o UOL insistia em deixar tudo encaixotado. Muitos dos retângulos (e, portanto, os cantos retos) foram eliminados. Conforme explica o site:

O design, mais limpo, conta com letras maiores e o uso prioritário da cor branca, o que proporciona um ambiente mais arejado. O novo desenho traz mais imagens e em formatos maiores, para acompanhar o crescimento e a melhor definição dos monitores do público e o aumento do acesso em banda larga.

Antiga home da UOL

Antiga home do UOL

O site realmente ficou mais claro, pois antes era muito fechado e escuro. Por outro lado, algumas informações parecem soltas na tela. Vi alguns assinantes reclamando que agora se sentem confusos (vale a pena ler alguns dos mais de 2 mil comentários publicados). Ora, arejar não pode significar eliminar pontos de atenção e organização visual. O interessante é que agora os anúncios que ocupam toda a lateral direita chamam ainda mais atenção. Um comentarista chegou a dizer que o UOL aumentou a quantidade de propaganda. Medidas as duas colunas publicitárias pode-se ver que o espaço é praticamente igual, ainda que de fato pareça maior.

Home nova do UOL

Home nova do UOL

A parte superior da interface mudou muito pouco. Já a altura da página exige ainda mais rolagem, o que é ruim pois demanda mais trabalho na leitura e na localização dos canais na longa tripa do menu da esquerda. Dos 1024 pixels de largura, apenas uma pequena faixa é reservada para conteúdo. De toda forma, parece que nem o UOL ficou satisfeito com a mudança, pois já avisa que nova maquiagem está prevista para 2009.

É lamentável ver que a página mais visitada do Brasil continue com cara de velha apesar da plástica. E olha que já foram realizadas 17 atualizações nos 13 anos de vida do portal.





Análise da interface do Google Chrome

16 09 2008

Vi domingo no Discovery Channel um documentário sobre o nascimento da chamada “guerra dos browsers”. Dentre as imagens de arquivo, uma delas me chamou a atenção: o depoimento do Bill Gates na justiça negando com desculpas estapafúrdias que teria jogado sujo para destruir o Netscape (o que de fato acabou conseguindo).

Mas a guerra dos browsers não terminou. Além do Firefox vir progressivamente ganhando adeptos, e o Safari manter uma pequena fatia do mercado, agora o próprio Google decidiu tornar o embate ainda mais divertido…e criativo.

Se você usa Windows e ainda não instalou o Chrome (por que não???), com certeza já leu muito sobre ele. Mas o que pretendo neste post é fazer uma breve análise da interface desse novo navegador. (Em tempo: leia também minha análise da interface do Firefox 3).

Após usar o Chrome umas duas ou 3 vezes, a página inicial do navegador passa a lhe mostrar miniaturas das páginas que você mais visita (B). De fato, o Opera tinha algo parecido. Mas, enfim, quem usava o Opera?

Essa página inicial, com o mesmo “look and feel” de um site, apresenta no lado direito uma lista dos últimos favoritos visitados (C) e um campo para buscar endereços no histórico (D). Prático, não?

O botões de navegação (avançar, voltar, recarregar) são muito simples, mas “charmosos”, com linhas com extremidades arredondadas (A). Como se vê, todo o browser mantém essa tonalidade azulada, o que  combina com o estilo Windows. Mas será que as futuras versões para Mac e Linux manterão esses tons azulados?

Diferentemente de outros programas, o mesmo campo do endereço da página, serve também para realizar buscas na Web (B). O Google Suggest é usado nessa barra, indicando palavras-chave e sites a serem encontrados na rede. Apesar do Google ser o mecanismo de busca padrão, pode-se alterar essa definição para outro serviço.

É preciso habilitar a barra de favoritos (C), pois ela não aparece logo que se instala o browser. Ela tem um estilo diferente dos outros navegadores, pois não tem o velho jeitão de barra cinza. Logo, parece muito bem integrada à parte superior da interface, que inclusive ocupa pouco espaço na tela.

O Chrome permite a importação de favoritos de outros browsers, como também a criação de pastas na barra de favoritos. E, como no Firefox 3, pode-se alterar a ordem dos favoritos em uma pasta arrastando-os para a posição desejada. A pasta “Outros favoritos” (D) mantém todos os bookmarks que não forem posicionados naquela barra.

Já as abas, como já foi muito noticiado, foram parar no topo da tela. Não parece óbvio isso? Pois é, mas só os designers do Google pensaram nisso.

Mas esse reposicionamento é apenas um detalhe. Todo mundo também já leu que cada aba é gerenciada individualmente. Se uma delas trava, em virtude de um site problemático, o resto do browser segue funcionando. O mais legal do ponto de vista do design, contudo, é a forma com que se pode arrastar as abas para os locais desejados (E). Não apenas se pode agrupar abas em novas posições, como também se pode transformá-las em novas janelas. Basta arrastar a aba para baixo (veja o detalhe ao lado). E tudo funciona super bem, sem trancos no desenho da tela.

Ao se clicar em um link segurando “control” o site abre em uma nova aba. OK, todos browsers recentes fazem isso. O diferencial é que no Chrome a aba se abre ao lado daquela originária, e não ao fim da barra de abas. Faz sentido, pois mantém o que faz parte do mesmo contexto lado-a-lado. Essas são as pequenas definições no design de interação que fazem uma grande diferença.

Diferentemente do que tinha falado antes, a reabertura de abas fechadas recentemente é possível, mas funciona de forma distinta do Firefox. Ao se abrir uma nova aba, a página inicial lista aquelas recém fechadas (obrigado pela lembrança Tiago Sartor).  Infelizmente, não existe uma função para abrir abas recém fechadas, como no Firefox (o Safari tampouco tem esse útil serviço). É preciso recorrer ao histórico. Por outro lado, o Chrome não pergunta se você realmente quer fechar todas as abas simultaneamente quando se clica no botão de fechamento da janela. Tanto Firefox e Safari fazem isso, o que previne muitos “acidentes”.

O Chrome, ao meu ver, é um importante passo na sedimentação de um caminho que certamente assusta a Microsoft: a potencialização de aplicativos online. Muitos supõem que o Google lançará no futuro um sistema operacional. Ou seria melhor para eles ter um browser, que funciona em qualquer OS, mas que agiliza o uso de serviços como GoogleDocs e GMail? Bem, o Chrome não apenas oferece uma sólida estrutura para o funcionamento de Java e Javascript, como também permite a criação de ícones no desktop para sites que fazem uso intenso das novas tecnologias da Web 2.0. Para testar isso, criei um “atalho de aplicativo” do Docs e do Gmail. Ao clicar no ícone do primeiro, o GoogleDocs tomou conta de toda a tela, realmente parecendo um aplicativo instalado na máquina. Contudo, assim que selecionei um texto no qual eu estava trabalhando, uma aba foi criada em uma nova janela do browser. Assim, perdeu-se a sensação de se trabalhar em um aplicativo online. No caso do Gmail, contudo, tudo pareceu funcionar melhor.

Assim como no Firefox 3, o browser oferece-se para salvar seu username e sua senha apenas na página seguinte, após o preenchimento do formulário. É realmente melhor tomar essa decisão depois, na página de chegada, e não na página de partida.

O modo de navegação anônimo (sem cookies e rastros no histórico), muito útil em laboratórios públicos, lan houses (como também para funcionários dispersos e namorados infiéis!), faz a interface ficar acinzentada e inclui o ícone de um personagem misterioso. Certamente isso não faz diferença na funcionalidade, mas dá um excelente (e divertido) feedback visual.

Finalmente, quero também mencionar o funcionamento do campo de busca interno. Vejam que ele aparece no canto superior direito, com um bonito desenho com cantos arredondados. O mecanismo apresenta quantos resultados foram encontrados e pinta todos eles de amarelo. As flechas que indicam “próxima” e “anterior” rolam a tela revelando cada ocorrência, marcando-as em laranja. Excelente.

É uma pena que ainda não há versão do Chrome para Mac :-(

PS: Sim, o Internet Explorer 8 está sendo lançado. Mas não vou resenhá-lo. Preconceito? Acertou!





Nova interface do Firefox 3 apresenta melhor usabilidade

13 05 2008

Estou testando há várias semanas a versão Beta 5 do Firefox 3. Apesar de estar gostando do vejo, principalmente a velocidade em abrir o programa e navegar na web, não quero aqui falar sobre todas as novidades desta futura versão, mas sim comentar a nova interface gráfica. Vale notar que como uso um Mac, não posso garantir que a interface seja exatamente a mesma em um PC.

Você deve usar o botão de voltar muitas vezes ao dia. E talvez pouco ou nunca use o botão de avançar. Nada mais justo que ampliar então o espaço em tela do botão de voltar, facilitando o seu uso. Ponto em usabilidade para o Firefox 3! Veja abaixo a comparação da barra de navegação das duas versões do navegador.

Barra de navegação de Firefox 2
Botão de voltar

“Favoritar” um site também ficou mais fácil. Basta clicar uma vez na estrela no canto esquerdo do campo de endereços. Ao se clicar duas vezes, uma janela aparece para que se escolha em que pasta se deseja salvar o favorito. Infelizmente, não se pode mais ajustar o tamanho dessa janela. Pelo menos nesta versão Beta.

Salvando como favoritoTamanho do painel no Firefox 2

No Firefox 2 era muito chato organizar os favoritos. Era preciso clicar em botões dispostos na barra superior da janela de organização de bookmarks, para abrir uma outra, para só então editar as propriedades. Finalmente os caras se deram conta que tudo isso poderia estar em uma mesma janela! Menos cliques = melhor usabilidade.

Antes

Renomear boomarks

Depois

Organizar bookmarks

Mudar bookmark de lugar

Outro avanço que fazia falta era a possibilidade de se organizar pastas de bookmarks a partir da própria barra de favoritos. Agora basta arrastar um favorito para a posição que você deseja.

Certamente até a versão final novos avanços ainda devem aparecer. De toda forma, já sabemos que além de mais bonita (o Firefox realmente tava parecendo velhinho), a interface gráfica teve sua usabilidade bastante aperfeiçoada.





Use o Google Reader de maneira mais eficiente

12 10 2007

Logo do Google ReaderFaz tempo que cadastrei o Google Reader como minha página inicial no Firefox. Sempre que abro o navegador, fico sabendo instantaneamente quais blogs e sites favoritos foram atualizados, sem que eu precise visitar um a um. Mas apenas agora estou aprendendo a usá-lo de forma mais eficiente. Ou seja, nem sempre clicar em ícones e links com o mouse é a maneira mais rápida de se navegar. No caso do Google Reader, você pode usar diversos atalhos de teclado para dinamizar sua leitura de feeds. Na verdade, o uso de atalhos em sites é uma das novidades da Web 2.0.

Veja seguir uma lista dos atalhos mais úteis no Google Reader:

  • para abrir e ler cada feed assinado, use as teclas J e K;
  • para simples seleção de item, utilize P (previous) e N (next);
  • a tecla V abre o item selecionado em seu endereço original (infelizmente o bloqueador de pop-up precisa estar desabilitado);
  • selecione o modo de simples listagem digitando 2, ou abra todos os itens digitando 1;
  • envie o item selecionado por e-mail para um amigo através do atalho E;
  • para ver todos os itens em tela cheia, use a tecla U. Tecle de novo para abrir a coluna de opções na esquerda;
  • e use a tecla ? para descobrir outros atalhos.

Ah sim, você pode assinar este blog no Google Reader ou em outro leitor de feeds. Mas se preferir receber por e-mail avisos sobre novos posts publicados, utilize esta função.

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Webmail do Terra: uma aula de falta de usabilidade

19 07 2007

Semana passada perguntei para um webdesigner e ex-aluno quantos cliques eram necessários para ele enviar uma mensagem no GMail. Ele achou graça e respondeu desconfiado: “Depois de aberta a janela, apenas um clique…claro”.

Pois é, mas quem pena no webmail do Terra não tem essa sorte. Mas vamos em câmera lenta, para que você compreenda que “usabilidade” não é um conceito discutido pelas equipes do Terra.

Passo 1: Escreva sua mensagem.

Enviando e-mail no Terra

Passo 2: Pergunte-se por que uma segunda tela questiona se você quer salvar esse endereço na agenda de contatos.

Enviando e-mail no Terra 2

Passo 3: Irrite-se com a singela mensagem “Sua mensagem foi enviada” e o singelo botão de “OK”. Enquanto isso, divirta-se com as propagandas que o Terra obriga você a olhar.

Enviando e-mail no Terra 3Você fica então se perguntando por que o segundo maior portal do Brasil não junta os dois primeiros passos em uma única janela. Intrigado, você indaga por que esta empresa que atua em diversos países da América Latina lhe mostra uma tela apenas confirmando o óbvio. Será que essa informação não poderia ser mostrada através de uma janela sobreposta, programada em Ajax? Ah, talvez o Terra não saiba o que é isso. O caro leitor não precisa conhecer esse jeitão Web 2.0 de programar sites. Mas um portal não saber…francamente. Outra coisa: será que não ensinaram ao Terra que existem outras formas mais inteligentes e menos intrusivas de se ganhar dinheiro com propaganda na segunda geração da Web?

Bem, faz uns dois anos que penso em capturar essas telas para mostrar em aula, mas sempre esqueço. E faz ainda mais tempo que o erro abaixo insiste em ocorrer.

Se você quiser encontrar uma mensagem em sua caixa de correio, basta usar o mecanismo de busca, não é? Sim, mas cuidado…

Busca no Terra

Eu disse que não era para teclar “Enter”! Para que o mecanismo funcione, você deve clicar “Buscar” que fica lá em cima (por que não fica embaixo do campo de busca?).

Busca no TerraAh, você percebeu que os nomes de algumas pastas estão em português, enquanto de outras em inglês? Chique, hein?

Você deve estar frustrado por não saber o que quer dizer “Erro no Dispatch”. Não se preocupe, o Terra não é muito educado. Ele gosta de chamar as pessoas de burras.

Bem, talvez você seja mais inteligente e use o GMail. Enquanto isso, eu vou aqui aprendendo na prática a falta que uma boa usabilidade faz.